Virginia Fonseca entra na mira da PF após movimentações milionárias

A influenciadora Virginia Fonseca passou a ser alvo de investigação da Polícia Federal após relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontarem movimentações financeiras consideradas atípicas em contas vinculadas à empresária e a empresas ligadas ao seu grupo. A apuração analisa a legalidade das operações, a origem dos recursos e possíveis indícios de crimes financeiros, fiscais e lavagem de dinheiro.

Os documentos entraram no radar durante a CPI das Bets, no Senado, e também foram analisados pela revista Piauí. O caso jogou o foco para a atuação de influenciadores na divulgação de apostas online, setor bilionário que enfrenta pressão política e regulatória no Brasil.

Virginia compareceu à comissão em maio do ano passado acompanhada do cantor Zé Felipe, então marido, e do advogado criminalista Michel Saliba. Na ocasião, ela chegou ao Senado respaldada por um habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que assegurava o direito de permanecer em silêncio diante de perguntas que pudessem gerar autoincriminação.

A convocação ocorreu pouco antes de a revista Piauí divulgar detalhes do contrato da influenciadora com a Esportes da Sorte. O documento previa o chamado “cachê da desgraça alheia”, mecanismo que, segundo a publicação, permitiria remuneração vinculada às perdas registradas por apostadores.

Durante o depoimento, Virginia negou ter lucrado sobre prejuízos de seguidores. “Nunca recebi 1 real a mais do que o contrato de publicidade que fiz por dezoito meses”, afirmou. “Era um valor fixo. Se eu dobrasse o lucro, eu receberia 30% a mais da empresa, mas isso não chegou a acontecer”, relatou.

Empresas de Virginia Fonseca sob investigação

Um dos Relatórios de Inteligência Financeira do Coaf menciona a Talismã Digital, empresa ligada a Virginia e Zé Felipe voltada para mídias digitais. Entre março e setembro de 2024, a companhia recebeu R$ 22,4 milhões. Desse total, R$ 21,4 milhões entraram por Pix e R$ 1 milhão por TED.

O principal remetente foi a AMP Pay Marketing e Negócios, responsável por R$ 17,7 milhões em cinco transferências via Pix. O Santander comunicou o Coaf porque a empresa aparece registrada no Simples Nacional, regime destinado a negócios com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões. O banco também apontou que a companhia aparentava não ter capacidade financeira compatível com o montante movimentado e funcionaria em um box comercial em Itajaí, Santa Catarina.

Outro relatório trata da Wpink Suplementos Nutricionais. Entre 2 de janeiro e 13 de março de 2025, a empresa registrou R$ 43,6 milhões em créditos e R$ 43,5 milhões em débitos. O Mercado Pago alertou o Coaf ao considerar que o volume financeiro não correspondia ao faturamento mensal documentado.

Já o Itaú apontou movimentações da Savi Cosméticos S.A., razão social da Wepink. Foram 190 transações, entre novembro de 2023 e maio de 2024, que somaram R$ 502 mil por meio de depósitos realizados em caixas eletrônicos. Para os sistemas de monitoramento financeiro, o fracionamento de depósitos pode gerar alerta sobre a origem dos recursos e exigir análise mais detalhada.

Defesas contestam irregularidades

As defesas das empresas contestam qualquer irregularidade. À Piauí, o advogado Felipe dos Santos de Paula afirmou que os R$ 17,7 milhões enviados pela AMP Pay à Talismã Digital correspondem a campanhas publicitárias regularmente contratadas. Segundo ele, todas as operações foram declaradas aos órgãos fiscais competentes e acompanhadas das respectivas notas fiscais.

Sobre a Wepink, o advogado Dalmo Jacob do Amaral Jr. afirmou que a empresa utiliza, de forma esporádica, o mecanismo de antecipação de recebíveis de cartão de crédito, prática considerada lícita e comum no mercado. Em relação aos depósitos fracionados, ele declarou que os valores correspondem às receitas de vendas realizadas em quiosques próprios da marca.

Fonte: Diário do Pará e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 03/06/2026/09:51:08

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