Conhecida como Cidade Pepita e agora reconhecida como Capital Paraense do Ouro, Itaituba construiu sua história em torno do metal precioso. Localizado no sudoeste do Pará, o município concentra permissões de lavra garimpeira, escritórios de compra de ouro e funciona como principal centro de abastecimento de combustível, equipamentos e suprimentos destinados aos garimpos da região do Rio Tapajós.
A ligação com a atividade aurífera atravessa gerações. Embora a exploração de ouro esteja presente na região desde o século XIX, foi entre as décadas de 1970 e 1980 que o município viveu um período de forte crescimento econômico e populacional impulsionado pelo garimpo.
Entre meados da década de 1980 e o início dos anos 1990, estimativas apontam que mais de 500 toneladas de ouro foram extraídas no Vale do Tapajós, considerado a maior região aurífera do oeste paraense. Nesse período, inclusive, o Aeroporto de Itaituba registrou um dos maiores movimentos de pousos e decolagens de aeronaves do mundo.
Toda essa relação histórica, econômica e cultural com o metal precioso levou o município a receber um reconhecimento oficial. A Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) reconheceu Itaituba como a Capital Paraense do Ouro, título formalizado por meio da Lei nº 11.568, sancionada em 23 de junho de 2026 e publicada no Diário Oficial do Estado.
Por que Itaituba é conhecida como Cidade Pepita?
A importância de Itaituba para a cadeia produtiva do ouro vai além da extração mineral. O município reúne um grande número de permissões de lavra garimpeira e escritórios de compra do metal, além de desempenhar papel estratégico como centro logístico para os garimpos do Tapajós.
Ao longo das décadas, essa atividade ajudou a moldar a economia local e transformou a cidade em uma das principais referências da mineração aurífera na Amazônia.
Com a redução da atividade aurífera no início da década de 1990, porém, a economia local também passou a incorporar novos empreendimentos, especialmente nos setores agropecuário e madeireiro.
Conhecida como Cidade Pepita, Itaituba possui nome de origem tupi que significa “ajuntamento de água da pedra”.
A história de Itaituba e a do ouro caminham juntas há mais de um século. A atividade mineradora ajudou a moldar a economia, a cultura e o crescimento do município no sudoeste do Pará. Foto: Marco Santos/Ag. Pará
A trajetória do município está ligada ao processo de ocupação da Amazônia.
A presença de holandeses, franceses e ingleses no estuário do rio Amazonas levou os portugueses a reforçar sua ocupação na região. Foi nesse cenário que Francisco Caldeira Castelo Branco liderou a expedição responsável pela fundação de Belém, em 1616.
À época, o capitão Pedro Teixeira alcançou pela primeira vez o rio Tapajós e estabeleceu contato amigável com os povos indígenas em uma área atualmente identificada como a baía de Alter-do-Chão.
Ele retornou ao Tapajós em 1639 acompanhado por missionários jesuítas. E em 1697, Francisco da Costa Falcão instalou um forte na foz do rio.
Ao longo do século XVIII, os jesuítas fundaram aldeias que se destacaram pelo desenvolvimento regional, entre elas São José ou Matapus, São Inácio ou Tupinambaranas, Borari e Arapiuns.
Durante a administração de Francisco Xavier de Mendonça Furtado, essas localidades passaram por mudanças administrativas. Em 1757, Borari e Arapiuns receberam as denominações de Alter-do-Chão e Vila Franca. No ano seguinte, São Inácio e São José passaram a se chamar Boim e Pinhel.
Em 1781, durante o governo de José de Nápoles Telo de Menezes, o lugar de Aveiro surgiu como sede da freguesia de Nossa Senhora da Conceição.
Itaituba já aparecia em registros de 1812
Documentos históricos mostram que Itaituba já existia em 1812. Naquele ano, Miguel João de Castro citou a localidade em relatos de viagem pelo rio Tapajós como centro de exploração e comércio de especiarias do Alto Tapajós.
Durante a Cabanagem, em 1836, a criação de Brasília Legal estabeleceu um posto de resistência às margens do rio Tapajós. Nessa época, conforme registros de Ferreira Penna, Itaituba era um aldeamento indígena ligado à então província do Grão-Pará.
Entre os personagens históricos ligados ao município está o tenente-coronel Joaquim Caetano Corrêa, considerado precursor do desbravamento da região tapajônica e apontado como fundador do município.
Até 1853, Itaituba esteve vinculada à freguesia de Pinhel. Posteriormente, passou para a jurisdição de Boim.
Emancipação política
A Lei nº 266, de 16 de outubro de 1854, elevou Brasília Legal à categoria de vila. Mas como a medida não atingiu os resultados esperados, a Lei nº 290, de 15 de dezembro de 1856, transferiu a sede municipal para Itaituba.
A instalação oficial ocorreu em 3 de novembro do ano seguinte.
Mais tarde, a Lei nº 1.152, de 4 de abril de 1883, desmembrou parte do território para a criação do município de Aveiro.
O título de cidade foi concedido em 1900, por meio da Lei nº 684, de 23 de março. A instalação ocorreu em 15 de novembro daquele mesmo ano.
Em 1930, o município foi mantido por meio do Decreto Seis, de 4 de novembro. No entanto, o Decreto nº 72, de 27 de dezembro do mesmo ano, colocou o território sob administração direta do Estado.
A autonomia municipal voltou a ser reconhecida pela Lei Oito, de 31 de outubro de 1935.
Posteriormente, Itaituba passou a figurar nas divisões territoriais com os distritos de Itaituba e Brasília Legal. Essa configuração permaneceu até a restauração do município de Aveiro, oficializada pela Lei nº 2.460, de 29 de dezembro de 1961.
Reconhecimento oficial da Capital Paraense do Ouro
O reconhecimento oficial de Itaituba como Capital Paraense do Ouro ocorreu por meio do Projeto de Lei nº 568/2023, de autoria do deputado Wescley Tomaz.
A proposta buscou destacar a relevância histórica, econômica e cultural do ouro para o município e para o Pará, além de incentivar o desenvolvimento sustentável e o turismo regional.
A Lei nº 11.568 foi sancionada em 23 de junho de 2026 e publicada no Diário Oficial do Estado do Pará.
O texto estabelece:
“Art. 1º Fica reconhecida a Cidade de Itaituba, como a Capital Paraense do Ouro, em reconhecimento a sua importância econômica para o Estado do Pará.
Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.”
Fonte: diário do Pará e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 25/06/2026/07:39:07
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