Votos do PT possuem peso para decidir eleição para governador do Pará

MARABÁ (PA) – As articulações para a formação da chapa que disputará o Governo do Pará nas eleições de 2026 entram em uma fase decisiva. Entre os fatores que tendem a influenciar as negociações está o peso eleitoral e político do Partido dos Trabalhadores (PT), legenda que, historicamente, mantém uma base consolidada de eleitores no estado e integra a principal aliança do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ao longo das últimas eleições estaduais, o PT tem registrado aproximadamente 20% dos votos no Pará, um percentual considerado suficiente para influenciar o resultado de qualquer disputa ao Palácio dos Despachos. Embora esse eleitorado não seja, por si só, suficiente para garantir uma vitória, ele representa um contingente estratégico em um cenário de segundo turno ou de uma disputa acirrada que se surge no fronte.
O desempenho da legenda nas eleições presidenciais reforça essa análise. O PT venceu os cinco últimos pleitos presidenciais no Pará, incluindo a eleição de 2018, quando Fernando Haddad, então menos conhecido do eleitorado paraense, superou seus adversários. Esse histórico demonstra que a identificação de uma parcela significativa do eleitorado paraense com o projeto político petista permanece consistente.
Além da força eleitoral, o partido possui representatividade institucional. A Federação “Brasil da Esperança”, liderada pelo PT, conta atualmente com seis deputados estaduais na Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), dois deputados federais e um senador da República, além de comandar o Governo Federal.
Além disso, outro aspecto observado por analistas políticos é a forte presença do presidente Lula no Pará. Além de liderar pesquisas de intenção de voto no estado, o atual presidente da República tem ampliado investimentos federais em infraestrutura, habitação, saúde, educação, logística e desenvolvimento regional, fortalecendo a parceria institucional entre Brasília e o governo paraense.
Dirceu Ten Caten no centro das negociações
Nesse contexto, o deputado estadual Dirceu Ten Caten (PT) ganhou protagonismo após ser escolhido pela maioria absoluta dos filiados do partido como o nome defendido pela legenda para ocupar a vaga de vice-governador na chapa da governadora Hana Ghassan (MDB).
A escolha interna representa mais do que uma preferência partidária. Para dirigentes petistas, trata-se do reconhecimento de uma aliança construída ao longo de vários anos entre o PT, o presidente Lula, o ex-governador Helder Barbalho (MDB) e a atual governadora Hana Ghassan.
A avaliação predominante dentro do partido é que o apoio político oferecido ao MDB desde o primeiros mandato de Helder Barbalho foi decisivo para a consolidação da atual base governista, tanto na Assembleia Legislativa quanto no Congresso Nacional e junto ao presidente Lula.
Cenário em caso de negativa
Nos bastidores, cresce a avaliação de que a decisão sobre a vaga de vice poderá redefinir os rumos do PT na eleição estadual, pois caso Dirceu não seja escolhido para compor a chapa majoritária, o que eu acho pouco provável, setores do PT defendem que a legenda precisa redefinir como atuará no pleito que ocorrerá no dia 4 de outubro de 2026. Nesse cenário, ganha força a possibilidade de o partido adotar uma posição que ainda não foi discutida com a militância, onde os rumos da agremiação partidária são decididos no voto.
Aliança exige reciprocidade
A bancada do PT na Assembleia Legislativa, no Congresso Nacional e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sempre estiveram entre os principais aliados políticos de Helder Barbalho e Hana Ghassan. Sob a ótica de dirigentes petistas, alianças políticas duradouras também pressupõem reciprocidade. É nesse contexto que cresce a expectativa de que o partido seja contemplado com a indicação de Dirceu para a vice-governadoria.
Como não existe “almoço de graça” na política, integrantes da legenda entendem que chegou o momento de o PT ocupar um espaço proporcional ao seu peso eleitoral, parlamentar e institucional dentro da aliança governista no Pará. Caso Helder e Hana optem por outro nome para a composição da chapa, lideranças petistas avaliam que o ambiente político poderá sofrer um desgaste significativo junto a base petista. Como diz o jargão popular: “o caldo pode entornar”.
Uma decisão com reflexos para 2026
A definição da chapa governista tende a extrapolar a simples escolha de um candidato a vice-governador. Ela poderá indicar o grau de coesão da base aliada, a capacidade de articulação entre MDB e PT e o nível de comprometimento das duas legendas com a continuidade da parceria construída nos últimos anos no Pará.
Diante desse cenário, a decisão sobre a participação do PT na chapa majoritária deverá ser um dos capítulos mais relevantes da sucessão estadual de 2026. Tudo indica que os próximos dias serão determinantes para saber se a aliança permanecerá unificada ou se novos cenários eleitorais passarão a ser considerados.
“Fatos” não podem ser confundidos com “pressão”
Com todo respeito aos protestantes, porém não existe igreja evangélica que dê 20% dos votos do Pará a Hana para ter preferência na indicação do vice na chapa nem os eleitores conservadores são tantos assim porque o PT sempre venceu as eleições para presidente do Brasil no Pará, logo a maior parte dos votos oriundos da direita paraense costuma ser circunstancial e volúvel.
Essa postura posicional do PT não poderá ser confundida com pressão, mas sim com um pragmatismo de quem sempre foi leal a Helder Barbalho e Hana Ghassan, ao longo dos anos, todavia como nas articulações políticas “boi costuma voar”, vamos aguardar o “andar da carruagem”, porque “muita água ainda vai passar embaixo dessa ponte”. (Pedro Souza)
Fonte: Pedro Souza/Portal Debate e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 15/07/2026/15:49:43
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