Pará registra crescimento no Ensino Médio Integral, mas ritmo desafia metas do novo Plano Nacional de Educação

Atualmente, o estado tem 17% de oferta de EMI nas escolas públicas, e precisa chegar em pelo menos 50% nos próximos 5 anos
Belém, abril de 2026 –Dados recentes apontam um avanço na oferta e nas matrículas do Ensino Médio Integral (EMI) no estado do Pará entre 2022 e 2025. Mas, ainda que o crescimento sinalize um progresso na agenda pública educacional, os números atuais indicam que o ritmo de expansão pode não ser suficiente para o cumprimento das metas estabelecidas pelo novo Plano Nacional de Educação (PNE) para os próximos dez anos. Atualmente, segundo dados do Censo Escolar 2025, o Pará possui 17% de suas escolas oferecendo o modelo integral e 10,1% das matrículas totais da rede.
No estado, um dos grandes desafios é a escala da expansão diante de uma extensão territorial com locais, muitas vezes, de difícil acesso. Ainda assim, entre 2022 e 2025, a oferta de escolas saltou de 9,3% para 17%, enquanto o percentual de alunos matriculados subiu de 4% para 10,1%. Apesar dos desafios e do caminho longo até a universalização, estados do Norte e Nordeste (como Piauí, Ceará e Pernambuco) mostram uma possibilidade real de entregar a expansão, a partir da priorização política.
O Ensino Médio Integral no Brasil
Em todo o país, o Ensino Médio Integral tem se consolidado cada vez mais como uma das políticas mais potentes de redução das desigualdades no país, entregando uma diminuição no abandono escolar e, consequentemente, o aumento de perspectivas mais positivas e novas chances para os jovens brasileiros sonharem mais alto sobre o seu futuro. Isso porque, mais do que ampliar o tempo em sala de aula, o EMI promove uma formação focada no protagonismo juvenil e no projeto de vida, com resultados sociais comprovados que mostram mais tempo de estudo e mais proficiência (aprendizado) que impactam diretamente em maior acesso ao Ensino Superior e, consequentemente, em maiores rendas no futuro.
Estudos e análises recentes** mostram os benefícios que já estão sendo registrados ao longo dos últimos anos:
Redução da violência: No estado de Pernambuco, o EMI reduziu em até 50% os homicídios de jovens de 15 a 19 anos em cidades que têm divisa com outros estados; O impacto é de 30 a 40% a menos nas taxas de homicídios ao longo de 10 anos.
Saúde reprodutiva e equidade de gênero: a cada mil jovens no EMI, há 114 adolescentes grávidas a menos; +737 mulheres no ensino superior e +529 mulheres empregadas.
Acesso ao mercado de trabalho: Um aumento de 10% nas matrículas no Ensino Médio Integral (EMI) no município gera, em média, um aumento de 3% nos empregos no setor formal do município, com impacto racial relevante: para estudantes pretos, pardos e indígenas, o efeito na geração de empregos é três vezes maior (4,5%) em comparação aos estudantes brancos e amarelos (1,5%). Em estados como o Ceará, o impacto da ampliação de matrículas EMI é ainda mais elevado, com uma expansão de até 9,8% nas admissões formais.
Retorno x investimento: o benefício socioeconômico da política é seis vezes maior que o custo. Além disso, estima-se que o valor da remuneração recebida ao longo de toda vida produtiva de um jovem estudante que tenha acesso ao EMI será R$64 mil a mais em relação ao que ele receberia caso não tivesse tido acesso à educação integral.
O novo PNE deverá o caminho do Pará para a meta nos próximos anos
Recentemente, foi aprovado o novo Plano Nacional de Educação (PNE), que norteará as políticas públicas pelos próximos 10 anos. O plano estabelece diretrizes para consolidar o ensino integral como política estruturante, definindo metas importantes como a universalização da oferta com qualidade. Para o Pará, atingir essas metas significa transformar o EMI como regra na rede pública.
Para acelerar esse processo, o estado tem referências importantes nas regiões do Norte e Nordeste em redes que priorizaram a decisão política de expansão, como Pernambuco (63% de oferta de escolas EMI, sendo o berço da política pública), Piauí (100% de oferta, com uma expansão conquistada em apenas 4 anos de priorização política) e Ceará (com 75% de oferta). O exemplo desses estados mostra que, com planejamento e investimento estruturado, é possível avançar e dar novas oportunidades de futuro para os jovens brasileiros. O desafio, então, do Pará para o próximo governo é garantir que a expansão seja priorizada, adequando-se às ofertas com qualidade e levando as evidências de sucesso do EMI para os territórios de maior vulnerabilidade do estado.
Fonte: Censo Escolar (rede estadual) – escolas com oferta presencial de ensino médio e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 29/04/2026/06:55:51
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