Com novos aparelhos, polícia passam a ter oito celulares do caso Master; até agora, apenas um foi analisado e cerca de 30% do conteúdo foi examinado.
Investigadores da Polícia Federal apreenderam mais três celulares com o banqueiro Daniel Vorcaro no momento da prisão dele em São Paulo, na quarta-feira (4). O dono do Banco Master foi preso em uma nova fase da operação que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras.
Os aparelhos estão lacrados e ainda não passaram por perícia.
Com isso, os investigadores do caso Master passam a ter oito celulares de Vorcaro para extração de material. Até agora, tudo o que foi revelado nas investigações diz respeito a apenas um desses aparelhos — e, dele, cerca de 30% do conteúdo foi analisado.
Essa informação foi levada aos auxiliares do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do caso.
Equipes da Polícia Federal e do gabinete do ministro destacadas para a investigação devem se reunir na próxima semana para fazer uma avaliação detalhada do estágio das apurações e definir os próximos passos.
Há o entendimento entre os investigadores de que será necessário pedir reforço de peritos, analistas e técnicos para acelerar a extração e a análise do conteúdo dos celulares do banqueiro.
A prisão ocorreu por ordem do ministro André Mendonça após análise de mensagens de um dos celulares do empresário, com indícios de ameaças, corrupção e tentativa de interferência em decisões regulatórias.
A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 22 bilhões em bens para ressarcir prejuízos ao sistema financeiro.
Vorcaro está preso na Penitenciária Federal de Brasília – um dos cinco presídios federais de segurança máxima do país. A cela onde cumpre pena tem 6 m², cama de concreto e não tem TV.
A unidade de Brasília foi inaugurada em 2018 e fica ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda e do prédio conhecido como “Papudinha” – onde o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpre pena desde 15 de janeiro.
Mensagens
Políticos e autoridades de alto escalão dos Três Poderes são citados em mensagens de WhatsApp já extraídas pela Polícia Federal (PF) de um dos celulares do banqueiro Daniel Vorcaro e enviadas à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no INSS.
A defesa de Daniel Vorcaro informou em nota que “solicitou ao Supremo Tribunal Federal a instauração de investigação para apurar a origem dos sucessivos vazamentos de informações sigilosas provenientes dos telefones celulares apreendidos no curso da investigação” (veja a nota na íntegra no final da reportagem).
A lista de citados inclui o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o presidente Lula (PT), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, o deputado Aécio Neves (PSDB-MG) e o ex-governador de São Paulo João Doria.
O material veio à tona na quarta-feira (4), e o g1 teve acesso. São conversas de Vorcaro com a namorada, a modelo Martha Graeff, em que o dono do Banco Master descreve a rotina e menciona diálogos, reuniões, eventos e viagens com autoridades, políticos e personalidades. O período das mensagens vai de fevereiro de 2024 a agosto de 2025.
O conteúdo foi obtido a partir da quebra do sigilo telemático do empresário, autorizada pela Justiça, e inclui também anotações dele. A CPMI do INSS pediu acesso aos dados porque investiga se contratos de crédito consignado foram usados em fraudes do Banco Master.
Esse material não é mencionado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na decisão em que decretou a nova prisão de Vorcaro, investigado por fraudes contra o sistema financeiro, corrupção e lavagem de dinheiro. A terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal também na quarta, revelou a atuação de Vorcaro e pessoas próximas para intimidar e ameaçar autoridades, adversários e jornalistas, e obter informações sigilosas com a invasão de sistemas da PF, do Ministério Público e de órgãos internacionais como a Interpol. Segundo Mendonça, responsável no STF pela condução do caso Master, a liberdade do banqueiro representava risco para a ordem pública e o andamento das investigações.
Fotos
Fotos mostram Daniel Vorcaro após dar entrada no sistema prisional. Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro manifestou surpresa e indignação com a divulgação de fotos dele dentro da unidade prisional.
Nas palavras dos advogados, parece não haver limites para o vazamento de informações com o objetivo de expor, desgastar e humilhar o cliente.
A nota também diz que será requerida, mais uma vez, a instauração de inquérito para apurar a divulgação de informações sigilosas, na esperança de que os responsáveis por tamanha arbitrariedade sejam responsabilizados.
A defesa afirma também acreditar no Estado Democrático de Direito e no respeito à mínima integridade daqueles que estão submetidos à sua custódia.
Fonte: G1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 09/03/2026/07:57:07
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