Pará lidera recuperação de área de água após seca na Amazônia, aponta MapBiomas

A Amazônia voltou a ganhar superfície de água em 2025 após dois anos seguidos de seca severa, e o Pará teve o maior avanço entre os estados do bioma. São 142 mil hectares acima da média histórica.

Os dados são do MapBiomas Água, iniciativa que usa imagens de satélite e inteligência artificial para mapear, mês a mês, toda a superfície coberta por água no território brasileiro desde 1985. O levantamento mais recente foi divulgado nesta terça-feira (16).

No caso amazônico, a recuperação foi associada ao aumento das chuvas em relação ao ano anterior, segundo o estudo. Ainda assim, o estudo aponta que o cenário continua preocupante porque eventos extremos seguem frequentes e parte das sub-bacias da região permanece abaixo da média histórica.

De acordo com o levantamento, 20 sub-bacias da Amazônia ainda apresentaram superfície de água inferior ao padrão esperado.

O desempenho do Pará chama atenção dentro desse contexto. O estado ficou à frente de Amazonas, que registrou ganho de 87 mil hectares, e de Goiás, com 91 mil hectares. Em 2025, a superfície de água da Amazônia como um todo ficou 2,6% acima da média histórica, mas a melhora não foi uniforme em todo o território.

A maior parte da água mapeada no bioma ainda é natural. A Amazônia concentra 10 milhões de hectares de superfície de água natural, o equivalente a 92,7% do total identificado na região. Isso reforça a importância da preservação dos rios, lagos e áreas alagáveis para as comunidades que vivem na floresta, especialmente as ribeirinhas.

Mesmo com a recuperação pontual, o estudo mostra que a tendência brasileira segue de queda. Entre 1985 e 2025, a média nacional de superfície de água caiu de 19,86 milhões de hectares, na primeira década analisada, para 17,28 milhões de hectares na última, uma redução acumulada de 2,6 milhões de hectares no período.

Queda de longo prazo

O MapBiomas destaca que, apesar da melhora registrada em 2025, a superfície de água no país continua abaixo da média histórica. Em 2025, o Brasil teve 18,2 milhões de hectares cobertos por água, o equivalente a 2% do território nacional, ainda inferior ao patamar médio de 18,5 milhões de hectares.

Segundo os pesquisadores, isso mostra que o dado de um único ano não pode ser visto isoladamente. A redução observada ao longo das décadas indica uma mudança estrutural no regime hídrico, influenciada tanto pelas mudanças climáticas quanto pelas alterações no uso da terra.

O coordenador técnico do MapBiomas Água, Juliano Schirmbeck, afirma que a série histórica revela um “movimento contínuo de perda, mesmo com oscilações pontuais de recuperação”. Para ele, “a leitura precisa considerar o comportamento da água ao longo de quatro décadas, e não apenas a melhora recente”.

Fonte:G1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 16/06/2026/16:21:55

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