Entre o sonho e o abandono: o castelo de José Rico pode virar museu sertanejo em Limeira
Erguido como símbolo de um sonho grandioso, o icônico castelo idealizado pelo cantor José Rico, em Limeira, voltou ao centro das atenções após a Prefeitura declarar o imóvel de utilidade pública. A medida abre caminho para uma possível desapropriação do espaço, que poderá se transformar em um museu dedicado à música sertaneja.
A construção começou no início da década de 1990, quando José Rico decidiu erguer uma mansão inspirada em castelos europeus às margens da Rodovia Anhanguera. O projeto, no entanto, nunca seguiu padrões convencionais. Sem engenheiros fixos ou um plano técnico definitivo, o próprio cantor acompanhava cada detalhe da obra e frequentemente mudava ideias e estruturas durante a construção.
Foram mais de 24 anos de obras inacabadas. O imóvel ganhou proporções gigantescas: mais de 100 quartos espalhados em uma área de cerca de 48 mil metros quadrados. Além de residência, o artista sonhava transformar o local em um espaço cultural, com estúdio musical, área de convivência familiar e até projetos ligados à carreira da dupla sertaneja.
O castelo também acabou eternizado na música. Em 1996, José Rico lançou a canção “Castelo”, cuja letra falava justamente sobre construir um grande palácio para presentear a pessoa amada.
Mas o sonho sofreu um duro golpe em 2015, quando o cantor morreu aos 68 anos sem conseguir concluir a obra. Desde então, o imóvel passou a enfrentar abandono, dificuldades de manutenção e uma longa disputa judicial envolvendo dívidas trabalhistas deixadas pelo artista.
Nos últimos anos, o castelo chegou a ser levado a leilão em diferentes tentativas, mas não houve compradores interessados. Avaliado em aproximadamente R$ 15 milhões, o imóvel segue pertencendo ao espólio da família.
Agora, a Prefeitura de Limeira pretende dar um novo destino ao espaço. O decreto publicado nesta semana prevê estudos técnicos e jurídicos para analisar a viabilidade da desapropriação de parte da área onde está localizado o castelo.
A proposta do município é transformar o local em um polo turístico e cultural voltado à preservação da história da música sertaneja. A ideia inclui a possibilidade de criação de um museu com objetos pessoais, roupas, discos, fotografias e memórias da trajetória de José Rico e da histórica dupla com Milionário.
A administração municipal informou que busca apoio da iniciativa privada e recursos estaduais e federais para viabilizar o projeto, sem utilização direta de verbas municipais.
Hoje, o castelo permanece como um dos imóveis mais emblemáticos do interior paulista — uma construção marcada por luxo, excentricidade, sonhos interrompidos e pela forte ligação com a história da música sertaneja brasileira.
Fonte: jornalpp e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 01/06/2026/07:26:46
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