
Corumbá é a principal rota para um tipo específico de tráfico em Mato Grosso do Sul: o envio internacional de cocaína por meio de “mulas humanas”. Segundo a Polícia Federal (PF) e a Receita Federal, o esquema recruta pessoas em situação de vulnerabilidade no país vizinho para trazer a droga ao Brasil. O principal destino é a cidade de São Paulo.
Entre 8 e 10 ônibus cruzam diariamente a fronteira entre Bolívia e Brasil, em Corumbá. Segundo estimativas da Receita Federal, em cada veículo pode haver até 8 pessoas com cápsulas de cocaína dentro do corpo.
O esquema começa na Bolívia. Segundo o delegado da Polícia Federal Estevão Baesso de Oliveira, os chamados “coiotes” escolhem as “mulas”, oferecem dinheiro, preparam a droga para ingestão e orientam sobre o trajeto. A viagem é feita de ônibus, vans ou carros até o Brasil.
O método, conhecido como transporte por ingestão, transforma o corpo humano em “contêiner” para driblar fiscalização na fronteira. Conforme especialistas das áreas de segurança e saúde ouvidos pelo g1, a prática integra uma engrenagem com alto volume diário de droga e impõe risco severo a quem engole as cápsulas, já que pode levar a morte imediata.
Há duas formas mais comuns desse transporte. O body stuffer é quem engole pequena quantidade de droga de forma improvisada, geralmente para tentar escapar do flagrante. Já o body packer, conhecido como “mula”, leva grandes quantidades em cápsulas fechadas e ingeridas de forma planejada, muitas vezes em viagens internacionais.
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