Polícia apura mortes de seis bebês em hospital após cirurgias

A Polícia Civil de São Paulo investiga a morte de seis crianças atendidas no Hospital e Maternidade Salvalus, localizado no bairro da Mooca, na zona leste da capital paulista. Os casos ocorreram ao longo de 2026 e estão sob responsabilidade do 8º Distrito Policial, no Brás.

A investigação procura esclarecer o que provocou os óbitos e se existe alguma relação entre as ocorrências. Para isso, os policiais devem ouvir profissionais de saúde e testemunhas, além de examinar os prontuários médicos das crianças.

As suspeitas surgiram após familiares questionarem as circunstâncias das mortes e levantarem a possibilidade de infecções adquiridas durante a internação. Até o momento, porém, não há conclusão oficial que confirme uma causa comum para os casos ou a ocorrência de falhas na assistência médica.

A assistente jurídica Eduarda Fragnan Gomes, que presta apoio a famílias que perderam filhos após procedimentos realizados na unidade, afirma acompanhar relatos de dezenas de casos. Segundo ela, ao menos 36 famílias fazem parte do grupo que compartilha experiências relacionadas às mortes de crianças atendidas no hospital.

Desse total, 19 famílias estariam recebendo acompanhamento jurídico mais próximo, conforme informações divulgadas pela representante. Os números apresentados por ela são mais amplos do que os seis casos oficialmente confirmados pela polícia e ainda não foram unificados pela investigação.

Familiares relatam que algumas crianças foram hospitalizadas para cirurgias corretivas, procedimentos digestivos ou intervenções relacionadas a malformações. Segundo as denúncias, parte delas teria desenvolvido complicações infecciosas durante o período de internação.

As alegações estão sendo apresentadas às autoridades para análise. A confirmação de eventual relação entre as mortes dependerá dos documentos médicos, dos exames e dos demais elementos reunidos durante a apuração.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que a investigação inclui a coleta de depoimentos e a análise integral dos registros médicos. O trabalho busca reconstruir a evolução clínica de cada paciente, verificar as circunstâncias dos procedimentos e esclarecer os fatores que contribuíram para os óbitos.

Documentos mencionados em reportagens sobre o caso registram diagnósticos como sepse, choque séptico e pneumonia entre as causas médicas das mortes. Esses registros, isoladamente, não comprovam que as infecções tenham sido contraídas dentro do hospital nem que tenha ocorrido negligência.

Para estabelecer uma eventual responsabilidade, será necessário verificar o histórico de cada criança, os resultados de exames, as condições clínicas anteriores e os cuidados prestados durante a internação.

O que diz o Hospital Salvalus

Em manifestação pública, o Hospital Salvalus afirmou que trata os relatos com seriedade e que permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. A instituição declarou que ainda não havia recebido notificação formal sobre os procedimentos mencionados nas denúncias.

O hospital também informou que mais de mil crianças foram atendidas na unidade ao longo deste ano e que as avaliações realizadas até o momento apontaram históricos clínicos diferentes, sem identificar uma origem infecciosa comum entre os casos examinados.

A instituição ressaltou que cada paciente apresenta condições particulares e que não é possível atribuir todas as mortes a um mesmo fator sem comprovação técnica. A análise dos prontuários e dos demais elementos da investigação deverá ajudar a esclarecer os questionamentos apresentados pelas famílias.

A apuração continua concentrada no 8º Distrito Policial, que reúne informações sobre as seis mortes oficialmente investigadas. A polícia ainda precisa esclarecer as circunstâncias de cada óbito e verificar se há elementos que indiquem alguma conexão entre os episódios.

Fonte: G1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 24/10/2026/16:28:04

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