Missão ou fachada? Polícia revela como grupo usava religião para apoiar o facção em presídios

A Polícia Civil de Mato Grosso revelou detalhes da Operação Fariseus, que investiga um grupo suspeito de usar atividades missionárias em presídios como fachada para dar suporte ao Comando Vermelho (CV). A ação foi deflagrada na última quinta-feira, 17 de julho de 2026, e teve como alvo integrantes de uma mesma família.
Segundo a investigação, os suspeitos ofereciam apoio logístico, financeiro e de comunicação para líderes da facção presos e também para criminosos foragidos. Além disso, eles aproveitavam o acesso às unidades prisionais para intermediar mensagens entre internos e pessoas que estavam em liberdade.
As apurações apontam que o grupo atuava na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Mato Grosso. O projeto religioso permitia a entrada dos investigados na unidade. Com isso, eles mantinham contato direto com detentos e também estreitavam relações com familiares de chefes da organização criminosa.
Embora a denúncia inicial citasse a possível entrega de celulares e objetos proibidos dentro da área de segurança máxima da penitenciária, a polícia afirma que a principal comprovação da ligação entre os investigados e a facção veio por meio da análise de dados telemáticos.
Durante as investigações, os policiais encontraram fotos, vídeos e conversas que, segundo a corporação, mostram que os suspeitos ultrapassavam os limites da assistência religiosa. O material indica uma relação direta com integrantes do Comando Vermelho.
Outro ponto que chamou a atenção da investigação foi a ligação do grupo com comunidades do Rio de Janeiro dominadas pela facção. Mulheres ligadas ao projeto missionário realizavam viagens frequentes para essas localidades.
Armas de grosso calibre e lavagem de dinheiro
Os registros audiovisuais mostram os investigados em imóveis usados por criminosos foragidos. Em algumas imagens, eles aparecem manipulando armas de grosso calibre, como fuzis e carabinas, inclusive armamentos personalizados com as siglas da organização criminosa.
A polícia também encontrou registros que mostram crianças portando armas. Em outra situação, integrantes do grupo participaram de videochamadas enquanto comparsas efetuavam disparos de fuzil em áreas controladas pela facção.
As investigações também revelaram um suposto esquema de lavagem de dinheiro. Conforme a Polícia Civil, os envolvidos utilizavam triangulação bancária e depósitos fracionados em contas de familiares e terceiros para ocultar a origem dos recursos.
O dinheiro, segundo a apuração, financiava viagens, procedimentos estéticos e a compra de veículos para integrantes do grupo.
Crimes investigados e próximos passos
Além da movimentação financeira, as conversas analisadas pelos investigadores apontam que uma das suspeitas pediu a aplicação de um “salve”, punição disciplinar imposta por integrantes da facção, contra um homem acusado de furto.
Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, tortura e corrupção de menores.
A operação cumpriu mandado de prisão preventiva, além de mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou a suspensão do acesso dos investigados às unidades prisionais por meio de projetos religiosos.
Agora, a Polícia Civil de Mato Grosso continua analisando o material apreendido para identificar a participação individual de cada suspeito e aprofundar as investigações sobre a atuação do grupo.
Fonte: Diário do Pará e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 21/07/2026/14:27:52
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