Vídeo de influenciadores com búfalo morto em Soure leva Ministério Público a abrir apuração

O búfalo mostrado morto, sem pele e colocado em águas de Soure motivou uma reunião do Ministério Público do Pará com autoridades municipais para discutir possíveis impactos sanitários, ambientais, culturais e de proteção animal. O encontro está marcado para terça-feira (21), às 10h, no gabinete do prefeito, e foi articulado pelo Núcleo de Defesa dos Direitos dos Animais do MPPA.
A reunião terá a participação do prefeito e de representantes das secretarias municipais de Meio Ambiente, Saúde e Cultura. Segundo o Ministério Público, o objetivo é ampliar o diálogo entre os órgãos públicos e construir estratégias para fortalecer ações permanentes de proteção e bem-estar animal no município.
Lia Mendonça e MC Daniel assam búfalo inteiro e chocam seguidores
As comunicações foram encaminhadas por meio do promotor de Justiça de Soure, André Cavalcanti, em respeito ao princípio do promotor natural e à independência funcional.
A atuação foi provocada pela repercussão de uma postagem de um grupo de influenciadores, entre eles a paraense Lia Mendonça e o cantor MC Daniel, nas redes sociais em que um búfalo aparece morto, sem pele, colocado em um rio ou outra área de águas do município. Além disso, o preparo do animal para consumo chocou pela espetacularização, revoltando inclusive moradores do Marajó. Para o MPPA, a situação pode ter provocado contaminação e exige esclarecimentos sobre as circunstâncias em que o animal foi abatido e posteriormente manuseado.
O órgão também informou não haver, até o momento, notícia sobre inspeção sanitária ou fiscalização do abate. Segundo a postagem que motivou a apuração, a carne teria sido oferecida como alimento, circunstância que, na avaliação do Ministério Público, gera preocupação com a segurança alimentar da população.
Normas e identidade cultural em debate
A coordenadora do Nudan, promotora de Justiça Maria José Cunha, ressaltou que a atuação não parte da premissa de que o búfalo não possa ser abatido para consumo humano. O ponto central, segundo ela, é verificar o cumprimento das normas ambientais, sanitárias, de proteção ao consumidor e de bem-estar animal.
Maria José também destacou a importância cultural dos búfalos para o Marajó. Para o MPPA, a imagem divulgada atingiu um símbolo ligado à identidade e à história da população marajoara, provocando comoção e possível dano moral coletivo.
A promotora mencionou ainda o artigo 225 da Constituição Federal, que impõe ao poder público o dever de proteger a fauna e impedir práticas que submetam animais à crueldade. A reunião deverá discutir desde a forma de abate até a destinação do corpo e a possível oferta da carne sem inspeção.
Sociedade do espetáculo e ODS da ONU
Ao analisar a exposição pública do episódio, Maria José citou o filósofo francês Guy Debord e a obra “A Sociedade do Espetáculo”, de 1967. Segundo ela, conteúdos divulgados como promoção cultural ou turística não podem transformar em normalidade práticas que envolvam sofrimento animal, risco à saúde ou exposição degradante de comunidades vulneráveis.
O MPPA afirma que o episódio não representa a cultura do povo marajoara e se distancia dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) e da promoção de uma cultura de paz. Os encaminhamentos concretos deverão ser definidos após a reunião do dia 21.
Fonte: Diário do Pará e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 17/07/2026/07:16:00
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