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Guarda armada vai às ruas em março sem cooperação com a PM; entenda

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Em junho do ano passado, a Câmara Municipal do Rio aprovou a criação de uma divisão de elite dentro da Guarda Municipal em que agentes armados têm autorização de portar armas durante o patrulhamento das ruas. Na terça-feira, o prefeito Eduardo Paes (PSD) anunciou que a primeira turma de 600 agentes começará a trabalhar no mês que vem. No entanto, sete meses após a oficialização da nova corporação, prefeitura e governo estadual ainda não se sentaram à mesa para desenhar como será a atuação da Força Municipal em conjunto com a Polícia Militar.

Na terça-feira, ao apresentar os equipamentos que os guardas terão à disposição, Paes disse que vem buscando se reunir com as autoridades da segurança do estado para fazer esse planejamento, mas que não teve resposta. Em seu discurso, o prefeito afirmou que a responsabilidade da segurança pública “é do governo do estado”.

— Tenho solicitado há algum tempo uma audiência com o governador para que possamos trabalhar em conjunto. Ainda não consegui esse encontro, mesmo após meses pedindo — alfinetou Paes. — A tarefa da segurança pública é do governador, não do prefeito. O objetivo da prefeitura é auxiliar a Polícia Militar, liberando-a para atuar em áreas em que apenas ela pode agir.

‘Causa estranheza’

O governador Cláudio Castro (PL), em viagem à Europa, reagiu prontamente à crítica, divulgando imagens dele com o prefeito em agendas públicas, mostrando que os dois vêm se encontrando com frequência. Em nota, afirmou que “sempre manteve o diálogo aberto com a Prefeitura do Rio”. Destacou ainda que estado e prefeitura já atuam em programas de combate à violência, como a Operação Barricada Zero, e aproveitou para criticar a Guarda armada: “Causa estranheza a criação de uma Força Municipal, que vai contribuir com a Segurança Pública, criada sem um planejamento integrado com as forças estaduais”.

Nos bastidores, Paes e Castro firmaram — pelo menos, por enquanto — um pacto de não agressão por causa da corrida eleitoral deste ano. O governador tem interesse de concorrer ao Senado, e Paes é pré-candidato ao governo do Rio. Nas conversas que estão em andamento, o Partido Liberal não lançaria um nome de peso para a disputa contra o prefeito do Rio, enquanto Paes não teria candidato de centro-direita ao Senado, para disputar diretamente com o governador. No entanto, há alas do PL que não concordam como esse alinhamento e defendem que é necessário ter uma candidatura forte ao Palácio Guanabara, inclusive para o possível mandato-tampão de abril até o fim do ano.

Eleição nos bastidores

A discussão da Força Municipal ganha mais destaque neste momento porque a Segurança Pública deve ser o principal tema debatido pelos candidatos ao governo até outubro. Paes — que deve renunciar à prefeitura em 20 de março, alguns dias antes do prazo legal de desincompatibilização — terá a Guarda Municipal armada como uma de suas principais bandeiras eleitorais. Na discussão do projeto de criação da nova corporação no plenário da Câmara Municipal, dos sete vereadores do PL, seis foram contra e um não votou, mas o texto foi aprovado pela maioria.

Essa falta de alinhamento entre prefeitura e governo do estado é criticada por especialistas que estudam a violência. Ex-secretário nacional de Segurança e oficial reformado da PM, José Vicente da Silva defende que todos se reúnam para definir as diretrizes do policiamento.

— O ano político contamina o debate da Segurança Pública, mas é preciso uma mediação, nem que seja de alguma organização não governamental que preste uma consultoria sobre como deve ser essa integração. Não ter um entendimento é um sinal de que não vai funcionar bem. Como serão os protocolos de colaboração? E as linhas de comando? São problemas que precisam ser resolvidos antes de irem às ruas — analisa.

Opinião muito parecida tem o coronel da reserva Robson Rodrigues, ex-chefe do Estado Maior da Polícia Militar do Rio:

— Quem é responsável pelo quê? É preciso azeitar as atribuições quando você pode ter sobreposições. Quando você tem essa falta de integração, aumenta os riscos de não obter os resultados mais importantes para a população.

Mesmo sem a cooperação firmada com as forças estaduais, a prefeitura já decidiu que os primeiros 600 guardas armados vão ser distribuídos por três bases: Leblon, na Zona Sul; Piedade, na Zona Norte; e Campo Grande, na Zona Oeste. Os locais de patrulhamento, de acordo com o diretor-geral da Divisão de Elite, Brenno Carnevale, serão definidos por meio de análise de manchas criminais.

Ao anunciar a criação da Guarda armada há um ano, o prefeito já tinha afirmado que os agentes municipais iriam atuar no patrulhamento da cidade em apoio à Polícia Militar, principalmente “em áreas onde existe, por exemplo, maior incidência de roubos de veículo, de celular e a pedestre”. Paes descartou o policiamento em comunidades dominadas pelo tráfico ou pela milícia.

Dados do Mapa do Crime, ferramenta interativa do GLOBO de monitoramento da violência, mostram que 48 celulares foram roubados por dia na cidade no primeiro semestre do ano passado, por exemplo. Os bairros com mais casos foram Centro, Tijuca e Botafogo. Já os roubos de veículos, neste período, foram mais concentrados na Pavuna, em Bangu e em Irajá.

Voltada para coibir roubos e furtos, a nova tropa vai trabalhar com pistolas calibre 9mm, com capacidade para 15 disparos por carregador, e dois carregadores reserva por agente. Também serão usados equipamentos de menor potencial ofensivo, como armas de choque, tonfas (espécie de bastão) e spray de gás lacrimogêneo ou de pimenta.

Câmeras no uniforme

Os guardas armados estarão ainda com câmeras corporais e monitoramento em tempo real por GPS. A atuação da tropa será acompanhada a partir de uma sala de comando instalada no Centro de Operações e Resiliência do Rio (COR-Rio).

Com orçamento anual de R$ 280 milhões, a corporação contará ainda com 118 veículos, entre picapes, motocicletas e vans. Os veículos serão utilizados em ações de patrulhamento preventivo e ostensivo. Os agentes vão trabalhar sempre em duplas ou trios.

Fonte: globo e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 05/02/2026/15:15:38

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