Medicamento contra Alzheimer pode retardar sintomas por até 3 anos, aponta novo estudo

Um novo estudo apresentado na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer (AAIC), em Londres, indica que o donanemab, medicamento desenvolvido para tratar a doença de Alzheimer, pode prolongar por até três anos os benefícios do tratamento.

Os resultados mostram que a terapia não apenas retarda o comprometimento da memória e do raciocínio, como também reduz alterações cerebrais associadas à doença.

As novas evidências representam um avanço em relação às pesquisas anteriores, que apontavam benefícios por apenas quatro a sete meses, observados em 35% dos pacientes. Os dados reforçam o potencial do medicamento para retardar a progressão do Alzheimer em pessoas tratadas nas fases iniciais da enfermidade.

Estudo mostra benefício prolongado do donanemab

O estudo acompanhou 1.200 pessoas com demência, das quais aproximadamente metade recebeu o donanemab durante 18 meses. Os pesquisadores compararam os resultados com um grupo de pacientes de características semelhantes que não utilizou o medicamento, utilizando uma escala voltada à avaliação da memória e do raciocínio.

Ao fim dos 18 meses de acompanhamento, os cientistas identificaram uma diferença significativa entre os dois grupos. Após três anos, essa diferença havia dobrado, indicando que os benefícios do tratamento permaneceram por mais tempo.

O donanemab é administrado por infusão e foi autorizado para uso no Reino Unido em 2024. Apesar da aprovação, o medicamento ainda não foi incorporado ao Sistema Nacional de Saúde (NHS). O Instituto Nacional de Excelência em Saúde e Cuidados (NICE) avaliou anteriormente que os benefícios observados eram pequenos diante do custo da terapia.

Medicamento reduz marcadores associados ao Alzheimer

Além dos efeitos sobre os sintomas, os pesquisadores observaram que o donanemab parece reduzir a proteína associada ao desenvolvimento da doença de Alzheimer. Embora tenha papel importante no funcionamento das células cerebrais, seus níveis costumam aumentar em pessoas diagnosticadas com a enfermidade.

Os cientistas acompanharam esse processo por meio do marcador sanguíneo p-tau217. Após 17 meses de tratamento, os pacientes que receberam o medicamento apresentaram redução significativa desse composto. Por outro lado, os níveis continuaram aumentando entre aqueles que não utilizaram a terapia.

Os exames de imagem cerebral também mostraram uma redução de 90% das placas amiloides. Essa é outra característica marcante da doença de Alzheimer, em pacientes com comprometimento cognitivo leve.

Especialistas veem avanço, mas apontam desafios para adoção

Para Hilary Evans-Newton, diretora executiva da Alzheimer’s Research UK, os resultados sugerem que os benefícios do donanemab “podem perdurar por anos após o término do tratamento“. Segundo ela, as evidências fortalecem a expectativa de que tanto o donanemab quanto o lecanemab, já aprovados no Reino Unido, possam retardar a progressão do Alzheimer quando iniciados nas fases iniciais da doença.

Em entrevista ao jornal britânico Daily Mail, o diretor associado de Pesquisa e Inovação da Alzheimer’s Society, Dr. Richard Oakley, destacou que o donanemab foi o segundo tratamento aprovado no Reino Unido para pacientes com Alzheimer em estágio inicial. Para ele, o avanço das pesquisas sobre segurança e formas de administração representa um motivo de esperança.

Apesar disso, Oakley afirmou que o sistema público de saúde britânico ainda não está preparado para oferecer o tratamento em larga escala. Segundo ele, cerca de um terço das pessoas com demência no Reino Unido permanece sem diagnóstico. Enquanto isso, os serviços de saúde ainda enfrentam limitações de equipe e estrutura para ampliar o diagnóstico e acompanhar pacientes elegíveis.

O especialista também defendeu investimentos para preparar o NHS para a adoção dessas terapias. Além disso, ele aponta a necessidade da criação de metas nacionais voltadas ao diagnóstico precoce e preciso. Ele acrescentou que novos estudos dentro do sistema público são necessários para compreender a melhor forma de administrar e monitorar tratamentos como o donanemab e o lecanemab.

Fonte: Diário do Pará e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 17/07/2026/07:16:00

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