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Aranhas brasileiras que parecem joias entram na mira do tráfico

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A raridade dessas espécies, somada à beleza incomum, transformou essas aranhas em alvo de colecionadores e traficantes de fauna. Pesquisas científicas e relatórios sobre o tráfico de animais mostram que o comércio internacional de pets exóticos se tornou um dos principais motores da captura ilegal de espécies raras da biodiversidade brasileira.

O problema preocupa pesquisadores porque muitas dessas aranhas ainda são pouco conhecidas pela ciência.

Segundo um estudo publicado na revista científica ZooKeys, o gênero Typhochlaena reúne apenas cinco espécies conhecidas, todas endêmicas do Brasil e com distribuição geográfica extremamente restrita. Essas aranhas são descritas como pequenas caranguejeiras arborícolas com padrões de cores muito marcantes no abdômen — característica que ajuda a explicar o interesse do mercado internacional.

Os pesquisadores observam que esses animais estão se tornando cada vez mais populares entre colecionadores.

“Typhochlaena são pequenas tarântulas arborícolas com padrões de cores notáveis no abdômen e estão se tornando populares e cada vez mais requisitadas no comércio de animais de estimação”, descreve o artigo científico.

Essa popularidade, no entanto, traz um risco direto para populações naturais que já são extremamente restritas.

 

Espécies raras e vulneráveis

Uma das espécies que chama atenção dos cientistas é a Typhochlaena curumim, encontrada em remanescentes da Mata Atlântica do Nordeste brasileiro.

Durante muito tempo, essa aranha era conhecida apenas a partir de três fêmeas coletadas sob cascas soltas de árvores em uma área de floresta na Paraíba. Expedições científicas posteriores encontraram novos indivíduos no Rio Grande do Norte e no Ceará, ampliando ligeiramente a área conhecida de ocorrência da espécie.

Mesmo assim, a distribuição continua extremamente limitada.

Segundo os pesquisadores, espécies com distribuição geográfica muito restrita são particularmente vulneráveis à coleta ilegal.

“A presença de uma espécie no comércio pode afetar populações naturais, especialmente quando se trata de espécies com distribuição limitada que atraem demanda internacional”, alertam os cientistas.

Além disso, estudar e proteger invertebrados como aranhas ainda é um desafio para a ciência.

Os próprios autores ressaltam que muitas espécies são descritas a partir de poucos indivíduos coletados em apenas um local, o que dificulta estimar o tamanho real das populações.

“Existem diversas dificuldades em avaliar o risco de extinção de invertebrados, principalmente devido à escassez de dados sobre distribuição e tamanho populacional”, aponta o estudo.
 

Mercado internacional e tráfico

O comércio global de animais exóticos é considerado uma das principais ameaças à biodiversidade.

No caso das tarântulas brasileiras, a facilidade de transporte e a demanda crescente de colecionadores contribuem para alimentar esse mercado clandestino.

Pesquisadores apontam que aranhas podem ser enviadas ilegalmente para outros países por meio de pequenas encomendas postais, muitas vezes sem qualquer identificação.

Esse método, conhecido como brown-boxing, permite que espécimes capturados na natureza sejam enviados discretamente para criadores ou comerciantes no exterior.

Uma vez fora do Brasil, esses animais passam a circular no mercado internacional de pets exóticos.

De acordo com os especialistas, muitos exemplares de tarântulas brasileiras acabam sendo vendidos na Europa e na América do Norte.

“Uma vez fora do país, muitos espécimes brasileiros de tarântulas são vendidos no comércio de animais de estimação”, registra o estudo.

As diferenças nas legislações entre países também dificultam o combate ao tráfico.

Enquanto no Brasil a coleta e a comercialização dessas espécies são proibidas, alguns países permitem a compra de animais exóticos sem grandes restrições, o que cria brechas para o comércio ilegal.

Um problema maior que parece

O tráfico de animais silvestres é considerado uma das atividades ilegais mais lucrativas do planeta.

Segundo a organização, o problema é agravado pela falta de informação e pela baixa prioridade dada à fiscalização ambiental em muitos países.

 
“A quantidade de animais traficados, os pontos de venda levantados e as ações desenvolvidas para o seu combate apontavam uma grande vantagem para os traficantes”, afirma o relatório da entidade.

Os pesquisadores também destacam que o tráfico de animais frequentemente está ligado a outras atividades criminosas.

Além disso, como se trata de um mercado ilegal, não existem números precisos sobre o volume de animais retirados da natureza.

“O tráfico de animais silvestres é uma atividade ilegal e, portanto, não conta com registros exatos”, observa o relatório da RENCTAS.

Ciência tenta proteger espécies pouco conhecidas

Enquanto o comércio clandestino cresce, pesquisadores tentam entender melhor a biologia dessas aranhas e identificar medidas de conservação.

Uma das propostas discutidas por cientistas é ampliar a proteção internacional dessas espécies.

A inclusão do gênero Typhochlaena em acordos internacionais de proteção, como a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITES), poderia ajudar a monitorar e restringir o comércio global desses animais.

Outra medida sugerida é incluir essas espécies na Lista Vermelha global da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), o que poderia chamar mais atenção das autoridades internacionais.

Para os pesquisadores, compreender e divulgar a existência dessas espécies é um passo fundamental para protegê-las.

Isso porque muitas dessas aranhas vivem em fragmentos isolados de floresta e podem desaparecer antes mesmo de serem completamente estudadas.

Pequenas, discretas e muitas vezes escondidas sob a casca de uma árvore, elas representam uma parte pouco conhecida — e extremamente vulnerável — da biodiversidade brasileira.

E, enquanto cientistas seguem tentando revelar os segredos dessas joias vivas da Mata Atlântica, a corrida entre a ciência e o tráfico internacional continua.

Fonte: G1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 27/03/2026/14:22:05

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