Médico preso no PR por montar ‘apartamento’ em hospital ameaçou torturar filha e matar marido de secretária de saúde, diz MP

A investigação contra Rodrigo começou depois que o MP recebeu denúncias de outros servidores. Conforme os relatos, as irregularidades aconteceram entre março e maio de 2026.
Em depoimentos colhidos durante a investigação, servidores do hospital disseram que o médico instaurou “um ambiente de constantes arbitrariedades, submetendo uma das vítimas a ameaças, humilhações, perseguições e vigilância permanente”.
Um dos servidores relatou ao MP que a rotina no trabalho com Rodrigo era como um “filme de terror”. Outro funcionário disse que o médico perseguiu até mesmo familiares dele, quando o relato de irregularidades foi feito.
Na data da prisão de Rodrigo, o advogado dele, Manoel Neto, enviou uma nota ao g1 negando as acusações. Ele considerou a prisão do médico como “desproporcional” e informou que pediu a revogação. Leia a nota na íntegra abaixo.
A esposa do médico também foi denunciada pelos crimes de peculato e prevaricação. Segundo o MP, ela tinha o dever legal de impedir ou reportar a conduta de Rodrigo, mas teria se omitido diante dos crimes.
A Promotoria de Justiça de Nova Londrina pediu ainda que ela seja afastada do cargo.
Segundo o MP, o caso segue em sigilo.
Médico fez quarto em centro-cirúrgico
A sala onde Rodrigo montou o quarto era usada originalmente como centro-cirúrgico. No cômodo, ele colocou uma cama, um guarda-roupas e uma televisão.
Além dos móveis, o médico guardava camisetas, cobertores e outros itens pessoais. Até mesmo uma toalha com o nome dele bordado e um massageador foram encontrados. Veja as imagens abaixo.
Quarto montado por médico no Hospital Municipal de Itaúna do Sul. — Foto: Reprodução

O g1 apurou que Rodrigo é concursado em Itaúna do Sul e também atende no hospital municipal de Nova Londrina. No caso desta segunda cidade, não há informações sobre irregularidades ou crimes.
O registro dele no Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) estava ativo até a última atualização desta reportagem.
Município disse que colabora com as investigações
Em nota enviada à RPC, a prefeitura de Itaúna do Sul disse que colabora com as investigações e que os atendimentos seguem no local. Leia na íntegra:
“O Município de Itaúna do Sul tomou conhecimento das medidas judiciais cumpridas nesta data no âmbito de investigação conduzida pelo Ministério Público do Estado do Paraná envolvendo profissional que presta serviços junto ao Hospital Municipal. A Administração Municipal respeita a atuação do Ministério Público, do Poder Judiciário e dos demais órgãos responsáveis pela apuração dos fatos, reconhecendo a importância do trabalho institucional desempenhado por cada uma dessas entidades.
O Município tem prestado e continuará prestando todas as informações e esclarecimentos que forem solicitados pelas autoridades competentes, colaborando integralmente para o regular desenvolvimento dos procedimentos em andamento.
Por se tratar de investigação ainda em curso, a Administração Municipal entende que este é o momento de permitir que os fatos sejam apurados com a necessária cautela, imparcialidade e observância das garantias legais aplicáveis a todos os envolvidos.
A atual gestão permanece concentrada na manutenção e no aprimoramento dos serviços públicos de saúde, assegurando a continuidade do atendimento à população e o adequado funcionamento das atividades desenvolvidas pelo Hospital Municipal. O Município acompanhará os desdobramentos do caso e adotará, no âmbito de suas competências legais e administrativas, as providências que eventualmente se mostrarem necessárias a partir dos elementos oficialmente apurados pelas autoridades competentes.”
Posicionamento da defesa de Rodrigo
Procurada novamente pelo g1 nesta terça-feira (23), a defesa do médico divulgou nota alegando que irá provar “inconsistências” na denúncia. Leia na íntegra:
“Manoel Neto, advogado do Dr. Rodrigo Felipe Amparado e Enfermeira Maiara, recebe com bastante surpresa o oferecimento de denúncia contendo imputações extremamente graves, especialmente porque, em uma análise inicial, as acusações parecem estar amparadas em elementos frágeis, contraditórios e em relatos cuja credibilidade será devidamente questionada no curso do processo.
Neste momento, a defesa está realizando uma análise minuciosa dos autos para futura apresentação da resposta à acusação e das demais medidas processuais cabíveis, oportunidade em que demonstrará a inconsistência das imputações formuladas.
A defesa também aguarda a apreciação do pedido de revogação da prisão preventiva de Rodrigo, confiante de que o Poder Judiciário realizará a adequada avaliação dos fatos e das circunstâncias do caso.
Por respeito ao sigilo processual e ao regular andamento da ação penal, não serão prestados maiores esclarecimentos neste momento.”