MST fecha estradas por “reforma agrária”; governo federal na inércia

A interdição total da BR-163 (Cuiabá – Santarém), na altura do km 463, em Campo Grande, nesta sexta-feira (20), expõe mais um capítulo da estratégia de pressão adotada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que volta a lançar mão do bloqueio de rodovias como instrumento político — uma tática recorrente que, mais uma vez, penaliza diretamente a população comum.

Cerca de 150 manifestantes fecharam completamente a BR-163 nos dois sentidos, provocando um cenário de caos: congestionamentos que já atingem quilômetros de extensão, motoristas retidos sem previsão de liberação e prejuízos logísticos imediatos. A rodovia, uma das principais artérias do escoamento econômico da região, tornou-se refém de uma mobilização que, sob o discurso da “reforma agrária”, escancara contradições difíceis de ignorar.

Equipes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) foram deslocadas para negociar a liberação da via, enquanto a concessionária responsável tenta mitigar os impactos orientando motoristas e organizando desvios. Até agora, apenas ambulâncias conseguem passar — um alívio mínimo diante do transtorno generalizado imposto a trabalhadores, transportadores e famílias inteiras.

O MST justifica a ação como parte de uma “frente unitária” de movimentos sociais, alegando pressão por políticas públicas, assentamentos e avanços na reforma agrária. Também destaca o protagonismo feminino na mobilização, inserida no contexto das ações de março e na preparação para o chamado “Abril Vermelho”, período historicamente marcado por ocupações e protestos.

Estradas fechadas, gabinetes poupados

Mas o ponto central, que salta aos olhos, é outro: o movimento intensifica suas ações justamente sob um governo que historicamente contou com seu apoio político. A cobrança por reforma agrária — legítima em qualquer democracia — passa a carregar um tom de contradição quando dirigida a aliados que, até aqui, pouco avançaram em medidas concretas. A pergunta que fica é inevitável: por que a pressão ganha as estradas, e não os gabinetes onde as decisões efetivamente são tomadas?

Ao optar pelo bloqueio de uma rodovia federal, o MST desloca o ônus de sua pauta para a sociedade, atingindo quem não tem qualquer poder de decisão sobre políticas agrárias. Caminhoneiros perdem tempo e dinheiro, trabalhadores se atrasam, cadeias de abastecimento sofrem impacto — tudo isso enquanto a resposta estatal segue lenta, burocrática ou simplesmente ausente.

A narrativa do movimento fala em justiça social, produção de alimentos e dignidade no campo. No entanto, a forma escolhida para reivindicar esses direitos — interrompendo o direito de ir e vir de milhares de pessoas — levanta um debate necessário sobre os limites da pressão social em um Estado de Direito. Até que ponto a causa justifica o método?

O protesto também evidencia uma realidade incômoda: a reforma agrária segue sendo uma promessa recorrente, reativada em discursos e mobilizações, mas raramente traduzida em políticas efetivas e estruturadas. O resultado é esse ciclo previsível — omissão governamental de um lado, radicalização de movimentos do outro, e a população, mais uma vez, presa no meio do caminho.

Enquanto não houver uma política séria, transparente e eficiente para o campo, cenas como essa tendem a se repetir. E a BR-163, hoje bloqueada, torna-se apenas mais um símbolo de um impasse antigo — e cada vez mais desgastado.

Fonte: Ver o Fato e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 20/03/2026/13:14:41

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