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Perícia revela fraude em série: os sinais que denunciaram o golpe bilionário na herança do fundador do grupo Objetivo

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“As assinaturas eram realmente do Di Genio. Eles recortavam a assinatura original e, por meio de tecnologia, colavam no contrato fictício”, afirmou Fúlvio Mecca, delegado da Polícia Civil de São Paulo.

Ainda segundo ele, as datas dos documentos foram manipuladas para indicar que o empresário teria firmado o acordo antes de morrer.

Outro ponto que levantou suspeitas foi a notificação da família sobre a suposta dívida. O grupo alegava que a viúva havia sido informada oficialmente sobre o processo, mas a perícia indicou falsificação.

“A notificação havia sido assinada falsamente por um porteiro da empresa do Di Genio. Eles identificaram quem era o porteiro e falsificaram uma assinatura dele”, disse Carlos Brno Gaya da Costa, promotor de Justiça de São Paulo.

A ausência de documentos originais também foi determinante para o avanço das investigações. Ao ser procurada, a família pediu acesso aos papéis que comprovariam a negociação dos terrenos — mas nunca recebeu os registros.

Um terreno no valor de R$ 635 milhões foi usado como arma do golpe. — Foto: Reprodução/TV Globo/Fantástico
Um terreno no valor de R$ 635 milhões foi usado como arma do golpe. — Foto: Reprodução/TV Globo/Fantástico

Ao desconfiar da compra do terreno, a família desconfiou e pediu os documentos originais da suposta venda, só que eles nunca chegaram.

Mesmo com as inconsistências, os suspeitos tentaram dar aparência de legalidade à cobrança ao recorrer a uma decisão de arbitragem, que reconheceu a dívida e elevou o valor para quase R$ 1 bilhão. A sentença, no entanto, também entrou na mira da polícia após a identificação de falhas no processo de notificação.

Para os investigadores, os elementos indicam que a fraude foi planejada em várias etapas, com o objetivo de simular uma negociação legítima e induzir o reconhecimento da dívida.

“Foi tudo uma encenação”, afirmou promotor. “Esses criminosos identificaram essa vulnerabilidade de regulação para tentar obter grande vantagem indevida.”

O caso segue sob investigação. Até o momento, há suspeitas de crimes como estelionato, falsidade ideológica e organização criminosa.

Especialistas apontam que a falta de fiscalização prévia sobre câmaras arbitrais pode abrir brechas para fraudes, como a que aconteceu no caso do fundador do grupo Objetivo.

Em nota, o Conselho Nacional de Justiça informou que essas entidades não são credenciadas pelo Judiciário, embora suas decisões possam ser revistas posteriormente pelos tribunais.

De acordo com a polícia, o grupo atuava de forma organizada e explorou vulnerabilidades do sistema para tentar obter vantagem sobre uma herança estimada em R$ 16 bilhões. O inventário ainda não foi concluído.

Quem são os investigados

Luís Teixeira da Silva Júnior: Apontado como ligado à empresa que apresentou a cobrança milionária. Já teve histórico de uso de documentos falsos e aparece como figura central no caso.

Rubens Maurício Bolorino: Ex-policial civil, citado como testemunha nos documentos. Segundo a investigação, tem histórico criminal e ligação com tráfico internacional de drogas.

Wagner Rosse Silva: Responsável pela câmara arbitral que emitiu a decisão favorável à cobrança.

Jorge Alberto Rodrigues de Oliveira: Apontado como facilitador do esquema. Foi o único preso até o momento. Outros oito investigados estão foragidos.

Os suspeitos são investigados por estelionato, falsidade ideológica, organização criminosa e tentativa de induzir a Justiça ao erro.

Segundo o Ministério Público, também são suspeitos:

  • Anani Cândido de Lara: sócio da empresa, teria participado da montagem dos documentos e contratos;
  • Patricia Alejandra Ormart Barreto: teria simulado notificações sem conhecimento do espólio;
  • Camila Mariana Alejandra Piaggio Nogueira Ormat: teria ajudado na formalização dos contratos;
  • Carlos Xavier Lopes: ligado ao núcleo financeiro, atuaria para esconder a origem dos valores;
  • Aline Cordeiro de Oliveira Boaventura: teria atuado como “juíza arbitral” em decisão simulada.

O advogado da Fonamsp, Guilherme Amaral, afirma que procurou o Ministério Público e a Polícia Civil para esclarecer a situação.

A defesa de Luiz Teixeira disse que ele entrou na empresa imobiliária depois que o contrato dos terrenos teria sido firmado com Di Genio, e que a perícia nos documentos não é oficial, mas contratada pela família do empresário. Afirma ainda que ele segue à disposição da Justiça para todos os esclarecimentos.

A viúva de Di Genio afirmou, em nota, que confia nas investigações. A defesa dos demais citados não foi localizada ou não se manifestou até a última atualização desta reportagem.

Fonte: g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 07/04/2026/07:20:24

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