Tarifaço dos EUA derruba exportações do Pará em 31,4% no primeiro semestre

O tarifaço dos Estados Unidos alcança o Pará em um momento de forte retração das vendas para o mercado norte-americano. No primeiro semestre de 2026, o estado exportou US$ 416,7 milhões aos EUA, queda de 31,4% em relação ao mesmo período de 2025. Os norte-americanos receberam 3,2% das exportações paraenses no intervalo, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O Pará integra o grupo de 20 das 27 unidades da Federação que reduziram as exportações aos Estados Unidos entre janeiro e junho. No Brasil, as vendas ao mercado norte-americano recuaram 13%, perda equivalente a US$ 2,6 bilhões. As exportações de bens industriais caíram 8,7%, pressionadas por semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira, óleos de petróleo e produtos de outras ligas.
Tarifa adicional de 25% entra em vigor
A pressão deve aumentar a partir de quarta-feira (22 de julho), quando entra em vigor a tarifa adicional de 25% anunciada pelo governo dos Estados Unidos na quarta-feira (15). A medida atinge cerca de 4 mil produtos e alcança US$ 11 bilhões em exportações brasileiras, o equivalente a 26,2% das vendas do país ao mercado norte-americano. A decisão incluiu 429 novas exceções, entre elas ferro-gusa, hidróxido de alumínio e café instantâneo.
Impacto na indústria brasileira
Presidente da CNI, Ricardo Alban alertou que a sobretaxa deve aprofundar as perdas e ampliar a insegurança para empresas dos dois países. “O cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira”, afirmou ao defender negociações para recuperar a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.
A gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, destacou que mais de 50% das exportações brasileiras dos setores de madeira, minerais não metálicos e produtos químicos passaram a enfrentar tarifas adicionais de pelo menos 25%. “É necessário intensificar o diálogo para se atingir um consenso com os Estados Unidos”, defendeu. A especialista também alertou para riscos à geração de empregos e à competitividade industrial.
Governo brasileiro repudia decisão
O governo brasileiro repudiou a decisão e afirmou não reconhecer a legitimidade da investigação comercial que embasou a cobrança. Em nota, classificou 15 de julho de 2026 como “um marco lastimável” nas relações entre os dois países e anunciou que recorrerá à Lei de Reciprocidade Econômica e ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Fonte: DIARIO DO PARÁ e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 20/07/2026/16:34:57
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