Polícia Civil desarticula esquema de desvio de combustíveis em concessionária que administra rodovias em MT
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quarta-feira (4 de novembro), a Operação Rota Paralela, com o objetivo de aprofundar as investigações sobre um suposto esquema criminoso de desvio de combustíveis envolvendo funcionários e terceiros ligados a uma concessionária responsável pela administração de rodovias estaduais.
Ao todo, estão sendo cumpridas 23 ordens judiciais, incluindo sete mandados de busca e apreensão, seis medidas cautelares diversas da prisão, seis bloqueios de ativos financeiros e quatro restrições judiciais de veículos.
As determinações foram expedidas pelo Poder Judiciário com base nas investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor).
A Justiça também autorizou o sequestro e o arresto de bens e valores até o limite de R$ 2.796.942,48, além do acesso aos dados armazenados em dispositivos eletrônicos que eventualmente forem apreendidos durante a operação.
Os mandados são cumpridos nos municípios de Cuiabá, Várzea Grande, Colíder e Alto Taquari, com apoio de equipes das Delegacias de Alto Araguaia e Colíder.
Como funcionava o suposto esquema
As investigações começaram após a própria concessionária identificar possíveis irregularidades na utilização de cartões corporativos destinados exclusivamente ao abastecimento de veículos e equipamentos empregados nos serviços de conservação e manutenção das rodovias estaduais.
Conforme os elementos reunidos pela Polícia Civil, os cartões teriam sido utilizados indevidamente para registrar abastecimentos fictícios ou incompatíveis com as atividades da concessionária. A prática possibilitaria o desvio de combustíveis e a geração de créditos em estabelecimentos comerciais.
Os investigadores apontam que responsáveis pelo gerenciamento dos cartões corporativos teriam utilizado suas funções para viabilizar as operações irregulares, possivelmente com a participação de outras pessoas na destinação dos combustíveis.
Mais de 6,5 mil transações suspeitas
A análise dos registros identificou um volume expressivo de operações consideradas suspeitas.
Foram examinadas 26.113 transações de abastecimento realizadas entre janeiro de 2024 e julho de 2025. Desse total, 6.520 operações apresentaram indícios de irregularidades, somando aproximadamente R$ 2,8 milhões.
Entre as situações identificadas estão abastecimentos realizados durante a madrugada, operações sucessivas em intervalos incompatíveis com a capacidade dos veículos e utilização de cartões vinculados a equipamentos que não justificariam os volumes de combustível registrados.
Objetivo da operação
Com base nas informações levantadas, a Polícia Civil solicitou as medidas judiciais, que foram autorizadas pelo Poder Judiciário.
A Operação Rota Paralela busca aprofundar a apuração dos fatos, identificar a participação individual dos investigados, preservar provas e possibilitar a recuperação dos valores supostamente desviados.
As investigações continuam sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção. Até o momento, os fatos são tratados como suspeitas em investigação, e a responsabilidade dos envolvidos deverá ser estabelecida no decorrer do procedimento policial e judicial.





Fonte: Redação Folha do Progresso/ Ascom PJC e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 04/11/2026/09:44:34
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