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Para a PF, Wagner foi intermediário entre Vorcaro e Lula, diz jornal

Conversas indicam acesso direto do fundador do Master ao senador; defesa disse que “não existiu intermediação e não existe relação”

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Em nota enviada ao Poder360, o senador afirmou que não tem nenhuma relação com Daniel Vorcaro e que não pode ser responsabilizado por conversas de terceiros das quais “sequer participou” e cujo contexto “sequer sabe qual foi”. Segundo Jaques Wagner, “não existiu intermediação e não existe relação”.

Na 9ª fase da operação Compliance Zero, deflagrada na 5ª feira (18.jun.2026), Jaques Wagner foi alvo de mandado de busca e apreensão. A investigação apura suspeitas de que o senador tenha recebido vantagens indevidas do ex-sócio de Vorcaro no banco, Augusto Ferreira Lima, por meio da compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões e de pagamentos de R$ 3,5 milhões a uma empresa ligada a um familiar.

Segundo a PF, as conversas mostram que Vorcaro mantinha contato frequente com Jaques Wagner, marcava encontros com o senador e tinha acesso direto ao seu telefone celular. Os investigadores afirmam ainda que o fundador do Master demonstrava influência sobre políticos da Bahia, além da relação já identificada com Augusto Ferreira Lima.

A troca de mensagens que menciona Lula foi feita em 17 de julho de 2024 entre Vorcaro e Fernando Mascarenhas Filho, diretor comercial do Banco Master. Na conversa, o executivo comemora a informação de que o banco era visto como próximo ao governo federal, em comparação aos irmãos Joesley e Wesley Batista, controladores da J&F.

Mascarenhas Filho escreveu: “Unica coisa que falaram que somos proximos do governo, igual irmaos batista sao. O que é verdade rsrs”;
Depois de trocarem mensagens de descontração, Vorcaro respondeu: “Isso aí é marketing pra nós. Manda pro Lula e pra base aliada”;
Mascarenhas Filho, então, escreveu: “Vou mandar então pra tio Guiga e Jaques”.

De acordo com a Polícia Federal, “Guiga” é uma referência ao publicitário baiano Guilherme Sodré, apontado pela investigação como aliado próximo de Jaques Wagner e citado como operador financeiro do grupo.

Ao analisar o conteúdo, a PF afirmou que as conversas “sugerem proximidade entre Daniel Vorcaro e pessoas com poder político no Estado da Bahia”.

“Identificou-se no aparelho celular de DANIEL BUENO VORCARO conversa com o contato ‘Fernando Master’ referente a FERNANDO DE GOES MASCARENHAS FILHO, Diretor Comercial do Banco Master, em que este afirma existir proximidade entre o banco e o Governo Federal: ‘Única coisa que falaram que somos proximos do governo, igual irmaos batista sao. O que é verdade rsrs’. Em seguida, afirmou tratar-se de ‘mkt pra nos’ e sugeriu encaminhar o material ao Presidente Lula e à base aliada. O interlocutor então replicou: ‘vou mandar então pra tio guiga e Jaques’ – referência direta a GUILHERME SODRÉ MARTINS e ao Senador JAQUES WAGNER”, afirma o relatório dos investigadores.

O Poder360 procurou a assessoria do Palácio do Planalto por e-mail e por telefone para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito das mensagens. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

Eis a íntegra da nota de Jaques Wagner:

“O senador Jaques Wagner reitera que não tem nenhuma relação com Daniel Vorcaro e não pode ser responsabilizado por conversas de terceiros, que sequer participou e em contexto que sequer sabe qual foi. Não existiu intermediação e não existe relação.”

LIMA NEGA IRREGULARIDADE

A defesa de Augusto Lima afirmou ao Poder360 que as medidas “contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos”. Também disse que Lima “sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública”.

A manifestação é assinada pelos advogados Pedro Ivo Velloso, Eduardo Toledo e Sebastián Mello.

Leia a íntegra da nota:

“As diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração.

De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos.

Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública.”

Guiga & Dudu

Guiga foi casado com Fátima Mendonça. Depois, Fátima se casou com Wagner, com que está até hoje. Guiga e Fátima tiveram um filho. O Eduardo Mendonça Sodré Martins, conhecido como Dudu, que foi criado como enteado do senador.

Eduardo aparece na 9ª fase da operação Compliance Zero em uma das mensagens interceptadas pela PF cobrando Augusto Lima de forma explícita sobre o apartamento de luxo que estava sendo comprado: “Amanhã vence os boletos e são altos”, diz o trecho da mensagem enviada por Eduardo, que hoje é secretário do Meio Ambiente do Estado da Bahia no governo do petista Jerônimo Rodrigues.

A transferência milionária foi liquidada em outubro de 2025 pela PKL One Participações, ligada ao grupo Master.

COMPLIANCE ZERO

As apurações sobre as fraudes no Banco Master estão no escopo da Compliance Zero, autorizada inicialmente pela 10ª Vara Federal de Brasília em novembro de 2025. A 1ª fase prendeu provisoriamente os principais executivos ligados à instituição liquidada pelo BC. Ainda em novembro, o TRF-1 autorizou o uso de tornozeleira eletrônica e o retorno dos investigados para casa.

O caso passou a tramitar no STF a partir de dezembro de 2025, sob o comando do ministro Dias Toffoli. Ele autorizou a 2ª fase em janeiro de 2026, mas deixou a relatoria em 12 de fevereiro. André Mendonça assumiu. Vorcaro voltou a ser preso no início de março. Está detido na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

Eis as fases da operação:

1ª fase (18.nov.2025) – Daniel Vorcaro foi preso pela 1ª vez em 17 de novembro de 2025, um dia antes de a operação ser deflagrada. Ele tentava deixar o Brasil. A ação cumpriu 7 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão em 4 Estados e no DF. O fundador do Master foi solto em 29 de novembro;

2ª fase (14.jan.2026) – a PF realizou buscas em endereços ligados a Vorcaro. Foram apreendidos carros, relógios e dinheiro. Os valores bloqueados ou sequestrados na ação superaram R$ 5,7 bilhões. Tinha o objetivo de apurar o uso de fundos fraudulentos para maquiar os caixas do Master. Leia as íntegras das decisões que autorizaram a operação;

3ª fase (4.mar.2026) – Vorcaro voltou a ser preso. De acordo com a PF, o fundador do Master tinha um grupo que intimidava adversários e pagava propina para 2 funcionários do BC. No mesmo dia, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, que trabalhava para o fundador do Master, tentou se matar enquanto estava sob a custódia da PF –ele morreu em 6 de março. Leia a íntegra da decisão que deu aval à ação;

4ª fase (16.abr.2026) – a operação da PF prendeu Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. É investigado por suspeita de permitir operações sem lastro com o Master. Segundo a Polícia Federal, Costa recebeu propina de Vorcaro em imóveis de luxo. Leia a íntegra da decisão que autorizou a ação;

5ª fase (7.mai.2026) – o senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo. A PF cita o pagamento de propina de Vorcaro para o congressista –que negou. O relator do Master no STF, ministro André Mendonça, disse que a relação entre o político e o fundador do Master “extrapola a amizade”. Houve o bloqueio de R$ 18,85 milhões. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação;

6ª fase (14.mai.2026) – foram cumpridos 7 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em SP, MG e RJ. O pai de Vorcaro foi preso. Era ele quem articulava o grupo de intimidação e espionagem do fundador do Master, de acordo com a PF. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação;

7ª fase (19.mai.2026) – a PF deflagrou uma operação para apurar o vazamento de informações sigilosas ligadas ao Master. Mendonça mandou afastar um perito da corporação;

8ª fase (26.mai.2026) – o ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ) foi alvo de mandados de busca e apreensão. A ação apura a suspeita de crimes envolvendo o Master e o Rioprevidência. O total movimentado é de R$ 3 bilhões, segundo a PF. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação;

9ª fase (18.jun.2026) – o senador Jaques Wagner (PT-BA) foi alvo de medidas cautelares autorizadas por André Mendonça. O ministro proibiu o congressista de atuar com empresas ligadas ao caso Master e de falar com investigados, salvo exceções familiares.

Fonte:poder 360 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 20/06/2026/15:53:15

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