Investigação da Polícia Civil revela estrutura, regras, hierarquia e punições adotadas pelo Comando Vermelho

Delegado destaca a existência de uma cadeia de comando que funcionava entre muros e usava parentes e até advogados para fazer com que suas determinações chegassem ao Rio
Após uma investigação de mais de um ano, a Polícia Civil do Rio conseguiu reunir provas que mostram como o Comando Vermelho se estrutura fora do Rio de Janeiro, onde a facção nasceu. Nos materiais obtidos a partir da quebra de sigilo telefônico, os policiais encontraram evidências que revelam a estrutura por trás do grupo, que se organiza em 13 conselhos, com divisão de tarefas que incluem presidente do conselho, vice, porta-voz e tesoureiro, que cuida da caixinha da organização criminosa.
O delegado Pedro Cassundé, que conduziu as investigações, afirmou que o material reunido finalmente conseguiu demonstrar o que já era apontado por informações de inteligência, mas ainda sem provas documentais. Os investigadores também obtiveram uma versão mais recente do chamado “Estatuto do Comando Vermelho”, que define uma série de regras a serem seguidas pelos integrantes da facção.
— Conseguimos demonstrar que há uma cadeia de comando federalizada que funcionava entre muros e usava parentes e até advogados para fazer com que suas determinações chegassem ao Rio. Também identificamos que eles seguem um regime próprio de regras, que chamam de estatuto, com conselhos deliberativos, sanções próprias, cargos e funções. Assim, percebemos que se trata de uma estrutura muito bem organizada.
Operação Red Legacy
A partir do material obtido, a polícia deflagrou, nesta quarta-feira, a Operação Contenção Red Legacy, realizada por policiais civis da Dcoc-LD. Sete pessoas foram presas, sendo que seis eram policiais militares e cinco deles estavam lotados na UPP da Vila Cruzeiro. Segundo as investigações, eles tinham ligação direta com os chefes da facção e chegaram até a combinar um flagrante para “demostrar serviço” ao comandante do batalhão.
A ação desta quarta-feira tinha como objetivo desarticular a estrutura nacional do Comando Vermelho, identificada pela investigação como uma “organização criminosa com características de cartel e atuação interestadual altamente estruturada”, como descreveu o secretário de Polícia Civil Felipe Curi.
— Foi feito um monitoramento profundo da cúpula da organização criminosa. Foi uma investigação realizada com provas técnicas, quebra telemática e mais de 400 interlocutores analisados. No bojo dessa investigação, foi descoberto o envolvimento de parentes do Marcinho VP e de políticos que se comunicavam e tinham envolvimento com o CV e com o braço operacional da própria facção — afirmou.
A mulher do Marcinho VP, Márcia Gama, e Landerson Lucas dos Santos, sobrinho do criminoso, também foram alvos da operação e não foram localizados.
Trégua com o PCC
O material obtido nas investigações também revelaram as conversas que comprovam uma trégua entre o CV e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a polícia, a aliança — que tinha como foco dominar as fronteiras — acabou se dissolvendo após discordâncias em outros estados, mas ainda existe um “pacto de não agressão”.
Trechos de mensagens trocadas em fevereiro do ano passado mostram textos que teriam sido escritos por Edgar Alves Andrade, o Doca, um dos principais chefes do CV no Rio, e uma liderança do PCC, que não teve o nome divulgado. Essas conversas foram divulgadas primeiramente pelo blog do jornalista Ancelmo Gois, do GLOBO.
Em 14 de fevereiro de 2025, “São Paulo” enviou um texto detalhando o acordo, para encerrar “guerra sangrenta” que só beneficiou os “algozes” das duas facções. ” Onze dias depois, um novo “comunicado geral” foi divulgado, desta vez confirmando que o acordo de paz teria sido firmado entre PCC e CV, iniciativa destacada pela frase “crime fortalece o crime”.
Já o comunicado do CV destaca que a maior facção do Rio tem como objetivo “o progresso”, que poderá ser “alcançado priorizando a ética do crime, o respeito e os direitos iguais para todos”, sem se desviar “do caminho de lutar” contra “instrumentos e sequelas do autoritarismo que assola nossa nação”.
Veja o que diz o ‘estatuto’ do Comando Vermelho:




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