Resgatada doente, jovem jaguatirica é devolvida à Mata Atlântica, após tratamento

Em meados de maio, moradores de uma área rural de Miracatu, na região do Vale do Ribeira, no estado de São Paulo, entraram em contato com a Polícia Militar Ambiental quando perceberam a presença frequente de uma jovem jaguatirica (Leopardus pardalis), próximo da criação de aves domésticas da propriedade.

Uma equipe da polícia foi até o local e resgatou o animal, que estava bastante debilitado, e o encaminhou ao Centro de Triagem e Recuperação de Animais Silvestres de Registro (Cetras-Registro/SP). Ao chegar lá, médicos-veterinários realizaram vários exames, e constataram que, além do peso abaixo do ideal, o felino apresentava um ferimento em uma das patas traseiras e lesões na cabeça, nas orelhas e no pescoço.

As lesões foram então diagnosticadas como sarna notoédrica. “Ela é comum em gatos domésticos, mas não em animais selvagens”, explica Hanna Sibuya Kokubun, chefe do Cetras-Registro. “A sarna deixa a pele exposta e propensa a infecções oportunistas. Em caso de piora, a infecção pode agravar e atingir órgãos internos, causar infecção generalizada e causar óbito”, acrescenta a veterinária.
Resgatada doente, jovem jaguatirica é devolvida à Mata Atlântica, após tratamento

Exames médicos feitos na jaguatirica logo após sua captura

A jaguatirica então passou por um mês de tratamento, e com a saúde prontamente restabelecida, há poucos dias chegou o esperado momento do retorno à vida selvagem. Antes disso, entretanto, ela recebeu um chip de identificação, para que caso seja recapturada, seja facilmente identificada.

Retorno à liberdade

O local escolhido para a soltura da jaguatirica foi o Legado das Águas, uma reserva privada, com mais de 30 mil hectares, localizada também na região do Vale do Ribeira, em pleno bioma Mata Atlântica, e conectada a unidades de conservação, formando um importante corredor ecológico naquela área, propiciando todas as condições necessárias para a sobrevivência da jovem fêmea.

Levada para lá dentro de uma caixa, quando a porta foi aberta ela pareceu receosa. Foi preciso de um leve empurrãozinho para que ganhasse coragem e seguisse rapidamente para o meio da mata.

“Quando abrimos a caixa de transporte e vemos um animal voltar para a floresta, temos a certeza de que todo o esforço valeu a pena. Cada indivíduo devolvido à natureza representa uma nova oportunidade para a conservação da espécie e reforça a importância do trabalho realizado diariamente por toda a equipe do Cetras. Nosso compromisso é fazer com que esses animais retornem preparados para viver novamente em liberdade e cumpram seu papel no equilíbrio dos ecossistemas”, celebra Hanna.

Também chamada no Brasil de ocelote, gato-do-mato e gato-maracajá, a jaguatirica mede cerca de 75 centímetros e pesa em torno de 20 kg. É uma espécie de mamífero carnívoro pertencente à família dos felídeos. Possui uma distribuição ampla por toda a América Latina.

De hábitos solitários e com atividade predominantemente noturna, durante o dia dorme em ocos de árvores ou em arbustos. Tem grande habilidade para subir em árvores, saltar e nadar. Alimenta-se de pequenos e médios vertebrados, como cutias, pacas, macacos, preguiças, além de roedores, aves e répteis.

Fonte: Conexão Planeta e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 03/07/2026/07:11:06

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