Quem usa Ozempic, Wegovy ou Mounjaro para emagrecer também perde massa muscular junto com a gordura. É por isso que o primeiro consenso internacional dedicado ao uso desses medicamentos passou a recomendar uma quantidade específica de proteína diária e, pela primeira vez, colocou a musculação como parte do tratamento, não mais como recomendação secundária.
O documento foi elaborado por três entidades europeias ligadas ao tratamento da obesidade e é considerado um consenso mundial sobre as medicações. Ele foi publicado no início de julho na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology.
Entre os pontos importantes que essa publicação traz, é que o sucesso da medicação não pode ser medido na balança. Isso porque já é comprovado que parte do peso eliminado durante o tratamento corresponde à perda de massa muscular. Com isso, a musculação e o consumo de proteína não são mais coadjuvantes, mas parte fundamental do tratamento.
Quanto de proteína consumir por dia
Para conter a perda de massa magra, o consenso recomenda uma ingestão diária de proteína:
O número ficou entre 1 a 1,5 grama de proteína por quilo de peso ajustado — com um mínimo de 60 gramas por dia, distribuídas ao longo das refeições.
Quando a alimentação não dá conta dessa meta, suplementos podem entrar em cena, sempre após avaliação individual.
O apetite menor é justamente o problema: como a fome diminui, o consumo de proteína tende a cair no momento em que ela é mais necessária, o que aumenta o risco de perda de massa muscular.
Fazer musculação, não qualquer atividade física
A novidade do documento está no papel reservado ao exercício. A prática regular de atividades de força, como a musculação, aparece pela primeira vez como peça central da estratégia para quem usa agonistas de GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1) e medicamentos semelhantes.
🔴ATENÇÃO: o documento não cita a atividade física de forma geral, mas uma atividade específica. A recomendação é de atividades de uso de força, que estimulem a produção muscular.
➡️ Isso não significa que o paciente não possa fazer atividades combinadas, mas que a musculação precisa fazer parte do tratamento.
Rodrigo Lamounier, diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) explica que é preciso que o paciente perca peso garantindo qualidade de composição corporal, que é o que também garante saúde. Ele ainda destaca que a perda de músculos, dependendo da idade, pode ter ainda mais repercussão na saúde.
“Pouco adianta reduzir o número na balança à custa de uma piora nutricional, de cansaço, de queda de cabelo intensa ou da incapacidade de se exercitar e viver bem —e, nos mais vulneráveis, do aumento do risco de quedas e fraturas”, afirma.
Quando é hora de parar?
O consenso enfrenta uma das dúvidas mais frequentes entre quem usa esses medicamentos: existe um momento certo para parar? A resposta é que a decisão precisa ser compartilhada entre médico e paciente e sopesar tanto os benefícios quanto os riscos.
Reduzir a dose, adiar um aumento programado, fazer uma pausa temporária ou suspender a medicação podem ser condutas apropriadas em determinadas situações —e o documento lista os sinais que pedem reavaliação:
náuseas e vômitos persistentes,
dificuldade de manter uma boa hidratação,
perda de peso rápida demais,
incapacidade de ingerir nutrientes suficientes e
indícios de desnutrição.
⚠️ Há ainda um cenário que merece atenção redobrada: quando a ingestão alimentar se mantém abaixo de 800 calorias por dia por um período prolongado.
A pausa pode chegar porque o paciente atingiu uma meta de peso adequada, porque a tolerância piorou a ponto de comprometer a adesão —situação em que um passo atrás na dose ajuda a manter o tratamento— ou por uma decisão de bom senso, como no idoso cuja perda de peso já alcançou um patamar razoável e para quem emagrecer mais deixa de ser desejável.
Fonte: g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 22/07/2026/07:28:57
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