Em vídeos que circulam nas redes sociais, moradores de Alter do Chão denunciam que não havia médico na UBS 24h, embora na parede uma ficha indicasse o contrário. A unidade também não conta com ambulância, serviço indispensável em casos como o do idoso Zelinaldo Ferreira Silva, que chegou na manhã de segunda-feira (16) à UBS com quadro sugestivo de Acidente Vascular Cerebral (AVC), necessitando de ventilação mecânica e outros cuidados.
Em um vídeo, é possível ver um morador reclamando da demora na chegada da ambulância do Samu. O serviço teria sido solicitado antes das 11h, mas a ambulância só chegou depois das 13h e, minutos depois, Zelinaldo morreu após sofrer parada cardiorrespiratória.
Segundo um irmão de Zelinaldo, Wellington Ferreira, após a chegada da ambulância, o paciente foi colocado dentro da unidade móvel, mas passou mal, foi retirado e levado novamente para a UBS, onde sofreu a parada cardiorrespiratória.
“A equipe da UBS ligou para o Samu antes das 11h30. Eu liguei e disseram que a UBS já tinha solicitado. Depois, liguei mais duas vezes e desligaram na minha cara. Minha esposa ligou e disseram que a ambulância já tinha saído, e meu irmão passando mal. Não tinha mangueira de oxigênio adequada; a gente precisou improvisar com a que tinha, enrolando uma fita”, relatou.
Wellington também disse que a ambulância só chegou às 13h05. Segundo ele, chegaram a colocar Zelinaldo no veículo, mas logo ele teve falta de ar, foi tirado da ambulância e levado para dentro da UBS, morrendo em seguida. Ele diz que não havia oxigênio na ambulância.
“Nós perguntamos para o enfermeiro do Samu se havia oxigênio na ambulância, e ele disse que tinha 100 libras. Nós entramos lá e abrimos a garrafa, mas ela estava vazia, não havia oxigênio. Também não tinha médico na ambulância nem no posto. Como é que a ambulância sai para fazer um atendimento sem médico, sem oxigênio? É um descaso com Alter do Chão e com Santarém”, contou.
Jecilaine Borari, também irmã de Zelinaldo, disse ao g1 que havia dois médicos atendendo em outra unidade de saúde de Alter do Chão. Segundo ela, ambos teriam sido chamados pela enfermeira da UBS 24h para atender à emergência, mas só apareceram horas depois, quando já não havia mais o que fazer.
“Foi uma negligência. A enfermeira que estava de plantão pediu ajuda; havia dois médicos em outra UBS e nenhum quis ir. Ligavam para a ambulância, mas passaram a desligar na cara. Pela nota da Secretaria de Saúde, é como se fosse apenas uma morte, como se a prioridade fossem os acidentes de trânsito”, desabafou Jecilaine.
Zelinaldo, conhecido popularmente como Zezão, trabalhava como pescador em Alter do Chão. Ele deixa cinco filhos.
Esclarecimento
Por meio de nota, a Prefeitura de Santarém informou que, no momento em que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado para atender o paciente em Alter do Chão, as equipes estavam mobilizadas em ocorrências simultâneas no município, incluindo atendimentos a vítimas de acidentes de trânsito na área urbana.
A prefeitura informou ainda que, durante esse período, o serviço registrava outras oito ocorrências em atendimento na cidade, enquanto a ambulância responsável pela região da BR-163 estava em outra demanda assistencial. Segundo o município, uma equipe foi deslocada para a unidade de saúde de Alter do Chão assim que houve disponibilidade de ambulância.
“Ao chegar ao local, os profissionais prestaram atendimento ao paciente, que evoluiu para parada cardiorrespiratória. Foram realizadas manobras de reanimação; porém, apesar dos esforços da equipe de saúde, o paciente não resistiu”, diz a nota.
Até a última atualização desta reportagem, a Prefeitura não respondeu ao g1 por que não havia médico nem ambulância de prontidão na UBS 24h de Alter do Chão.
O caos
Em fevereiro deste ano, quando um homem passou mal na rua e morreu em Alter do Chão, a crise na saúde do distrito já havia sido alvo de questionamentos por parte dos moradores. Para eles, a falta de uma ambulância contribuiu para a tragédia.
Em resposta a questionamentos sobre o caso, a prefeitura argumentou que se tratou de um mal súbito e que, independentemente da presença de ambulância, a morte não poderia ter sido evitada.
Desde então, a situação crítica dos serviços de saúde pública em Alter do Chão tornou-se um foco de tensão entre a comunidade e a gestão municipal, de acordo com o sociólogo e escritor Marlos Rodrigo, morador do distrito.
Segundo ele, a gestão do ex-prefeito Nélio Aguiar registrou a entrega de ambulâncias para o distrito em duas ocasiões:
- Julho de 2022: entrega simbólica de uma ambulância à comunidade
- Junho de 2024: anúncio de uma nova ambulância para a região
“(…) A partir de janeiro de 2025, com a posse do atual prefeito José Maria Tapajós, a única ambulância que operava na vila desapareceu, segundo relatos dos moradores. Esse fato levanta questionamentos sobre o paradeiro dos veículos anunciados e deixa a população desassistida”, relatou Marlos Rodrigo.
Ainda de acordo com o sociólogo, em atendimentos de emergência, em que cada segundo é vital, os profissionais ainda perdem tempo buscando históricos em arquivos físicos e preenchendo fichas à mão. “O contraste expõe a desconexão entre o investimento anunciado e uma realidade operacional arcaica”, enfatizou.
Para Marlos Rodrigo, a situação em Alter do Chão coloca em xeque a eficácia da comunicação e da prestação de contas do poder público. “De um lado, há registros oficiais de investimentos e melhorias. De outro, questionamentos de uma comunidade que não vê essas melhorias materializadas no dia a dia e que clama por respostas concretas”, finalizou.
Fonte: G1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 17/03/2026/14:17:38
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