Idoso é condenado a mais de 129 anos por estupro de 9 crianças em comunidade indígena do Tapajós

As investigações começaram após os pais de três crianças irem à delegacia para registrar a ocorrência. A partir dos primeiros relatos, a polícia percebeu que a situação poderia envolver mais vítimas e aprofundou as apurações na comunidade.
De acordo com a delegada do Núcleo de Apoio Investigações (NAI), Milla Moura, uma equipe foi enviada até a comunidade indígena onde o suspeito morava, o que foi fundamental para a ampliação do caso.
“Inicialmente eram três vítimas que vieram à delegacia. A partir do contexto dos relatos, percebemos que poderiam existir outras crianças na mesma situação. Então a equipe se deslocou até a comunidade e conseguimos identificar outras vítimas, totalizando nove”, explicou.
Segundo a delegada, todas as crianças foram ouvidas com acompanhamento adequado e confirmaram os fatos investigados.
“As crianças foram escutadas com apoio técnico, inclusive de assistência social, e todas relataram situações semelhantes, o que fortaleceu o trabalho investigativo”, destacou.
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Delegada do NAI, Milla Moura, fala sobre o caso — Foto: Kamila Andrade/g1
As investigações apontaram que o idoso se aproveitava da rotina das crianças, principalmente no trajeto entre a casa e a escola. Para se aproximar, ele oferecia doces e pequenas quantias em dinheiro, o que facilitava o contato.
“Era uma prática recorrente. Ele utilizava esses meios para atrair as crianças que passavam em frente à residência, o que acabou sendo identificado ao longo da investigação”, disse Mila Moura.
Ainda de acordo com a delegada, o comportamento do suspeito dificultou a identificação inicial dos fatos, já que ele era visto como uma pessoa tranquila dentro da comunidade indígena.
“Era alguém que convivia bem com todos, não levantava suspeitas. Inclusive havia relatos de comerciantes que achavam estranho o volume de doces que ele comprava, mas não imaginavam o que estava por trás disso”, relatou.
As situações ocorreram de forma repetida, e as vítimas tinham idades entre 4 e 13 anos. O caso só veio à tona após uma das crianças decidir falar sobre o que estava acontecendo.
“Uma das vítimas, a mais velha, resolveu contar porque não aguentava mais ver aquilo acontecendo, inclusive com as irmãs mais novas. A partir disso, as demais se sentiram seguras para relatar também”, afirmou.
Com o avanço das investigações, a Justiça expediu o mandado de prisão, que foi cumprido em Santarém. Após a tramitação do processo, ele foi julgado e saiu a sentença que condenou o idoso a mais de 129 anos de reclusão.
Atenção aos sinais
A delegada destacou a importância da atuação da polícia dentro da comunidade para dar segurança às vítimas. “A presença da equipe no local foi essencial. Quando chegamos, conversamos com moradores, com as famílias e com as crianças. Isso fez com que elas se sentissem mais seguras para falar”, disse.
A Polícia Civil reforça a importância de que pais, responsáveis e lideranças comunitárias estejam atentos a sinais de alerta e incentivem o diálogo com crianças e adolescentes.
“É fundamental escutar e acreditar. Muitas vezes, pequenos sinais podem indicar que algo não está certo. A denúncia é essencial para que possamos agir e responsabilizar os envolvidos”, concluiu Mila Moura.
Entre os principais alertas estão mudanças de comportamento e o recebimento de presentes ou dinheiro sem explicação. A orientação é que qualquer suspeita seja comunicada às autoridades para que os casos sejam devidamente apurados.
Fonte: G1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 20/03/2026/13:14:41
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