‘Qualquer hora me mata’: PM que morreu com tiro na cabeça se queixou de ciúmes de tenente-coronel em mensagem

Em depoimento na delegacia, a mãe da vítima afirmou que Gisele vivia um relacionamento abusivo, extremamente conturbado e que o oficial seria abusivo e violento, impondo restrições ao comportamento da filha.
Ela relatou que Gisele era proibida de usar batom, salto alto e perfume, além de ser cobrada pelo cumprimento rigoroso de tarefas domésticas.
Disse ainda que, quando a policial mencionou a intenção de se separar, o tenente-coronel teria enviado pelo celular uma foto em que aparecia com uma arma apontada para a própria cabeça.
Advogado apresenta áudio de PM morta
Durante entrevista coletiva, o advogado afirmou que a mensagem reforça a versão da família de que a policial pretendia se afastar do marido.
“Recebi um áudio onde Gisele, no ano passado, pede para o pai arrumar uma casa para ela. O desespero era tanto.”, afirmou Silva.
Áudio enviado ao pai
No áudio apresentado pelo advogado, Gisele fala sobre a busca por uma casa próxima da residência dos pais para facilitar a rotina de trabalho e os cuidados com a filha.
Em outro trecho, ela explica que morar mais perto ajudaria a evitar deslocamentos longos antes do trabalho.
“Então, quanto mais perto, melhor. Porque eu já deixo ela aí e já pego o trem pra ir trabalhar, entendeu? Pra não ficar tendo essa viagem aí de manhã. Eu perco muito tempo. Eu entro cedo aqui no serviço”, afirma no áudio.
O advogado da família argumenta que a mensagem indicaria que Gisele planejava deixar o apartamento onde vivia com o marido e se mudar para mais perto dos pais.
Histórico de ameaças e perseguição
Quando eu disse que o tenente-coronel é um violador, um assediador, já há muito tempo, eu fiz uma crítica ao comando da Polícia Militar e ao secretário da Segurança. Eu mantenho essa crítica, haja vista que ele deveria ter sido afastado já há muito tempo das suas funções
Segundo a defesa da família, os episódios indicam um padrão de comportamento do policial. “É um histórico ameaçador, um histórico perseguidor”, disse o advogado.
BOs por ameaça
De acordo com Miguel Silva, uma ex-companheira do tenente-coronel registrou boletins de ocorrência contra ele entre 2009 e 2010. Segundo o advogado, em um dos registros a mulher relatou que sofria perseguições e perturbações constantes.
Em outra BO de 2022, aponta Silva, a vítima relata que estava sendo ameaçada dentro do próprio apartamento. “Foi lavrado um BOPM em 22 de janeiro de 2022 em que outra vítima se queixa. O assunto é ameaça. ‘Está entrando dentro do meu apartamento o senhor major’”, disse.
Perseguição contra PMs mulheres
O advogado também citou um processo judicial relacionado a um episódio ocorrido em 2022, quando o oficial ainda era major. Segundo ele, a Justiça reconheceu que houve assédio moral contra uma policial militar subordinada em um caso envolvendo transferência de agentes mulheres.
De acordo com o advogado, a policial que levou o caso à Justiça afirmou ter passado a sofrer perseguições após questionar as decisões do superior.
“A requerente passou a ser totalmente hostilizada pelo servidor major Neto”, disse. Segundo Silva, outras policiais também teriam relatado problemas semelhantes à Corregedoria da PM.
Defesa de coronel sustenta suicídio
Já o advogado que defende os interesses da família de Gisele subiu o tom ao alegar que a morte da soldado foi consequência de um crime, o feminicídio — cometido, segundo ele, pelo próprio marido dela, o coronel Geraldo.
A delegacia que apura a morte de Gisele ainda aguarda os resultados de laudos complementares da Polícia Técnico-Científica para concluir inquérito e sabe se houve suicídio ou crime.
Reconstituição

Ex-marido da PM Gisele Alves presta depoimento
O coronel se afastou do trabalho na corporação após a morte de Gisele. Mas segundo a sua defesa, ele fez questão de participar da reconstituição do caso, nome popular que se dá a reprodução simulada do que pode ter acontecido.
A reconstituição, feita por peritos do Instituto de Criminalística (IC), ocorreu no último dia 23 de fevereiro na residência onde o casal morava no Brás, Centro da capital.
O escritório de advocacia que defende o coronel quer que ele volte a dar um depoimento no 8º Distrito Policial (DP), no Brás, após a conclusão dos exames periciais restantes, inclusive o complementar do laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML).
Um médico do esporte que atendeu o casal dias antes de Gisele morrer será indicado pela defesa do coronel para ser ouvido como testemunha. Ele irá relatar que como Geraldo e a esposa foram ao seu consultório com um objetivo em comum de ter uma vida mais saudável juntos.
Segundo ele, a filha que o ex-marido teve com Gisele, e que morava com ela, deverá ficar sob a guarda dele agora. O ex também comentou no depoimento que Geraldo não gostava da criança.
De suicídio a morte suspeita

Peritos e investigadores se reúnem nesta quarta (11) para tratar do caso da PM morta com um tiro na cabeça
Gisele tinha 32 anos. Geraldo tem 53. Foi ele quem deu a versão à Polícia Civil de que a esposa se suicidou e quem telefonou para a PM pedindo ajuda.
Segundo o coronel, após uma discussão, o oficial disse que pediu a separação e foi tomar banho. Um minuto depois, Gisele teria pegado sua arma e disparado contra a própria cabeça, pelo lado direito. Isso teria ocorrido sem ele ver.
A família da soldado, no entanto, contestou a hipótese de suicídio, apresentou relatos de que Gisele vivia uma relação tóxica com o coronel e pressionou por uma reavaliação do caso.
A Polícia Civil então reclassificou o episódio como morte suspeita. A Justiça determinou a redistribuição do caso para a Vara do Júri, por entender que há indícios de crime doloso contra a vida — categoria que inclui feminicídio, por exemplo.
Laudos periciais reforçaram as dúvidas sobre a versão inicial. Exames apontaram marcas de unhas e arranhões no pescoço da policial, além de lesões contundentes no rosto e sinais de disparo à queima‑roupa.
Além disso, agentes que atenderam a ocorrência estranharam o fato de que a arma que matou Gisele estava ainda na mão dela _algo incomum em casos de suicídio.
Dúvidas na versão do PM
Outros pontos que levaram dúvidas à investigação sobre a versão de suicídio. O fato de que Geraldo disse que tinha ido tomar banho, mas estava com o corpo seco quando as autoridades chegaram até o apartamento. E de ele ter telefonado para um desembargador amigo, que foi até o local _câmeras do hall do prédio gravaram esse encontro. Depois de conversarem, o coronel tomou banho.
A investigação não descarta formalmente o suicídio, mas também apura se Gisele foi vítima de feminicídio — hipótese defendida pela família e pelo advogado.
Na avaliação da família e da defesa, a delegacia já teria elementos para pedir a prisão preventiva do coronel. “Existem requisitos para a prisão. Há várias testemunhas que têm pavor dele, houve alteração da cena da morte, o que já é suficiente para pedir a preventiva”, afirmou o advogado.
Laudos: prontos e que faltam

Morte de PM em apartamento levanta dúvidas: laudos, câmeras e testemunha contradizem versão de suicídio
A investigação também analisa os laudos produzidos pela Polícia Técnico‑Científica. Já estão concluídos:
- Laudo necroscópico: causa da morte por traumatismo decorrente de disparo encostado do lado direito da cabeça. Também identificou lesões no rosto e pescoço, compatíveis com pressão digital e marcas de unhas, confirmadas no primeiro exame e na exumação.
- Laudo residuográfico: não detectou pólvora nas mãos do coronel ou de Gisele — o que gera estranheza na hipótese de suicídio.
- Laudo da trajetória do tiro: de baixo para cima.
Ainda estão pendentes de juntada ao inquérito o laudo toxicológico, que determinará se Gisele consumiu alguma substância, e o laudo do local da morte, com registros fotográficos da posição do corpo. Peritos já adiantaram que encontraram marcas de sangue no banheiro, o que também causou estranheza já que Gisele foi encontrada morta em outro cômodo.
As investigações continuam em andamento.
Fonte: G1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 17/03/2026/14:17:38
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