“Misturinha” para acender fogão à lenha é substância usada em guerras

Na Guerra do Vietnã, o Napalm foi usado para eliminar florestas, destruir abrigos e matar, em massa, combatentes e civis. O combustível, misturado com um espessante, cria um fogo que demora a se apagar — na guerra, causou queimaduras irreversíveis e mortes trágicas. Hoje, porém, é fácil encontrar vídeos ensinando a fazer a substância misturando sabonete e gasolina para acender fogão à lenha e churrasqueiras.

“A mistura forma um material viscoso, que adere bem às superfícies, como uma graxa, uma pasta. Portanto, passa a ser um material mais eficiente para produzir incêndios em grande escala, como em lança chamas e ou bombas incendiárias utilizados em guerras”, explica Wilson Botter, 2° vice-presidente do Conselho Federal de Química.

Botter ensina que misturar sabonete com gasolina une moléculas com cadeias carbônicas longas, criando uma substância viscosa e inflamável que, se fica localizada, consegue queimar por muito tempo, até o combustível acabar.

“Água pode ser um bom extintor de incêndio, mas quando o material é um óleo, parafina, gasolina, atirar água aumenta a área do incêndio – fonte de muitos acidentes caseiros”, explica o químico.

Botter alerta que acender churrasqueira ou fogão com gasolina e “misturinhas” apresenta um grande risco. “Como a gasolina vaporiza com facilidade, entre o tempo de colocar o combustível, afastar o frasco da churrasqueira e iniciar a chama com um fósforo, ocorre a produção de um vapor de gasolina altamente explosivo”, afirma.

Napalm foi usado em guerras

O Napalm foi inventado em 1942 na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. A substância viscosa foi usada pela primeira vez em agosto do ano seguinte na Sicília, quando um campo de trigo foi incinerado para revelar tropas escondidas.

“Ele foi usado também na Guerra da Coreia e na Guerra do Vietnã, contra guerrilheiros do Vietcong. A imagem do incidente de Trang Ban, em 1972, em que crianças apareciam queimadas, reverberou no mundo todo. Uma imagem grotesca. Para muitos, foi a primeira vez que escutavam falar em Napalm”, explica o professor de História Bruno Carvalho, da Universidade de Brasília (UnB).

Ele conta que os efeitos do Napalm em humanos são bem documentados. A gasolina gruda nas pessoas enquanto queima e, quando não mata, causa queimaduras graves, de terceiro e quarto graus, e sequelas como desfigurações. O professor diz que vítimas da Guerra do Vietnã mencionaram a sensação de serem cozinhadas até a morte.

Apesar o perigo do Napalm, a substância nunca foi proibida. O Protocolo III da Convenção sobre Certas Armas Convencionais proibiu o uso para atacar civis, e ele não pode ser usado como arma incendiária por via aérea contra objetivos militares em áreas com concentração de civis.

“Também não pode ser usado para incendiar florestas ou vegetação. Contudo, não existe ainda uma proibição legal em conflitos armados. O Napalm pode ser usado contra combatentes. Tanto que, mesmo após o Vietnã, ele continuou sendo utilizado em guerras coloniais e conflitos no Oriente Médio”, ensina Carvalho.

Fonte: Metrópoles e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 01/08/2026/07:36:28

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