As buscas pelas vítimas do naufrágio de uma embarcação de transporte de passageiros, ocorrido na última sexta-feira (13/2), em Manaus (AM), já percorreu mais de 10km. Segundo informações do Corpo de Bombeiros, divulgadas nesta segunda-feira (16/2), essa é uma das “operações mais complexas” realizada pela corporação.
A embarcação saiu de Manaus (AM) por volta das 12h30 e seguia para Nova Olinda do Norte (AM). Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBAM), 80 pessoas estavam na embarcação no momento do naufrágio. Do total, 71 foram resgatadas sem ferimentos graves, setes estão desaparecidos, e duas pessoas morreram.
Os bombeiros atribuem o Encontro das Águas, que é a junção dos rios Negro e Solimões, como uma das maiores dificuldades para o resgates dos que ainda estão desaparecidos.
“Fatores hidrodinâmicos do Encontro das Águas interferem muito nas operações de busca. Nós temos mudanças de direcionamento das correntes de arrasto, principalmente do Rio Solimões, que tem uma correnteza mais forte. Nós temos diferença de densidade de temperatura no Encontro das Águas. A profundidade é muito grande também. Isso é um complicador para as operações”, afirmou o coronel Muniz, do CBAM.
O coronel informou ainda que o Grupamento de Bombeiros Marítimo (CBMar) de São Paulo enviou reforços para ajudar nas buscas. A equipe é composta por seis bombeiros militares, incluindo um capitão.
Muniz afirmou ainda que, após 48 horas, cresce a probabilidade de que os corpos venham a emergir, caso as vítimas tenham se afogado. Segundo ele, essa possibilidade é considerada concreta pelas autoridades, o que motivará o reforço das equipes dedicadas às buscas na superfície.
Embora a lista com o nome dos passageiros que estavam a bordo da lancha tenha sido divulgada, os bombeiros afirmam que não é possível tê-la como oficial.
“Agora, uma lista oficial é prudente a gente não carimbar . Há especulações. Nós temos nomes reclamados pelos parentes, mas não divulgamos ainda de forma oficial como sendo as pessoas que estão desaparecidas”, relatou o coronel Muniz.
Causas do naufrágio ainda não foram divulgadas oficialmente
Após o acidente, outras embarcações que navegavam pelo local ajudaram a resgatar as vítimas. No entanto, uma operação foi montada para a conclusão do trabalho.
Conforme as autoridades, 25 bombeiros participaram da ação, com três lanchas e outras viaturas da corporação. Além disso, foi usada uma lancha da Polícia Militar, uma ambulância do SAMU, além do apoio da Marinha, incluindo uma aeronave de busca.
Circula nas redes sociais um vídeo em que uma passageira relata ter alertado o condutor da embarcação para diminuir a velocidade devido ao banzeiro (ondas turbulentas características da região). No registro, gravado enquanto ela estava à deriva, a mulher afirma: “Falei para ir devagar”.
A empresa responsável pela embarcação, Lima de Abreu Navegações, lamentou o ocorrido, afirmou que o barco estava regularizado e com os documentos em dia e que coopera com as investigações.
Empresa responsável: “Embarcação é regular”
A empresa responsável pela embarcação, identificada como lancha Lima de Abreu XV, se manifestou sobre o ocorrido. Em nota, a Lima de Abreu e Navegações informou que a embarcação estava regular, com documentação válida e inspeções atualizadas, operando conforme as normas da navegação.
“Desde o primeiro momento, foram adotadas todas as providências emergenciais cabíveis. A prioridade absoluta da empresa tem sido prestar integral assistência às vítimas e aos seus familiares, oferecendo todo o suporte necessário neste momento de imensa dor. Permanecemos à disposição das autoridades para todos os esclarecimentos necessários, aguardando a conclusão das investigações técnicas. Neste momento, nos solidarizamos com as famílias e amigos das vítimas”, disse a Lima de Abreu e Navegações.
Comandante da lancha foi preso, mas solto após pagar fiança
O comandante da lancha, identificado como Pedro José da Silva Gama, de 42 anos, foi detido no início da noite de sexta-feira (13/2) no Porto da capital, e responderá pelo crime de homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Levado à Delegacia Especializada em Homicídio e Sequestros (DEHS), ele foi solto após pagar fiança.
No entanto, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) decretou, no sábado (14/2), a prisão preventiva do piloto.
“(a) Magistrado(a) subscritor do presente Mandado de Prisão determina ao oficial de justiça ou a qualquerautoridade policial competente que prenda e recolha, em unidade prisional, à disposição do juízo expedidor, a pessoa acima indicada”, diz trecho da ordem judicial.
Fonte: Metropóles e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 16/02/2026/17:47:09
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