Sepse mata 11 milhões por ano em todo o mundo; saiba reconhecer os sinais

Caracterizada por um conjunto de manifestações graves decorrentes de uma infecção, a sepse provoca a morte de 11 milhões de pessoas por ano em todo o mundo, segundo estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS).

A condição pode surgir a partir da maioria das infecções, inclusive as virais. Por isso, especialistas apontam a sepse como a via final comum da maior parte das doenças infecciosas e reforçam a necessidade de atenção aos sinais de alerta.

A sepse pode se manifestar quando, durante o combate a uma infecção, o sistema imunológico passa a atacar tecidos e órgãos do próprio organismo.

Como consequência, o quadro pode evoluir para falência de órgãos e, em casos mais graves, levar à morte. Essa disfunção pode atingir diferentes estruturas do corpo, incluindo cérebro, coração, pulmões e rins.

De acordo com o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a sepse pode ter origem em uma infecção que inicialmente nem parece grave.

No entanto, quando não recebe tratamento adequado, ela pode se agravar e atingir não apenas o órgão onde começou, mas também provocar uma inflamação capaz de comprometer outros órgãos. Por isso, quanto mais cedo o tratamento começa, menores são as chances de agravamento.

Além disso, o aumento da expectativa de vida e os avanços nos tratamentos de diversas doenças também influenciam a ocorrência de casos de sepse. Isso acontece porque pessoas com algum comprometimento do sistema imunológico apresentam maior risco de desenvolver infecções.

Quando a doença foi identificada?

O reconhecimento da sepse remonta a 1991, quando especialistas estabeleceram a primeira definição global da doença. Desde então, a troca de informações e o aprimoramento dos protocolos permitiram diagnósticos e tratamentos mais uniformes em diferentes países.

Ainda nos anos 1990, os especialistas estimavam que cerca de metade dos pacientes acometidos pela doença não sobrevivia. Entretanto, esse cenário começou a mudar após a publicação das primeiras recomendações globais para diagnóstico e tratamento da sepse, em 2004.

Desde então, a mortalidade da sepse caiu significativamente em diversos países. Nos Estados Unidos, por exemplo, o índice caiu de cerca de 40% a 50% para aproximadamente 20%. Na Austrália, está em torno de 15%. Na Europa, a taxa gira em torno de 25%.

Por outro lado, a realidade ainda preocupa nos países em desenvolvimento. Em diversas regiões da África e da América do Sul, a mortalidade permanece elevada. No Brasil, os estudos mais recentes, baseados nos dados divulgados pelo Datasus em 2025, apontam que a mortalidade continua próxima de 50%.

Falta de conhecimento ainda é desafio

Para entender por que esse cenário persiste no país é necessário considerar diferentes fatores. Um dos principais é a falta de conhecimento da população sobre a doença, situação que pode atrasar o diagnóstico e, consequentemente, o início do tratamento.

Assim como ocorre em outras emergências médicas, a sepse exige rapidez na busca por atendimento. A dificuldade, porém, está na identificação dos sinais.

Uma situação de alerta pode ocorrer quando uma pessoa apresenta uma infecção e, em seguida, passa a manifestar sintomas como pressão baixa, febre, coração acelerado ou falta de ar.

Da mesma forma que acontece em casos de infarto ou derrame cerebral, a sepse é uma doença tempo-dependente. Ou seja, quanto mais tempo se leva para diagnosticar e iniciar o tratamento, menores são as chances de sobrevivência.

A maioria dos casos é identificada já na chegada ao atendimento de urgência. Segundo o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), cerca de 50% a 70% dos casos de sepse têm origem no setor de emergência. Nesses casos, o paciente chega ao hospital com suspeita de infecção e, após avaliação clínica e exames iniciais, a equipe identifica a possibilidade de sepse e inicia o tratamento.

Os outros 30% a 40% dos casos surgem dentro do ambiente hospitalar. Eles se dividem entre pacientes internados em enfermarias, quartos e unidades de terapia intensiva (UTIs).

Quem já chega ao hospital com sepse costuma apresentar infecções comuns, como pneumonia, infecção urinária, colecistite, diverticulite ou diarreia infecciosa.

Já os casos que surgem durante a internação geralmente envolvem pacientes submetidos a tratamentos que reduzem a imunidade, pessoas internadas por longos períodos ou que utilizam ventilação mecânica e cateteres.

Independentemente da origem, o diagnóstico rápido continua sendo o principal fator para aumentar as chances de sobrevivência.

Quem está em risco?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), qualquer pessoa com uma infecção, lesão grave ou doença crônica importante pode evoluir para sepse. No entanto, alguns grupos apresentam risco maior:

• idosos
• mulheres grávidas ou que tenham dado à luz recentemente
• recém-nascidos
• pacientes hospitalizados
• pacientes em unidades de terapia intensiva
• pessoas com sistema imunológico enfraquecido (como HIV ou câncer)
• pessoas com doenças crônicas (como doença renal e cirrose)
Sinais e sintomas

A OMS alerta que a sepse é uma emergência médica. Como os sintomas podem variar ao longo da evolução da doença, qualquer suspeita deve motivar a procura imediata por atendimento médico.

Os sinais e sintomas mais comuns incluem:

febre ou temperatura baixa e calafrios
confusão mental
dificuldade para respirar
pele úmida e suada
dor ou desconforto corporal intenso
batimentos cardíacos acelerados, pulso fraco ou pressão baixa
baixa produção de urina

Nas crianças, os sintomas podem incluir:

respiração acelerada
convulsões
pele pálida
letargia
dificuldade para acordar
sensação de frio ao toque

Em crianças menores de cinco anos, a sepse também pode causar:

dificuldade para se alimentar
vômitos frequentes
ausência de micção

Como prevenir

A prevenção passa pelo tratamento precoce das infecções e pela adoção de boas práticas de higiene em casa e nos serviços de saúde.

Segundo a OMS, a melhor forma de reduzir o risco de sepse é evitar infecções. Entre as medidas recomendadas estão:

Além disso, hospitais e clínicas devem seguir protocolos eficazes de prevenção e controle de infecções, enquanto os antibióticos devem ser utilizados de forma adequada.

A sepse sempre representa uma condição grave. No entanto, pessoas que convivem com HIV, tuberculose, malária e outras doenças infecciosas apresentam risco ainda maior de desenvolver complicações.

Fonte: Diário do Pará e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 11/06/2026/07:25:43

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