As trabalhadoras lideram a geração de empregos formais no estado: em 2025, elas responderam por cerca de 60% do saldo de postos criados, puxando a movimentação no mercado.
Especialistas destacam que as mulheres têm procurado mais estudo e capacitação não apenas para crescer na carreira, mas para garantir uma vida com mais dignidade para si e para a família.
De “profissão de homem” a espaço de liderança
Profissões historicamente associadas aos homens vêm ganhando rosto feminino, como a arbitragem de futebol, a segurança pública e a tecnologia da informação.
A árbitra Nayara Soares, que trabalha há 10 anos em campos de futebol, mostra que “não é sobre gênero, é sobre competência”. Ela já apitou clássicos do futebol paraense, fez cursos, passou por provas físicas e teóricas e atua nas principais partidas da Federação Paraense de Futebol.
Mesmo com as conquistas, o preconceito segue presente. A profissional relata que, em uma década de carreira, não se lembra de um jogo em que não tenha ouvido falas machistas sobre a presença de uma mulher em campo.
Na segurança pública, mulheres como a delegada Fernanda Pereira ocupam cada vez mais funções de direção e postos estratégicos na Polícia Civil do Pará, servindo de referência para novas gerações.
Empreendedorismo e chefia de família
O empreendedorismo tem sido caminho para muitas mulheres que enfrentam desemprego, dificuldade de inserção ou necessidade de conciliar carreira e maternidade. Foi o que aconteceu com Vanessa Alencar, que, após perder o emprego, começou a fazer bolos em casa com ajuda dos filhos e da mãe, se qualificou pela internet e, mais tarde, se formou em gastronomia.
Há 15 anos no ramo, ela profissionalizou o negócio, hoje focado em catering, coffee break e café da manhã corporativo, e emprega majoritariamente mulheres: cerca de 90% da equipe.
Raimunda, auxiliar de cozinha que trabalha com ela há seis anos, aprendeu na prática, passou para a área de doceria e ainda produz bolos caseiros para vender e complementar a renda familiar.
Esse cenário se conecta a outro dado estrutural: o Brasil tem aproximadamente 80 milhões de domicílios, e mais da metade deles, 52,33%, são chefiados por mulheres, que acumulam a responsabilidade de gerar renda e cuidar da família.
Muitas dessas mulheres exercem dupla responsabilidade, como provedoras e principais cuidadoras, o que torna o apoio no ambiente de trabalho e em casa ainda mais decisivo.
Desigualdade salarial e dupla jornada
Apesar dos avanços, a desigualdade salarial permanece como uma ferida aberta no mercado de trabalho. Dados recentes indicam que mulheres recebem, em média, de 20% a 21% menos que homens em cargos similares no setor privado, diferença que se repete em diversas regiões do país.
Especialistas apontam que o problema é resultado de uma combinação de fatores, sendo um modelo social que atribui às mulheres mais horas de trabalho doméstico e de cuidado, a menor presença delas em cargos de alta liderança e estruturas de discriminação que fazem com que áreas com maior presença feminina paguem menos.
Outra barreira é a dupla jornada. Além do expediente formal, muitas mulheres seguem responsáveis pela casa e pelos filhos, o que provoca desgaste emocional e limita o tempo para estudo, networking e outras oportunidades de crescimento profissional.
Especialistas ressaltam que elas estão cada vez mais conscientes do próprio valor, recusando vagas que não reconhecem suas competências e buscando empresas que se comprometam com equidade e ambiente mais humanizado.
Mercado mais justo depende de mudança cultural
Para analistas de recursos humanos, os dados mostram avanços concretos na participação feminina, mas também reforçam que ainda há um longo caminho até um mercado verdadeiramente justo e inclusivo.
Programas internos de valorização, metas de diversidade, combate a práticas discriminatórias e investimento em formação de lideranças são apontados como medidas essenciais para reduzir desigualdades.
Fonte: G1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 09/03/2026/14:53:23
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