Três navios são atacados no Estreito de Ormuz; Irã diz ter disparado um projétil

A agência de notícias francesa AFP afirmou que uma quarta embarcação também foi alvejada ao navegar na região, mas não havia detalhes sobre o navio até a última atualização desta reportagem.
👉 O Estreito de Ormuz é uma das principais vias marítimas de passagem de navios transportando petróleo no mundo, e a crise gerou uma alta no preço da commodity, além de temores de escassez de combustíveis.
Um porta-contêineres e dois cargueiros foram atingidos por “projéteis desconhecidos”, informou a agência marítima britânica UKMTO, que registrou 14 incidentes contra navios desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, no Estreito de Ormuz.
Veja, abaixo, as embarcações atingidas:
- Um graneleiro com bandeira da Tailândia também foi atacado “quando transitava pelo Estreito de Ormuz”, informou a Marinha tailandesa. Vinte tripulantes da embarcação foram resgatados, mas três ainda estavam desaparecidos até a última atualização desta reportagem, segundo o Ministério de Transportes da Tailândia;
- Mais cedo, o navio porta-contêineres One Majesty, de bandeira japonesa, sofreu danos leves causados por um projétil desconhecido a 46 km a noroeste de Ras Al Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos, disseram duas fontes de segurança marítima à agência de notícias Reuters. A proprietária do navio, a Mitsui O.S.K., disse que todos os tripulantes estão a salvo;
- Um terceiro navio, outro graneleiro com bandeira das Ilhas Marshall, também foi atingido por um projétil desconhecido a aproximadamente 80 quilômetros a noroeste de Dubai. O projétil danificou o casco do Star Gwyneth, nome da embarcação atacada, informou a empresa de gestão de riscos marítimos Vanguard. A empresa disse ainda que a tripulação está a salvo;
- A agência de notícias francesa AFP afirmou que uma quarta embarcação foi atingida, mas ainda não havia informações sobre a origem do navio e danos até a última atualização desta reportagem. Em comunicado, a Guarda Revolucionária do Irã disse ter disparado também em direção à embarcação Express Rome, de bandeira da Libéria. O site de monitoramento de tráfico marinho Marine Traffic afirma que o navio de fato navegava pelo Golfo Pérsico nesta manhã, mas a proprietária ainda não havia se pronunciado até a última atualização desta reportagem.
O Estreito de Ormuz é uma via de tráfego crucial para o comércio mundial. Por lá, passam 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos em todo o mundo. Desde o início da guerra no Oriente Médio, o Irã disse que controla a passagem e ameaçou atacar qualquer embarcação que passasse por lá.
EUA e países europeus vêm estudando a possibilidade de enviar navios de guerra para escoltar embarcações comerciais ao longo do estreito.
A Agência Internacional de Energia (AIE) cogita recorrer às reservas estratégicas de petróleo – uma medida extraordinária -, segundo o Wall Street Journal. Por sua vez, os governantes do G7 devem ter uma reunião por videoconferência nesta quarta-feira para “provavelmente abordar” a questão das reservas energéticas, segundo o ministro francês da Economia, Roland Lescure.
Ataques no Golfo Pérsico
Em paralelo às tensões no Estreito de Ormuz, ataques iranianos também afetaram vários pontos de países do Golfo Pérsico nos últimos dias. Explosões na capital do Catar, Doha, e quatro pessoas ficaram feridas pela queda de drones perto do aeroporto de Dubai, informaram as autoridades dos Emirados Árabes Unidos.
A Arábia Saudita anunciou que derrubou drones que seguiam na direção do campo de petróleo de Shaybah. E disse também que mísseis foram lançados na direção de uma base aérea que abriga militares americanos.
O presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou o Irã com “consequências militares (…) de um nível nunca antes visto” caso o país instale minas na área. Washington já mencionou a possibilidade de escoltar os navios que passam pela região.
Contudo, alguns especialistas apontaram que talvez não compense economicamente seguir utilizando a rota no atual contexto.
“Os riscos para a segurança podem fazer com que uma única passagem pelo estreito fique mais cara do que a margem de lucro da própria carga de petróleo transportada pelo navio”, destacou o Soufan Center, com sede em Nova York e especializado em questões de segurança.
“A reserva de minas navais do Irã oscila entre 2.000 e 6.000 unidades, o que complicaria qualquer plano naval de escoltar petroleiros comerciais”, acrescentou.
O bloqueio do estreito provoca grande volatilidade nos mercados: após uma recuperação na terça-feira, as Bolsas europeias voltaram a abrir em terreno negativo nesta quarta-feira e a cotação do petróleo voltou a subir.
O barril de WTI se aproximava de 88 dólares, uma alta de quase 6%, enquanto o barril de Brent era negociado por pouco mais de 92 dólares (+5%).
Mojtaba Khamenei, ‘são e salvo’
Nesta quarta, autoridades iranianas afirmaram que o novo guia supremo do país, o aiatolá Mojtaba Khamenei, está “são e salvo”, apesar de ter sofrido ferimentos na guerra. Ele foi nomeado para suceder o pai, Ali Khanenei, que morreu nos bombardeios do primeiro dia do conflito, mas desde então ainda não apareceu em público.
Em Teerã, algumas explosões provocaram tremores nas janelas do apartamento de um jornalista da AFP, que mora na zona norte da capital.
Uma moradora de Teerã disse à AFP que o fato de os bombardeios “não (mirarem) os prédios comuns”, e sim “delegacias, mesquitas (ou) áreas militares”, a tranquiliza. “Mas imagine um ataque contra uma delegacia que fica no final da sua rua. Todas as janelas da sua casa voam em pedaços. Foi o que aconteceu com muitas pessoas”, acrescentou.
Além dos ataques no Golfo, Teerã também lançou mísseis contra Israel na madrugada de quarta-feira, que deixaram vários feridos perto de Tel Aviv, segundo a emissora Channel 12.
As forças israelenses também bombardeiam o Líbano desde que o movimento pró-iraniano Hezbollah arrastou seu país para a guerra regional em 2 de março, ao lançar mísseis contra Israel.
Segundo o governo libanês, 570 pessoas morreram nos ataques, que também obrigaram quase 760.000 moradores a abandonar suas casas.
Fonte: G1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 11/03/2026/13:31:02
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