Pipas causam quase mil quedas de energia no Pará em apenas quatro meses

As pipas continuam entre as principais causas de interrupções no fornecimento de energia elétrica no Pará. Levantamento divulgado pela Equatorial Pará mostra que, entre janeiro e abril de 2026, foram registradas 994 ocorrências provocadas pelo contato de pipas com a rede elétrica em todo o Estado. O número representa uma média de oito interrupções por dia e um crescimento de 13% em relação ao mesmo período de 2025, acendendo o alerta para os riscos à segurança da população e os impactos no abastecimento de energia.
Além dos transtornos causados pela falta de energia, as ocorrências colocam em risco a vida de crianças, adolescentes e adultos que tentam recuperar pipas presas na fiação. Segundo a distribuidora, o contato com a rede elétrica pode provocar choques graves, queimaduras e até mortes, especialmente quando são utilizados objetos metálicos, varas de madeira ou bambu para alcançar os cabos energizados.
As interrupções afetam diretamente residências, estabelecimentos comerciais, escolas, unidades de saúde e outros serviços essenciais. Dependendo da dimensão da ocorrência, milhares de consumidores podem ficar sem energia simultaneamente. O executivo de Segurança da Equatorial Pará, Elton Lucena, reforçou a necessidade de conscientização. “Quando uma pipa entra em contato com a rede elétrica, ela pode provocar curtos-circuitos e desligamentos que afetam milhares de pessoas. Além disso, tentar retirar uma pipa presa na fiação é extremamente perigoso. A orientação é que a brincadeira aconteça apenas em locais abertos e afastados da rede elétrica”, alertou.
Aumento de casos e áreas mais afetadas
Com a chegada das férias escolares e do período de ventos mais intensos, tradicionalmente registrado nos meses de junho e julho, a expectativa da concessionária é de aumento na prática de empinar pipas. Por isso, a empresa intensifica as campanhas educativas para orientar a população sobre os cuidados necessários para evitar acidentes e prejuízos ao sistema elétrico.
Os dados mostram que Belém e os municípios da Região Metropolitana concentram o maior número de ocorrências, com mais de 200 registros nos primeiros quatro meses do ano. No Nordeste paraense, cidades como Castanhal, Capanema, Bragança e Paragominas somaram cerca de 232 casos. Já Marabá, Parauapebas e Tucuruí contabilizaram 148 ocorrências, enquanto Santarém e Altamira registraram juntas 138 episódios relacionados ao contato de pipas com a rede elétrica.
Orientações e riscos do cerol
A Equatorial Pará orienta que a brincadeira seja realizada apenas em áreas abertas, longe da rede elétrica, de avenidas movimentadas e de locais com grande circulação de pessoas. A empresa também alerta para o uso de cerol e linha chilena, práticas proibidas pela legislação brasileira. “O uso de cerol ou da linha chilena é considerado crime pelo Código Penal Brasileiro. A formulação do cerol pode conter limalha de ferro, substância que provoca curtos-circuitos e choques. Esses tipos de linha também representam risco para ciclistas, motociclistas e pedestres”, destacou Elton Lucena.
A distribuidora reforça que, caso uma pipa fique presa à rede elétrica, a recomendação é manter distância e acionar imediatamente os canais oficiais de atendimento da concessionária, evitando qualquer tentativa de remoção por conta própria.
Fonte: Diário do Pará e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 11/06/2026/07:25:43
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