ECONOMIAGERALPARÁ

Pará perde R$ 462,9 milhões de investimentos em energia solar em um ano

Compartilhe
image_pdfDOWNLOAD EM PDFimage_printIMPRIMIR PUBLICAÇÃO

A Região Norte enfrentou uma redução de aproximadamente meio bilhão de reais em investimentos em energia solar. A capacidade instalada caiu de 917,6 megawatts (MW) para 871,1 MW em 2025, refletindo a desaceleração do setor na região.

O estado do Pará registrou uma queda de 35,6% nos investimentos em energia solar entre 2024 e 2025, totalizando uma perda de R$ 462,9 milhões. Os aportes recuaram de R$ 1,3 bilhão para R$ 837,1 milhões no período. A capacidade adicionada no ano também apresentou retração, passando de 415,1 MW para 298,9 MW.

O desempenho negativo no estado acompanha uma tendência nacional. No Brasil, os investimentos no setor solar fotovoltaico caíram 40%, evidenciando uma desaceleração significativa no ritmo de crescimento da fonte.

Queda também atinge a Região Norte e o mercado nacional

A Região Norte como um todo sofreu uma perda expressiva, com os investimentos em energia solar diminuindo em cerca de R$ 500 milhões — de R$ 2,9 bilhões em 2024 para R$ 2,4 bilhões em 2025.

Em âmbito nacional, o mercado solar registrou uma queda de R$ 22 bilhões em novos investimentos, passando de R$ 54,9 bilhões para R$ 32,9 bilhões. Os dados são da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) e reforçam o cenário de desaceleração do setor em todo o país.

Segundo a entidade, o mercado nacional apresentou retração de 29% na potência adicionada em 2025, considerando tanto grandes usinas quanto pequenos sistemas instalados em telhados e terrenos. Foram adicionados 10,6 gigawatts (GW) no ano, ante os 15 GW registrados em 2024.

Retração não compromete protagonismo da energia solar, avalia Absolar

Apesar da forte queda nos investimentos e na potência instalada em 2025, a energia solar segue como um dos pilares da matriz elétrica brasileira. De acordo com Daniel Sobrinho, coordenador estadual da Absolar no Pará, os números refletem mais entraves estruturais e regulatórios do que perda de competitividade da fonte.

“Atualmente, a capacidade instalada da fonte solar representa 24,5% da potência da matriz elétrica nacional, posicionando a solar como a segunda maior fonte do país. Além disso, é uma das mais competitivas e atrativas para a sociedade, pois alivia o orçamento das famílias e reduz gastos de empresas, do setor rural e da administração pública”, afirma.

Cortes de geração e entraves de conexão explicam desaceleração

Segundo a Absolar, a retração registrada em 2025 está diretamente relacionada aos prejuízos causados pelos cortes recorrentes de geração, especialmente nas grandes usinas solares, sem o devido ressarcimento financeiro.

“A retração do mercado em 2025 está ligada aos prejuízos financeiros impostos aos grandes geradores, resultado da falta de ressarcimento pelos cortes de geração sofridos”, explica Sobrinho.

No segmento de pequenos e médios sistemas, como os instalados em telhados e pequenos terrenos, a principal dificuldade tem sido a conexão à rede elétrica.

“Os obstáculos de conexão, sob a alegação de incapacidade das redes e inversão de fluxo de potência, são hoje a principal causa da desaceleração dos projetos de geração própria solar no país”, destaca.

De acordo com o coordenador, esse cenário tem provocado uma onda de negativas a consumidores interessados em produzir a própria energia limpa. No Pará, contudo, há uma ressalva.

“Aqui no nosso estado, a concessionária de energia tem sido bem coerente nesse assunto”, pontua.

Cenário macroeconômico agravou queda nos investimentos

Além dos desafios operacionais, fatores macroeconômicos contribuíram para a retração do setor solar em 2025. Entre eles estão o alto custo do crédito, a volatilidade cambial e a carga tributária sobre equipamentos importados.

“O mercado enfrentou um cenário macroeconômico desfavorável, com alto custo de capital, volatilidade do dólar e alíquotas elevadas no imposto de importação de equipamentos fotovoltaicos, impactando diretamente a decisão de novos investimentos”, afirma Sobrinho.

Prejuízos bilionários com curtailment afetam investidores

A Absolar estima que os impactos financeiros causados pelos cortes de geração já ultrapassam R$ 2 bilhões somente em 2025. Segundo levantamento da consultoria Volt Robotics, apenas uma pequena parcela dessas perdas foi passível de ressarcimento.

“Apenas cerca de 5,7% dos valores foram elegíveis a ressarcimento, o que gera prejuízos expressivos e afeta diretamente a confiança dos investidores em geração renovável”, ressalta.

O problema, segundo a entidade, está relacionado à falta de infraestrutura adequada no Sistema Interligado Nacional (SIN).

“O curtailment ocorre, em grande medida, por desafios no planejamento, implantação e operação dos ativos de transmissão e subestações. Mais de 20,6% da energia solar e eólica gerada em 2025 foi cortada”, afirma Sobrinho.

Armazenamento e segurança jurídica são caminhos para retomada

Para destravar o crescimento do setor, a Absolar defende medidas estruturantes a partir de 2026, com foco no ressarcimento das perdas e na modernização do sistema elétrico.

“A retomada da segurança jurídica para as grandes usinas é central para a volta dos projetos de geração centralizada”, afirma Sobrinho.

A entidade também aposta no avanço do armazenamento de energia como solução estratégica.

“A combinação da geração solar com sistemas de armazenamento em baterias representa uma grande oportunidade para ampliar o suprimento, aumentar a segurança do sistema e contribuir para o desenvolvimento do Brasil”, conclui.

Apesar do momento de retração, a avaliação da Absolar é de que a energia solar segue como uma tendência global irreversível e um elemento-chave para a transição energética e a descarbonização da economia.

Equatorial Pará explica critérios para novos sistemas

A Equatorial Pará informou que a análise de conexão de novos sistemas de geração solar distribuída no estado segue critérios técnicos definidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), com foco na segurança, estabilidade e qualidade do fornecimento de energia.

Segundo a distribuidora, cada pedido é avaliado com base no impacto que a nova geração pode causar na infraestrutura existente, considerando transformadores, cabos e níveis de tensão da rede elétrica.

Em relação às negativas por “inversão de fluxo” — quando o sistema fotovoltaico gera mais energia do que consome localmente — ou “incapacidade da rede”, a empresa esclarece que não há reprovação automática. Quando identificada a possibilidade de inversão, é emitido um parecer técnico com alternativas de atendimento, cabendo ao cliente escolher a opção mais adequada.

A Equatorial acrescenta que, quando os estudos apontam a necessidade de reforços na rede, são indicadas obras ou ajustes para viabilizar a conexão, sem prejudicar o fornecimento aos demais consumidores. As análises são feitas individualmente, conforme as características de cada pedido.

Economista aponta gargalos estruturais e mudança no perfil de investimentos

O economista Nélio Bordalo, conselheiro do Corecon/PA-AP, avalia que a queda nos investimentos em energia solar no Pará entre 2024 e 2025 resulta de um conjunto de fatores regionais e nacionais.

Segundo ele, limitações na infraestrutura de transmissão e integração ao Sistema Interligado Nacional (SIN) dificultam a conexão de novos projetos, provocam cortes de geração e reduzem a atratividade dos empreendimentos, afetando tanto grandes usinas quanto a geração distribuída.

Bordalo destaca ainda o aumento da capacidade ociosa, a morosidade dos processos de licenciamento ambiental e de regularização fundiária na Amazônia, além do cenário macroeconômico adverso, marcado por volatilidade cambial, alto custo de capital e elevação dos custos de importação.

Para o economista, o setor passa por uma mudança estrutural, com maior participação da geração distribuída e menor volume de novos projetos centralizados. Ele defende investimentos em transmissão, regras claras de compensação por cortes de geração, linhas de crédito específicas, estímulo à cadeia produtiva local e simplificação dos processos regulatórios.

“Processos mais ágeis e previsíveis, sem abrir mão das boas práticas socioambientais, são decisivos para devolver segurança jurídica e recolocar o Pará na rota dos grandes projetos de energia solar”, conclui.

Fonte: O Liberal e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 26/01/2026/07:24:34

O formato de distribuição de notícias do Jornal Folha do Progresso pelo celular mudou. A partir de agora, as notícias chegarão diretamente pelo formato Comunidades, ou pelo canal uma das inovações lançadas pelo WhatsApp. Não é preciso ser assinante para receber o serviço. Assim, o internauta pode ter, na palma da mão, matérias verificadas e com credibilidade. Para passar a receber as notícias do Jornal Folha do Progresso, clique nos links abaixo siga nossas redes sociais:

Apenas os administradores do grupo poderão mandar mensagens e saber quem são os integrantes da comunidade. Dessa forma, evitamos qualquer tipo de interação indevida. Sugestão de pauta enviar no e-mail:folhadoprogresso.jornal@gmail.com.

Envie vídeos, fotos e sugestões de pauta para a redação do JFP (JORNAL FOLHA DO PROGRESSO) Telefones: WhatsApp (93) 98404 6835– (93) 98117 7649.
“Informação publicada é informação pública. Porém, para chegar até você, um grupo de pessoas trabalhou para isso. Seja ético. Copiou? Informe a fonte.”
Publicado por Jornal Folha do Progresso, Fone para contato 93 981177649 (Tim) WhatsApp:-93- 984046835 (Claro) -Site: www.folhadoprogresso.com.br   e-mail:folhadoprogresso.jornal@gmail.com/ou e-mail: adeciopiran.blog@gmail.com

Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Por favor, desative o bloqueador de pop-up para abrir o complemento.