‘O drama’ é sanduíche de neurose irritante entre boas camadas de novela, fofoca e polêmica

Com uma premissa promissora – e polêmica, neste caso – e um casal de estrelas do calibre de Zendaya (“Euphoria”) e Robert Pattinson (“Batman”), “O drama” tinha tudo para ser um novelão divertido, ideal para fofoqueiros iniciarem debates calorosos após os créditos.

O filme independente, que estreia nesta quinta-feira (9) nos cinemas brasileiros, até chega a funcionar muito bem como tal na leveza de sua abertura e no absurdo de sua conclusão.

Infelizmente, sanduícha entre elas um longo trecho focado na neurose irritante de seu protagonista, recheado de enquadramentos inexplicáveis e situações esdrúxulas.

Muitos bons filmes transformam uma situação pessoal em uma história universal. “O drama” pega uma ideia particular com tremendo potencial coletivo e infelizmente a condensa novamente sob um olhar muito específico.

Entre o segredo e o spoiler

O roteiro do diretor norueguês Kristoffer Borgli (“O homem dos sonhos”) narra as repercussões da revelação do grande segredo da personagem interpretada por Zendaya, dias antes de seu casamento com o noivo vivido por Pattinson.

Sem a possibilidade de revelar exatamente a natureza da hecatombe, sob pena de acusações severas de spoiler, basta dizer que dá para entender a revolta de alguns espectadores americanos – mas não necessariamente concordar.

A indignação depende muito do poder de abstração do público. Algo cada vez mais raro, é verdade, mas aqueles que conseguirem ir além têm a chance de contemplar o universo de possibilidades contido na pergunta que abre este texto.

Ou teriam, pelo menos. Porque assim que joga a bomba na mente do espectador, o filme decide mergulhar de forma profunda na mente do protagonista – e abre mão completamente de qualquer possibilidade de empatia, à exceção de homens à beira da meia-idade, muito ingleses e muito neuróticos.

O que vocês fariam?

A escolha de Borgli também impede o desenvolvimento de uma química mais real entre os dois astros. Fica ainda mais difícil de entender as incertezas do personagem quando o próprio relacionamento nunca faz muito sentido.

“O drama” até volta a melhorar no final, ao abraçar novamente o ritmo de farsa e devolver o protagonismo à noiva, de longe a coisa mais interessante – e mais mal explorada – da trama.

A essa altura, no entanto, o gosto deixado pelo longo e cansativo trecho anterior não consegue ser superado totalmente. Pelo menos o debate ao final da sessão ainda promete ser animado.

Fonte: g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 09/04/2026/07:59:55

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