Pará acompanhou resultado nacional em sete das nove eleições presidenciais desde 1989

Histórico eleitoral mostra duas divergências entre o voto paraense e o resultado do país. Especialista aponta polarização e características sociais e econômicas do Estado
O eleitorado do Pará acompanhou o resultado nacional em sete das nove eleições presidenciais diretas realizadas desde 1989. Ao longo desse período, o candidato escolhido pela maioria dos eleitores paraenses também venceu a disputa pela Presidência da República em 1994, 1998, 2002, 2006, 2010, 2014 e 2022. As duas exceções ocorreram em 1989 e 2018.
Na primeira eleição presidencial direta após a redemocratização, em 1989, Luiz Inácio Lula da Silva venceu no Pará no segundo turno, com 52,82% dos votos válidos, o equivalente a 626.853 votos. No resultado nacional, porém, Fernando Collor de Mello foi eleito. Quase três décadas depois, a diferença voltou a ocorrer. Em 2018, Fernando Haddad recebeu 54,81% dos votos válidos no Pará, ou 2.112.769 votos, enquanto Jair Bolsonaro venceu a eleição nacional.
Entre 1994 e 2014, o resultado das urnas paraenses coincidiu com o vencedor da eleição presidencial no Brasil durante cinco eleições consecutivas. Em 1994, Fernando Henrique Cardoso venceu no Pará com 54,16% dos votos válidos, somando 838.291 votos. Na eleição seguinte, em 1998, o então presidente foi reeleito e também liderou no Estado, com 52,43%, ou 823.513 votos.
A partir de 2002, o eleitorado paraense passou a acompanhar a sequência de vitórias do PT nas eleições presidenciais. Lula venceu no Estado naquele ano com 53,10% dos votos válidos, totalizando 1.229.418 votos. Em 2006, Lula alcançou seu maior percentual no Pará dentro da série histórica apresentada: 60,12%, correspondente a 1.834.793 votos.
Nas duas eleições seguintes, Dilma Rousseff manteve a preferência dos paraenses. Em 2010, recebeu 53,20% dos votos válidos, com 1.884.908 votos. Em 2014, chegou a 57,41%, totalizando 2.122.063 votos.
Pará voltou a coincidir com o Brasil em 2022
Em 2022, o Pará voltou a acompanhar o resultado nacional. Luiz Inácio Lula da Silva venceu no Estado com 54,75% dos votos válidos, o equivalente a 2.567.360 votos, enquanto Jair Bolsonaro ficou com 45,25%. A eleição daquele ano foi marcada por uma disputa nacional acirrada. No Pará, entretanto, Lula obteve uma vantagem que contribuiu para o resultado geral da eleição.
Para o doutor em Ciência Política e professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Edir Veiga, não há uma única explicação para a coincidência entre os resultados paraense e nacional observada em parte da série histórica: “Não existe uma lógica explicativa que possa explicar esta correlação entre as vitórias presidenciais de 1994, 1998, 2002, 2006, 2010, 2014 e 2022, deste período e as vitórias presidenciais no Pará”.
À reportagem de O LIBERAL, o professor afirmou que é possível observar uma relação especialmente nas eleições decididas em segundo turno: “O que podemos correlacionar, de fato, é de que Lula e Dilma venceram eleições muito disputadas, em segundo turno, e que o Pará ajudou a consolidar estas vitórias de segundo turno”.
Peso do eleitorado paraense
Apesar de representar cerca de 2% dos votos nacionais, o Pará pode assumir importância em eleições presidenciais marcadas por disputas acirradas entre dois grandes polos políticos.
“Nós temos 2% dos votos nacionais concentrados no Pará, ou seja, parecem muito poucos votos, mas dentro da polarização política brasileira, estes dois por cento passam a ser relevantes para a conquista da maioria nacional”, avalia Edir Veiga.
O professor também destaca características sociais do Estado para explicar parte do comportamento eleitoral paraense. Ele diz que o Pará apresenta uma das maiores assimetrias sociais do país. Veiga afirma que, das aproximadamente 2,2 milhões de famílias paraenses, 1,3 milhão recebem Bolsa Família ou outros programas de políticas sociais compensatórias do governo federal. Na avaliação dele, essa presença amplia a capilaridade do governo federal entre eleitores de baixa renda: “A maioria destas famílias que, somadas com o voto do funcionalismo e das mulheres, vêm garantindo vitórias sucessivas nas eleições presidenciais no Pará”.
Divisão política dentro do Estado
Apesar da predominância de candidatos de esquerda em parte da série histórica, o comportamento eleitoral paraense também apresenta diferenças entre as regiões do Estado. De acordo com Edir Veiga, o avanço do agronegócio nas regiões sul, sudeste e oeste do Pará está relacionado a uma maior presença de votos em candidatos de direita. “Parece nítida uma correlação entre o avanço do agronegócio nas regiões sul, sudeste e oeste paraense e um voto declaradamente de direita”, afirma.
Edir Veiga afirma que esse movimento se soma à preferência de parte do eleitorado evangélico e de católicos conservadores. O resultado, na avaliação do professor, é um Estado politicamente dividido, com “leve predominância do voto nas opções políticas mais à esquerda na disputa presidencial”.
Eleições de 2026
O histórico eleitoral será novamente colocado à prova em 2026. Neste ano, as eleições contam com 12 candidaturas validadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a Presidência da República, são elas: Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Hertz Dias (PSTU), Edmilson Costa (PCB), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP) e Leonardo Avalanche (PRTB).
Dados recentes divulgados por institutos como Quaest, Datafolha, AtlasIntel e o agregador da BBC News Brasil apontam Lula e Flávio Bolsonaro entre os nomes de maior destaque nos cenários iniciais. Outros candidatos, como Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado, também aparecem nos levantamentos. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.
Fonte: oliberal e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 29/09/2026/07:10:45
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