Vida e morte no Xingu: formigas tomam conta das ilhas onde a água não chega mais

O fenômeno é resultado direto da redução do volume de água no trecho do rio após a construção da usina de Belo Monte. Mais de 100 quilômetros do Xingu perderam até 80% da vazão original, alterando o ciclo de cheias e vazantes que sustentava a biodiversidade local.

“Isso não acaba nunca. Tem 400 metros que a gente está caminhando aqui dentro da ilha e sempre acompanhando essas chaminés de formigueiro”, diz a repórter Sônia Bridi, durante visita ao local.

Fabrício Baccaro, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, explica que essa explosão de formigas está ligada ao desaparecimento do ciclo natural do rio.

“Ela fundava a colônia no Igapó vinha a cheia sequente afogava ela controlando a distribuição desses formigueiros, esse ciclo anual de cheia e de vazante, que mantinha essas florestas alagáveis. Esse ciclo praticamente não existe mais”, destaca.

Nesse ambiente agora árido, frutos caem no chão seco e deixam de cumprir o papel de alimentar as espécies aquáticas. Em vez disso, viram alimento para as formigas cortadeiras, que encontram condições ideais para se multiplicar.

“Antes da barragem, a gente não via esse problema e agora a gente passou a ver”, afirma o pesquisador do INPA.

Seca e deformações

O impacto vai além das formigas. A falta de inundação impede a reprodução de peixes. Em monitoramentos recentes, pesquisadores registraram ovos depositados em locais que permaneceram secos — com filhotes prontos para nascer, mas sem água suficiente para sobreviver.

Para os ribeirinhos, as mudanças significam perda direta de sustento. A pesca, que antes garantia alimento e renda, já não é a mesma. Em algumas áreas, moradores afirmam que “não tem peixe”, enquanto outros relatam alterações físicas nos animais, como deformações na coluna.

Impactos no cotidiano dos moradores

O isolamento hídrico também comprometeu o abastecimento básico de água. O ribeirinho Paulo Sérgio relata que os poços cavados em sua propriedade secaram após a construção da usina. Ele precisou mudar sua residência para a margem do rio, mas a qualidade da água inviabiliza o consumo diário.

“Quando eles fizeram a barragem, a água acabou. E aí eu tive que ir lá para o rio. Ali só tinha jacaré onde eu estou com a casa agora ali. Quando eu chego lá no rio, a água não presta pra nós beber. Nem pra nós banhar. Não tem outra não, porque do rio dá coceira”, afirma o pescador Paulo Sérgio, que hoje depende de galões de água potável fornecidos emergencialmente pela Norte Energia, concessionária da usina. Ele conta que as tentativas da empresa de instalar um poço artesiano e uma bomba de filtragem no local não funcionaram.

Impasse legal e novo projeto de mineração

O debate atual gira em torno do hidrograma da usina, o plano que define o volume de água que pode ser retirado do leito original do rio.

A licença de operação de Belo Monte está vencida, e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) cobrou um novo cronograma de vazão da Norte Energia.

Segundo o órgão ambiental, os prazos para a entrega da proposta venceram entre janeiro e abril deste ano sem que a concessionária apresentasse o documento. O Ibama avalia a renovação da licença e estuda exigir novas medidas de mitigação.

Manifestações das empresas e do governo

A Norte Energia informou, por nota, que respondeu aos questionamentos do Ibama dentro do prazo e que cumpre a legislação vigente. A empresa alega que os dados coletados por sua própria equipe técnica ao longo de 14 anos comprovam a sustentabilidade do sistema atual e pede que esses resultados sejam validados pelo órgão ambiental. A concessionária defende ainda que qualquer alteração no volume de água desviado exige uma discussão ampla, considerando os impactos socioambientais e a segurança energética do país.

O Ministério de Minas e Energia apoia a manutenção operacional da hidrelétrica, tendo proposto uma resolução no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que reconhece o papel estratégico da usina. Segundo dados do ministério, Belo Monte atende cerca de 20 milhões de residências, suprindo até 10% da demanda elétrica do país em períodos de crise e garantindo a estabilidade do sistema nacional quando há queda na geração de energia solar e eólica.

A mineradora Belo Sun declarou, em nota, que cumpre todos os trâmites legais para a instalação do projeto de mineração, que passará por auditorias externas e que adota as normas internacionais recomendadas para o manejo seguro de cianeto.

Fonte: g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 19/05/2026/10:30:21

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