Tamiflu pode reduzir em 52% as hospitalizações por influenza; uso precoce é considerado essencial

Segundo o Ministério da Saúde, praticamente todos os estados brasileiros estão em nível de alerta, risco ou alto risco para SRAG, com exceção de Rondônia. Em 20 unidades da federação, há também sinal de crescimento da tendência de longo prazo. As hospitalizações por Influenza A seguem em alta na região Sul e em estados como São Paulo, Espírito Santo, Roraima e Tocantins.
Até a última semana analisada, foram registradas 31.775 hospitalizações por SRAG com identificação de vírus respiratórios. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) respondeu por 43% dos casos, seguido pela influenza (23%) e pelo rinovírus (21%). Dos 1.210 óbitos associados a vírus respiratórios, 57% foram relacionados à influenza.
Antiviral deve ser iniciado nas primeiras 48 horas
De acordo com infectologistas, o Tamiflu apresenta melhores resultados quando iniciado nas primeiras 48 horas após o surgimento dos sintomas. O medicamento é indicado para pacientes com diagnóstico de influenza e pode reduzir a duração da doença, diminuir complicações e evitar casos graves.
O Ministério da Saúde informou que o antiviral é recomendado para pessoas com risco de agravamento e para casos de SRAG, mesmo sem confirmação laboratorial.
Segundo o infectologista Antônio Carlos Bandeira, o protocolo da pasta prioriza grupos com maior risco de complicações, como idosos, gestantes, imunossuprimidos e pessoas com doenças crônicas. Ainda assim, ele ressalta que a indicação formal do medicamento é para qualquer pessoa com diagnóstico de Influenza, como ocorre no exterior.
Queda nas internações e redução do risco de morte
Entre os principais benefícios observados em estudos citados pelos especialistas, a redução das hospitalizações aparece como um dos resultados mais expressivos.
Segundo infectologista da Fiocruz André Siqueira, o uso do oseltamivir está associado a:
redução de cerca de um dia na duração dos sintomas;
diminuição de 40% a 50% das complicações leves em adultos;
redução de 28% das complicações em grupos de alto risco;
queda de 52% nas hospitalizações;
redução de 18% na mortalidade entre idosos.
Além disso, o Ministério da Saúde destaca que o medicamento pode reduzir em até 38% o risco de morte.
Os especialistas alertam, porém, que o benefício tende a ser menor quando o tratamento é iniciado tardiamente, especialmente após o desenvolvimento de pneumonia ou outras complicações.
O objetivo do uso precoce é:
reduzir os dias de sintomas,
diminuir a intensidade da doença e
evitar a progressão para quadros mais graves.
Testagem ainda enfrenta limitações
Apesar da importância do diagnóstico, os infectologistas afirmam que os testes para identificar Influenza nem sempre são realizados nos serviços de emergência. Entre os motivos apontados estão restrições orçamentárias e dificuldades de reembolso por parte dos convênios.
Segundo Siqueira, em muitos pacientes de risco o resultado do exame não altera a conduta médica, já que o antiviral é indicado mesmo sem confirmação laboratorial. Por isso, os testes acabam sendo mais utilizados em pacientes hospitalizados e para fins de vigilância epidemiológica.
Vacinação segue como principal estratégia de prevenção
O Ministério da Saúde reforça que a vacinação continua sendo a principal forma de prevenir casos graves, internações e mortes por Influenza. Mais de 26,4 milhões de doses já foram aplicadas no país. Atualmente, a vacina é oferecida prioritariamente a grupos definidos pela pasta, entre eles crianças pequenas, idosos, gestantes, profissionais da saúde, pessoas com doenças crônicas e outros públicos considerados mais vulneráveis.
Além disso, o governo federal informou ter distribuído mais de 615 mil testes RT-PCR para vírus respiratórios aos estados neste ano e afirmou que novas remessas ainda podem ser enviadas.
Fonte: g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 30/05/2026/07:29:00
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