Pará soma 3,1 mil focos de incêndio em 2026 e entra em alerta com avanço do El Niño

O Pará já contabiliza 3.112 focos de incêndios entre 1º de janeiro e 12 de agosto de 2026 e ocupa a quinta posição no ranking nacional, segundo dados da plataforma Terra Brasilis, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O avanço da estação seca e o fortalecimento do El Niño aumentam a preocupação para os próximos meses, especialmente na Amazônia.

Em todo o Brasil, foram registrados 29.618 focos no período. Mato Grosso lidera, com 4.553 ocorrências, seguido por Tocantins, com 4.141; Bahia, 3.256; Maranhão, 3.121; e Pará, 3.112. Juntos, esses cinco estados concentram cerca de 62% de todos os focos registrados no país em 2026.

Pará entre os estados de maior risco

A posição paraense chama atenção porque o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima inclui o Pará entre as áreas com maior probabilidade de ocorrência de fogo entre agosto e outubro. Amazonas, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso também aparecem entre os estados considerados de maior risco, principalmente em áreas da Amazônia e do Brasil Central.

El Niño agrava o cenário de queimadas

O cenário tende a ficar mais crítico com o fortalecimento do El Niño. Boletim climático citado pela reportagem indica expectativa de chuvas abaixo da média no centro-norte do país entre agosto e outubro e alta probabilidade de temperaturas superiores ao normal durante o segundo semestre. Essa combinação favorece ondas de calor e amplia as condições para propagação das chamas.

A meteorologista Andrea Ramos explica que o fenômeno não provoca diretamente os incêndios, mas modifica as condições ambientais. “Quando temos vários dias sem chuva, temperaturas elevadas, baixa umidade do ar e redução da umidade do solo e da vegetação, o material vegetal fica mais seco e inflamável”, afirma. Segundo ela, caso exista uma fonte de ignição, o fogo encontra ambiente favorável para avançar com maior velocidade e intensidade, principalmente quando há vento.

A especialista ressalta que, na maioria das ocorrências, o início do fogo está relacionado à ação humana. O El Niño funciona como agravante ao contribuir para períodos mais quentes, secos e com chuvas irregulares. Para o Norte, a previsão indica justamente maior possibilidade de períodos prolongados sem precipitações ou com distribuição irregular das chuvas.

Vigilância reforçada e alerta para 2027

Andrea Ramos coloca o Pará entre os estados que precisam de vigilância reforçada durante a fase mais crítica da estação seca. “Estados como Mato Grosso, Pará, Tocantins, Amazonas e Maranhão merecem atenção especial”, alerta a meteorologista, acrescentando que temperaturas acima da média podem acelerar a perda de umidade do solo e da vegetação.

O consultor climático e meteorologista Francisco de Assis também aponta que as condições favoráveis às queimadas deverão atingir diferentes áreas do país durante o segundo semestre. Segundo ele, partes da Região Norte, Centro-Oeste e interior do Nordeste apresentam condições propícias à ocorrência e à propagação de incêndios.

Combinação perigosa

O alerta se estende para 2027. O Painel El Niño 2026-2027 aponta probabilidade de permanência do fenômeno pelo menos até o início do próximo ano. Para os especialistas, entretanto, isso não significa que o maior número de queimadas ocorrerá necessariamente em 2027. O período entre agosto e outubro de 2026 já concentra uma combinação considerada perigosa de estiagem, calor, baixa umidade, vegetação seca e ventos.

No Pará, o quadro exige intensificação do monitoramento e das ações preventivas justamente quando o estado já aparece entre os cinco maiores registros nacionais. O Inpe mantém acompanhamento dos focos por satélite através do Programa Queimadas e da plataforma Terra Brasilis.

Fonte: DIARIO DO PARÁ e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 11/08/2026/17:31:55

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