Quem eram mãe e filha encontradas mortas dentro de carro submerso em rio do Paraná

A mulher atuava como servidora pública desde fevereiro de 2025. Conforme o portal da transparência do município, ela trabalhava no setor de serviços gerais do Hospital Municipal Santa Rita de Cássia.

Em nota publicada nas redes sociais, a Prefeitura e o hospital escreveram que Iria trabalhava “com dedicação, responsabilidade e carinho ao próximo”.

“Que a memória de sua dedicação e de seu cuidado permaneça viva entre nós, como testemunho de uma vida marcada pelo serviço ao próximo”, diz a nota.

Maria Laura era aluna do Centro Municipal de Educação Infantil Arco-Íris, que também lamentou a morte da criança.

Nas redes sociais, amigos e parentes descreveram Iria como uma mulher “muito sorridente” e Maria como uma “menina muito amada”. “Você vai deixar muita lembrança boa, Iria. Sorriso largo, sempre muito sorridente. Não tinha como não gostar de você”, diz um dos comentários.

“Iria e Laurinha, muito obrigada pelo tempo que passamos juntos. Laurinha uma menina muito amada”‘, escreveu outra pessoa.

Conforme a Polícia Militar (PM-PR), no dia 2 de maio, por volta das 22h30, o veículo desceu a rampa de acesso ao rio e ficou submerso.

Na madrugada do dia 3, equipes do Corpo de Bombeiros acessaram o carro e retiraram os corpos da mãe e da filha. No mesmo dia, o automóvel foi retirado da água.

As vítimas foram sepultadas no dia 4 de maio, no Cemitério Municipal de Nova Londrina.

Prisão do suspeito

A análise de 23 imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas fizeram a Polícia Civil do Paraná (PC-PR) pedir a prisão preventiva de Márcio Talaska, de 38 anos. A queda do carro no rio foi filmada. Assista no início desta reportagem.

Márcio também estava no carro com a esposa e filha, mas conseguiu se salvar. Segundo a polícia, ele prestou depoimento e disse que era a esposa quem estava dirigindo o veículo e que ela se perdeu no caminho.

Entretanto, conforme a delegada Iasmin Gregorio, a polícia apurou que era Márcio quem estava dirigindo o carro.

Conforme a delegada, testemunhas disseram que a família saiu de uma confraternização e foi Márcio quem dirigiu o carro durante todo o trajeto até a rampa que dá acesso ao rio. Com as imagens de câmeras de segurança, a polícia reconstituiu o trajeto feito pela família e confirmou a informação.

A delegada também explicou que, a partir dos vídeos e dos depoimentos, não foi possível confirmar o motorista do carro estivesse perdido, como foi dito por Márcio durante o depoimento. Isso porque o trajeto percorrido pelo veículo durou cerca de oito minutos, de forma linear.

“Não havia uma postura ali do casal de perguntar onde seria a saída da cidade, não teria nenhuma evidência através das câmeras de monitoramento de que esse casal teria perguntado, pedido algum tipo de ajuda e perguntado a saída da cidade.[…] Com todos esses elementos, há indicativos de que o masculino teria cometido tal fato de forma proposital”, disse a delegada.

As imagens também mostram o momento em que o carro acessa a rampa e cai no rio. Conforme a delegada, Márcio conseguiu sair com facilidade do carro e demorou cerca de um minuto e meio para pedir ajuda.

A delegada informou que aguarda o resultado de outros laudo para concluir o inquérito policial.

Posicionamento da defesa

O g1 entrou em contato com a defesa de Márcio nesta segunda-feira, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem. Confira a última nota emitida pelo advogado:

“A defesa de Márcio Talaska vem a público manifestar sua irresignação diante da decretação de sua prisão preventiva. Até o presente momento, a defesa não teve acesso integral à decisão judicial, tampouco aos elementos de prova que teriam fundamentado medida tão grave e excepcional. Por essa razão, qualquer análise mais aprofundada será realizada assim que a defesa tiver conhecimento completo dos fundamentos utilizados para justificar a segregação cautelar. É necessário registrar que Márcio encontra-se profundamente abalado, emocionalmente destruído pela tragédia que vitimou sua esposa e sua filha. Trata-se de um homem que, além de enfrentar uma perda irreparável, agora se vê privado de sua liberdade antes mesmo de ter acesso pleno aos elementos que sustentaram essa decisão. A defesa respeita as instituições, mas entende que a prisão preventiva, por sua natureza excepcional, deve estar sempre amparada em fundamentos concretos, atuais e devidamente demonstrados, não podendo servir como resposta automática à comoção pública ou à gravidade abstrata dos fatos. Diante disso, serão adotadas todas as medidas jurídicas cabíveis para impugnar a decisão e buscar a imediata revogação da prisão preventiva, com o restabelecimento da liberdade de Márcio. A defesa reafirma sua confiança no Poder Judiciário do Estado do Paraná, na serenidade da Justiça e na certeza de que, com acesso integral aos autos e ao contraditório, será possível demonstrar a arbitrariedade da medida e obter a restituição de sua liberdade.”

Fonte: G1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 11/05/2026/16:25:13

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