PF abre inquérito para investigar abordagem policial contra candidata ao Senado atingida por balas de borracha em SC

A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar a atuação dos policiais militares durante a abordagem violenta contra candidata Fernanda Klitzke (PT), em Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina, na noite de sábado (12).

A informação foi passada em primeira mão pela candidata ao colunista Arliss Amaro, durante podcast do ND Mais. Segundo Fernanda, o caso também é apurado pela OAB/SC (Ordem dos Advogados do Brasil Santa Catarina), TRE-SC (Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina) e MPF (Ministério Público Federal).

“Ontem eu recebi a intimação da audiência preliminar do termo circunstanciado”, relatou Fernanda. A candidata destacou ainda que recebeu uma ligação do próprio presidente Lula (PT), ministros e outras autoridades.

“Ele [Lula] disse que estará aqui em Santa Catarina, que vem para me dar um abraço”, afirmou.

Nesta quarta, o deputado estadual Sargento Lima (PL) propôs uma moção de aplausos agradecendo aos policiais militares Rafaela Natália Branco e Clovis Kaue Weber, do 14º Batalhão de Polícia Militar de Jaraguá do Sul, pela atuação no dia 12 de setembro de 2026.

Fernanda Klitzke em entrevista ao ND MaisFernanda Klitzke em entrevista ao ND MaisFoto: Reprodução/ND Mais

A candidata afirmou que teve conhecimento sobre a moção e declarou não ter ficado surpresa. Ela disse ter recebido ligações de apoio de diversos adversários políticos, inclusive de outras coligações.

“Eu recebi a ligação do senador Esperidião Amin (PP), do meu amigo Carlos Schodin (MDB). Recebi manifestações de vereadores do Partido Novo, MDB, PSD. Além do meu partido, obviamente, que tem me acolhido e demonstrado muita força nessa hora”, relatou.

A advogada afirmou que só não recebeu apoio do PL. “E não me surpreende essa questão. Num estado onde o slogan de campanha da segurança pública, utilizado pelo governador, é o ‘bambu vai roncar’, eu não me surpreendo com uma moção de aplauso a essa questão”, completou.

O caso

Imagens da abordagem mostram Fernanda sendo derrubada ao chão pelos policiais militares e atingida por chutes e disparos de bala de borracha. A PMSC (Polícia Militar de Santa Catarina) afirmou que Fernanda e outras duas pessoas foram presas por ameaçarem e desacatarem os agentes durante abordagem.

A PM foi acionada por uma moradora que também afirmou ter sido ameaçada pelo grupo após pedir para abaixarem um som alto que estaria deixando seu filho autista de 5 anos agitado.

Ao ND Mais, Fernanda contou que havia participado, mais cedo, de um evento com mulheres em Palhoça, na Grande Florianópolis, e depois seguiu para a comemoração de cinco aniversariantes, ligados ao Partido dos Trabalhadores em Jaraguá do Sul.

Vídeo do momento mostra Fernanda sendo derrubada ao chão e atingida por chutes e disparos de bala de borrachaVídeo: Reprodução/ND Mais

“Era uma festa que se repete há anos. Todos os anos a gente comemora esses aniversários do mês de setembro. Chegando lá, a gente foi surpreendido por essa abordagem da Polícia Militar”, afirmou.

De acordo com a candidata, a polícia chegou ao local após uma reclamação sobre um convidado que teria chegado de carro com o som alto. Ela disse que já estava na festa quando o homem chegou e que a abordagem ocorreu próximo das 21h.

Fernanda, que é advogada há 20 anos, afirmou que foi até a área externa para tentar acalmar a situação. Segundo ela, uma policial havia aplicado um golpe em uma mulher que teria saído para ajudar um homem que estava sendo questionado sobre o som.

“Eu fui lá para fora para tentar amenizar. Nesse momento já tinha uma viatura e, quando eu vi, a policial estava dando um mata-leão em uma das mulheres que tinham saído para socorrer o rapaz”, disse.

Ela afirmou que pediu várias vezes para que a policial soltasse a mulher. Em seguida, segundo seu relato, foi derrubada no chão. “Ela soltou a outra pessoa, uma mulher de 53 anos, e daí me pegou. A partir dali, me derrubou no chão e bati com as costas. Ainda estou com algumas dores que a gente não identificou exatamente”, contou.

Fernanda disse ainda que foi algemada e colocada em um camburão. Segundo ela, pelo menos três disparos atingiram sua perna. “Fui algemada, fui colocada no camburão. Foram disparados em torno de três tiros que pegaram na minha perna. Está bem feio a situação da minha perna. Minha mão também foi machucada”, afirmou.

Após a ocorrência, Fernanda e outras pessoas foram encaminhadas à delegacia e depois, passaram a noite no hospital.

Questionada sobre a versão apresentada pela Polícia Militar, de que os agentes teriam reagido após ameaças e investidas físicas, Fernanda negou ter ameaçado ou agredido os policiais.

“Absolutamente não. Os vídeos estão circulando e são bastante claros em relação a isso”, declarou.

Fonte:ND Mais e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 16/09/2026/17:22:19

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