Preço do ouro dispara após guerra no Oriente Médio e desperta cobiça de garimpeiros na Sararé

“O negócio é celebrar. Ficar quietinho. Deixa os homens fazerem o serviço deles e ir embora. Negócio é ficar de boa, que o ouro está bom de preço. [Ele repete] O ouro está bom de preço! Quem aproveitou, aproveitou, quem não aproveitou espera a poeira abaixar”, diz.
Uma das razões citadas pelo governo federal foi a preocupação com a alta do preço do ouro que chama atenção dos invasores.
Professores de relações internacionais ouvidos pelo g1 apontam que o ouro já vinha num patamar elevado desde a posse do presidente norte-americano Donald Trump, e as últimas crises internacionais se somaram às incertezas.
Essa corrida pelo ouro cria um ambiente propício às atividades garimpeiras ilegais, especialmente aquelas localizadas em Sararé. É o que afirma Rodrigo Vitorino Aguiar, chefe das operações da Polícia Federal no território.
“O ouro, como ativo financeiro, vem batendo seu recorde histórico, o que atrai mais pessoas para a atividade de extração mineral, inclusive em garimpos ilegais, como os localizados na Sararé”.
Aguiar ressalta que a região é constantemente monitorada pelos órgãos de fiscalização e de segurança pública.
Para o diretor de Proteção Ambiental do Ibama Jair Smith, o momento gera um alerta semelhante ao que ocorreu diante de outras crises internacionais que fizeram o preço do ouro disparar, mas ressalta que o trabalho de combate não muda conforme a oscilação de preços no mercado.
“Óbvio que existe uma atenção especial em relação a isso, que são fatores motivadores. Mas o trabalho de combate é permanente. Pode ser mais ou menos atrativo, mas essa relação causal não é tão imediata. E não é só na Sararé, se a gente for considerar assim, todas as áreas do país estão suscetíveis à exploração de ouro, porque se tornam mais visadas, com maior interesse na criminalidade”, explica.
Atualmente, a área garimpada ilegalmente na Sararé apresentou uma redução de 20%, quando comparada com dados de 2025 com 2024, segundo Smith.
O que mexe com o ouro?
Professores explicam ao g1 os diferentes fatores geopolíticos que mexem com o preço do ouro e o que fazem atingir recordes históricos. Além da percepção entre os operadores e economistas do mercado financeiro de que esse é um ativo mais seguro do que o dólar, sobretudo depois da posse de Donald Trump em 2024, o que adiciona mais valorização ao metal.
Apesar dessa alta com a guerra, o preço se estabilizou nos últimos dias em um patamar próximo dos U$ 5 mil por onça.
Para o pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-IBRE) Livio Ribeiro, o cenário geopolítico cheio de incertezas alimenta a busca por proteção em torno do ouro.
“Nada sugere que isso vai reverter, ainda que a gente possa ter oscilações. É o que a gente tem visto nas últimas semanas, mas esse momento de um dólar mais fraco do que deveria em função do cenário conturbado no mundo e o vazamento dessa demanda por proteção para outros ativos por excelência para o ouro, ele deve continuar”, conta.
Segundo Ribeiro, esse ambiente abre espaço para a extração de ouro, seja legal ou ilegal. “Estruturas mais intensivas talvez em capital que antes eram caras, começam a ficar viáveis. Então, naturalmente, com um preço mais elevado e esse preço a gente toma como dado, porque o Brasil não faz o preço do ouro internacional, quanto mais alto, mais produção você vai ter. Então, me parece ser um momento desse mercado florescer aqui e em outros lugares”.
Ele pontua que a China e a África do Sul estão na frente do Brasil em relação à produção no mercado de ouro.
Já o professor de relações internacionais e de economia do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) Alexandre Pires, essa alta demanda por ouro impulsiona o descaminho dessa produção, o que causa preocupação com os impactos ambientais.
“Você tem que ter uma permissão como qualquer minério para extrair areia de rios. Obviamente que, quando o preço sobe muito, há um aumento de garimpos ilegais. Então, você tem ali um descaminho desse ouro para o mercado clandestino. Uma parte escapa por meio de garimpos ilegais e há uma preocupação porque o garimpo, sobretudo de aluvião, tem um prejuízo ambiental”, conta.
Mesmo que a guerra no Oriente Médio termine amanhã, o professor de economia internacional da Universidade de São Paulo (USP) Mauro Rodrigues afirma que os impactos na economia demorariam para serem dissipados.
“Não é só petróleo ali na região, você tem gás natural também e tem fertilizantes. Tem impacto em outras pontas, como mercado de energia e que, possivelmente, pode afetar o preço do alimento. Então, é um efeito bastante complexo que essa guerra vai trazer mesmo se ela acabar amanhã”, diz.
Fonte: G1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 28/03/2026/08:24:49
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