Vitrine das cobras gigantes: como MS virou refúgio das sucuris e ajuda a derrubar mitos sobre espécie

Segundo especialistas, a imagem negativa das sucuris foi construída ao longo dos anos pelo tamanho da serpente e pelo medo historicamente associado às cobras. Filmes, histórias exageradas e vídeos falsos nas redes sociais também ajudaram a reforçar essa percepção. Contudo, biólogos afirmam que a espécie tem comportamento tranquilo, evita humanos e raramente representa risco.

Das quatro espécies de sucuri existentes no mundo, três vivem no Brasil. Mato Grosso do Sul abriga duas delas: a sucuri-verde (Eunectes murinus), considerada a maior e mais pesada serpente do mundo, podendo pesar até 200 kg e chegar a 7 metros de comprimento; e a sucuri-amarela (Eunectes notaeus), comum no Pantanal, cuja fêmea pode chegar a 4 metros.

Em rios como o Rio Sucuri, em Bonito, a transparência da água permite que turistas observem peixes, plantas e até grandes serpentes a poucos metros de distância durante atividades de flutuação e contemplação. A combinação entre rios cristalinos, turismo de natureza e áreas preservadas ajuda a explicar a frequência de encontros com sucuris no estado.

Guias locais relatam que muitos visitantes chegam com medo, mas se surpreendem ao perceber o comportamento calmo dos animais. Em muitos casos, as sucuris permanecem imóveis ou apenas nadam lentamente, sem qualquer interação com humanos.

Flagrantes recentes chamam atenção

Registros publicados nas redes sociais por guias e turistas em diferentes pontos de Mato Grosso do Sul mostram sucuris em situações variadas.

“Eu até brinquei que a possibilidade existia, já que estávamos entrando no habitat delas. E não é que tivemos essa sorte?”, contou.

“Por ser um animal inofensivo, a gente consegue fazer uma aproximação, mas mantendo uma distância segura e sempre respeitando o espaço do animal”, afirmou.

“Foi legal, vemos direto. Mas agora não é a época delas, normalmente fazem isso no frio. Ela é muito bonita, a natureza é linda demais”, disse.

Outros vídeos recentes mostram sucuris em diferentes situações, como se alimentando às margens de rios em Deodápolis e tomando sol em galhos no Rio Miranda. Os registros foram feitos por guias e turistas em áreas naturais do estado durante atividades de ecoturismo.

Os registros recentes ajudam especialistas a explicar por que o comportamento atribuído às sucuris na internet e no imaginário popular nem sempre corresponde à realidade observada na natureza.

Apesar da convivência considerada tranquila em áreas turísticas, vídeos produzidos com inteligência artificial têm viralizado ao mostrar ataques irreais de “sucuris gigantes” contra pessoas.

As imagens acumulam milhões de visualizações e reforçam a ideia de que as serpentes são agressivas, apontam biólogos.

Dois vídeos analisados pelo g1 mostram situações fictícias e com legendas sugestivas, como “veja sucuri atacando turista” e “susto na floresta”.

Em um deles, um homem aparece sendo enrolado por uma serpente gigante às margens de um lago. Ele tenta se soltar enquanto o animal se enrola em seu corpo. O vídeo já ultrapassa 5 milhões de visualizações.

Em outro, uma mulher é atacada por uma cobra em um ambiente semelhante a um zoológico. A serpente morde a perna da jovem e se enrola rapidamente ao redor dela. O conteúdo já foi visto por cerca de 3 milhões de pessoas.

As imagens foram submetidas à plataforma Hive Moderation, que detecta conteúdos produzidos com inteligência artificial. O resultado apontou alto índice de geração por IA, ou seja, 100%.

Especialistas afirmam que esses conteúdos ainda confundem diferentes espécies e criam uma percepção distorcida da fauna brasileira.

“A gente vê vídeos que nem são de sucuris. Muitas vezes são pítons, que nem existem no Brasil”, explica a bióloga, pesquisiadora e médica veterinária Paula Helena Santa Rita.

Segundo o biólogo Henrique Abrahão Charles, o comportamento das serpentes na natureza é diferente do mostrado nos conteúdos virais.

“O comportamento de uma sucuri na natureza é bem tranquilo. Ela é calma e costuma ficar no próprio local, geralmente escondida em uma toca ou debaixo d’água.”

Henrique também reforça que não há registros oficiais de ataques fatais de sucuris a seres humanos.

“É importante lembrar que não existe nenhum registro oficial de sucuri que tenha atacado e devorado um ser humano.”

Diferentemente das serpentes peçonhentas, as sucuris não entram como categoria específica nos sistemas nacionais de vigilância epidemiológica, o que dificulta a consolidação de números oficiais sobre ataques envolvendo a espécie.

Os especialistas explicam que ataques podem acontecer, mas são considerados raros. As sucuris usam o bote para segurar as presas e, em seguida, realizam a constrição, enrolando o corpo no animal. Entre as presas naturais da espécie estão capivaras, jacarés, aves e roedores.

Além disso, eles alertam que o problema dos vídeos vai além da desinformação, podendo influenciar diretamente na forma como as pessoas enxergam os animais.

“Qualquer vídeo mostrando ataque já gera medo. E, no caso das cobras, esse medo é ainda maior”, afirma Paula Helena.

Na visão dela, esse tipo de conteúdo pode prejudicar a conservação das serpentes. “Isso pode fazer com que a pessoa mate o animal simplesmente porque ele apareceu.”

Símbolo da biodiversidade local

Excelentes nadadoras, as sucuris passam grande parte do tempo debaixo d’água e podem demorar semanas para digerir as presas. Em todas as espécies, as fêmeas são significativamente maiores que os machos.

Na natureza, evitam contato com humanos e preferem fugir quando se sentem ameaçadas. Em Mato Grosso do Sul, especialmente no Pantanal e em Bonito, elas fazem parte da paisagem natural e se consolidaram como um dos símbolos da biodiversidade brasileira.

A presença das sucuris em diferentes cenários sul-mato-grossenses também inclui casos incomuns, como o da chamada “Sucuri do buraco”, em Jardim. A serpente vive no Buraco das Araras, formação rochosa milenar localizada em uma grande dolina natural da região, que abriga também centenas de araras-vermelhas.

A chegada da serpente à dolina é um mistério. Alguns guias do local acreditam que a cobra possa ter sido arrastada por uma enxurrada durante uma forte chuva e acabou ficando presa na cratera, que tem 100 metros de profundidade e 500 metros de circunferência.

Fonte: G1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 16/05/2026/13:10:20

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