Três mulheres mortas em menos de 20 dias em Santarém (PA): sequência de crimes causa comoção e reforça alerta para a violência contra mulheres

A cidade de Santarém, no oeste do Pará, vive um dos períodos mais preocupantes dos últimos meses. Em menos de 20 dias, três mulheres foram mortas em diferentes casos que seguem sendo investigados pela Polícia Civil. A sucessão de crimes provocou forte comoção entre moradores, familiares das vítimas e reacendeu o debate sobre o combate à violência contra a mulher.

Embora as ocorrências tenham características distintas, todas reforçam a necessidade de investigações céleres, responsabilização dos autores e fortalecimento das políticas públicas de prevenção e proteção às mulheres.

Caso Tainá: família relata histórico de violência durante o relacionamento

Tainá Yarina dos Santos Cardoso, de 29 anos

O caso de Tainá Yarina dos Santos Cardoso, de 29 anos, ganhou ampla repercussão em Santarém e em todo o Pará. A jovem morreu dentro da residência onde estava com o advogado Wlandre Gomes Leal, apontado pela Polícia Civil como principal suspeito. O inquérito segue sendo conduzido como investigação de feminicídio.

Em entrevista concedida à TV Tapajós, familiares afirmaram que Tainá vivia um relacionamento marcado por diferentes formas de violência. Segundo a mãe da vítima, a jovem escondia as agressões por medo e evitava contar à família o que estava enfrentando.

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Ainda de acordo com os familiares, o relacionamento começou quando Tainá contratou Wlandre para atuar como seu advogado no processo de separação. Com o passar do tempo, os dois passaram a se relacionar, porém, conforme os relatos da família, a convivência teria sido marcada por violência física, psicológica, moral e comportamentos de controle sobre a vida da jovem.

A mãe afirmou que somente após a morte da filha descobriu a dimensão da violência que ela enfrentava. Segundo o relato, Tainá permanecia em silêncio por receio das consequências e acreditava que conseguiria resolver a situação sem expor o relacionamento.

A Polícia Civil continua reunindo depoimentos, laudos periciais e demais provas para esclarecer completamente a dinâmica do crime e responsabilizar os envolvidos, respeitando o devido processo legal.

Dayse Diniz foi encontrada morta após cinco dias desaparecida

Dayse Diniz, de 25 anos, estava desaparecida desde a última quinta-feira (23) — Foto: Divulgação/Redes Sociais

Outro caso que abalou a população foi o desaparecimento de Dayse Diniz, de 25 anos.

Ela desapareceu na noite da última quinta-feira (23), mobilizando equipes do Corpo de Bombeiros, Polícia Civil e familiares durante cinco dias de buscas.

Na tarde desta quarta-feira (29), o corpo da jovem foi localizado em uma chácara na comunidade de Campo Novo.

Segundo a Polícia Civil, um suspeito confessou o crime durante interrogatório e indicou o local onde havia ocultado o corpo. A área foi isolada para o trabalho da perícia, e o corpo foi removido pelo Instituto Médico Legal (IML), onde passou por exames necroscópicos.

As investigações prosseguem para esclarecer a motivação do homicídio e todos os detalhes da dinâmica do crime.

Edmara de Sousa Gomes foi encontrada morta no bairro Maracanã

Edmara de Sousa Goes, de 22 anos, encontrada morta na manhã do útimo sábado (25) no maracanã — Foto: Redes Sociais

O terceiro caso registrado no período ocorreu no bairro Maracanã.

A vítima foi identificada como Edmara de Sousa Gomes, 22 anos, foi encontrada morta na manhã do último sábado (25)  em um terreno com sinais de violência no rosto.

Moradores acionaram as autoridades após localizarem o corpo. Equipes da Polícia Militar preservaram a área até a chegada da Polícia Científica, que realizou a perícia no local.

Em seguida, o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal para exames que deverão auxiliar na identificação da causa da morte e na reconstrução da dinâmica do crime.

A Polícia Civil instaurou inquérito e segue investigando o caso para identificar a autoria e a motivação do homicídio.

Sequência de crimes preocupa Santarém

A morte de três mulheres em menos de 20 dias elevou o sentimento de insegurança entre os moradores de Santarém. Os casos, embora distintos, evidenciam a gravidade da violência contra as mulheres e a importância da denúncia, da atuação das forças de segurança e do fortalecimento das redes de proteção às vítimas.

Enquanto os inquéritos seguem em andamento, familiares das vítimas aguardam respostas da Justiça e cobram a responsabilização dos autores. A sequência desses crimes reforça a necessidade de ações efetivas para prevenir a violência de gênero e evitar que novas vidas sejam interrompidas.

Violência contra mulheres segue sendo desafio no Pará e no Brasil

Os três casos registrados em Santarém refletem uma realidade preocupante em todo o país. Dados do 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que o Brasil registrou 1.492 vítimas de feminicídio em 2024, o maior número da série histórica, mantendo a média de aproximadamente quatro mulheres assassinadas por dia em razão do gênero.

No Pará, o levantamento aponta que foram registrados 22 feminicídios em 2024, o que corresponde a uma taxa de 1,3 caso por 100 mil mulheres, acima dos 18 casos registrados em 2023. O estado também aparece entre aqueles que enfrentam crescimento nas tentativas de feminicídio e nos registros de violência contra a mulher.

Especialistas alertam que o feminicídio, na maioria das vezes, é o desfecho de um ciclo contínuo de violência. Segundo o Anuário, oito em cada dez vítimas foram mortas por companheiros ou ex-companheiros, 64,3% dos crimes ocorreram dentro de casa e 97% dos autores eram homens, evidenciando que a violência doméstica continua sendo um dos principais fatores de risco.

Diante desse cenário, a sequência de três mulheres mortas em menos de 20 dias em Santarém reforça o alerta para a necessidade de fortalecer as políticas públicas de prevenção, ampliar a proteção às vítimas, incentivar as denúncias e garantir investigações rápidas para que os responsáveis sejam levados à Justiça.

Fonte e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 29/07/2026/15:06:22

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