Tratamento sem cirurgia e vacina contra HPV: 5 avanços contra o câncer

Um estudo publicado em 2025 registrou resposta clínica completa nos 49 pacientes que concluíram um tratamento com imunoterapia contra um tipo específico de câncer de reto. Sem sinais detectáveis do tumor, os participantes seguiram em acompanhamento sem precisar passar por cirurgia, radioterapia ou quimioterapia.
O resultado integra uma série de avanços recentes no tratamento do câncer. Terapias celulares, medicamentos de precisão e novas combinações prolongaram a sobrevida e retardaram a progressão de diferentes tumores. Na prevenção, a adoção da dose única da vacina contra o HPV também ampliou a proteção contra o vírus associado à maioria dos casos de câncer do colo do útero.
Imunoterapia evita cirurgia
Publicado no The New England Journal of Medicine, o estudo de 2025 mostrou que a imunoterapia pode evitar procedimentos mais agressivos em um grupo específico de pacientes com câncer de reto localmente avançado. Todos os participantes que concluíram o tratamento com dostarlimabe apresentaram resposta clínica completa.
Os pacientes tinham tumores com deficiência no sistema de reparo do DNA, característica molecular conhecida como dMMR. Por isso, o resultado não se aplica a todos os casos de câncer de reto. O acompanhamento a longo prazo também será necessário para avaliar por quanto tempo as respostas permanecem.
Terapia celular combate melanoma
Em fevereiro de 2024, a Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA), concedeu aprovação acelerada ao lifileucel. Trata-se da primeira terapia celular baseada em linfócitos infiltrantes de tumor autorizada para combater um câncer sólido.
A indicação contempla determinados adultos com melanoma (tipo mais grave e agressivo de câncer de pele) irressecável ou metastático que já receberam outros tratamentos. A técnica retira células de defesa presentes no tumor, multiplica esse material em laboratório e o devolve ao organismo para ampliar a reação imunológica contra o câncer.
No estudo que embasou a autorização, 31,5% dos 73 pacientes avaliados responderam ao tratamento. Desse total, 4,1% apresentaram resposta completa e 27,4%, resposta parcial. A terapia, no entanto, envolve riscos importantes e precisa ser administrada em centros especializados.
Combinação aumenta sobrevida
A combinação entre os medicamentos enfortumabe vedotina e pembrolizumabe modificou o tratamento inicial do câncer urotelial localmente avançado ou metastático, que afeta principalmente a bexiga. A estratégia reúne um conjugado anticorpo-fármaco e uma imunoterapia.
O enfortumabe vedotina identifica características presentes nas células tumorais e transporta até elas uma substância capaz de destruí-las. Já o pembrolizumabe estimula o sistema imunológico a reconhecer e atacar o câncer.
No ensaio clínico EV-302, a média de sobrevida global chegou a 31,5 meses entre os pacientes que receberam a combinação, ante 16,1 meses no grupo tratado com quimioterapia à base de platina. A estratégia reduziu em 53% o risco de morte e recebeu aprovação da FDA em dezembro de 2023.
Precisão contra câncer de pulmão
Os testes moleculares também permitiram direcionar medicamentos para alterações genéticas específicas. Um dos avanços recentes envolve o osimertinibe, aprovado pela FDA em setembro de 2024 para determinados pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas.
A indicação abrange adultos com doença em estágio III, localmente avançada e que não pode ser retirada por cirurgia. Além disso, os tumores precisam apresentar mutações específicas no gene EGFR e não ter avançado durante ou depois da quimiorradioterapia.
No estudo LAURA, o medicamento reduziu em 84% o risco de progressão da doença ou morte em comparação com o placebo. A mediana de sobrevida livre de progressão alcançou 39,1 meses com o osimertinibe, contra 5,6 meses no grupo de controle.
Dose única amplia prevenção
Na prevenção do câncer, a ampliação do esquema de dose única da vacina contra o papilomavírus humano, o HPV, tornou-se uma das principais estratégias para aumentar a proteção contra o câncer do colo do útero.
O HPV está associado à maioria dos casos da doença e também pode provocar outros tipos de câncer. Em outubro de 2024, a Organização Mundial da Saúde incluiu mais uma vacina entre as opções adequadas para aplicação em dose única.
Até setembro daquele ano, 57 países adotavam o esquema, ante 37 em 2023. Segundo a OMS, a estratégia permitiu vacinar pelo menos 6 milhões de meninas adicionais em 2023. Em 2025, o número de países que utilizavam a dose única chegou a 75.
A quantidade de aplicações recomendada pode variar conforme a idade, a condição imunológica e o programa de vacinação de cada país. Pessoas imunocomprometidas, incluindo aquelas que vivem com HIV, podem precisar de duas ou três doses.
Tratamento exige avaliação individual
Embora representem mudanças importantes, os avanços no tratamento do câncer beneficiam grupos definidos de pacientes. Testes genéticos e moleculares ajudam a identificar quem pode responder às novas terapias, enquanto o estágio da doença e as condições clínicas também orientam a escolha.
Os resultados não representam uma cura única para o câncer, que reúne centenas de doenças. A indicação de cada estratégia depende do tipo de tumor, de suas características moleculares, do estágio da doença e das condições de cada paciente.
Vale lembrar que a aprovação de um medicamento nos Estados Unidos não significa que ele esteja automaticamente disponível no Brasil. As tecnologias precisam passar pela avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Para chegar ao Sistema Único de Saúde, ainda dependem de um processo específico de incorporação.
Fonte: DIARIO DO PARÁ e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 10/08/2026/17:26:55
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