Grupo Soyagro MT com extensão em Novo Progresso-PÁ, entra em recuperação judicial de R$ 205 milhões

A Justiça de Mato Grosso deferiu o processamento da recuperação judicial do Grupo Soyagro, que reúne sete empresas e três produtores rurais ligados ao grupo. O processo tem valor de causa de R$ 205.104.855,71 e envolve negócios com atuação em diferentes municípios de Mato Grosso e também em Novo Progresso, no sudoeste do Pará.
A decisão foi divulgada por meio de edital publicado no Diário Oficial do Estado. O processo tramita na 4ª Vara Cível de Sinop (MT) e tem como objetivo permitir que o grupo reorganize suas dívidas e mantenha suas atividades durante o período de recuperação.
Entre as empresas incluídas estão Bocchi e Fabian Ltda., BF Comércio de Insumos Agrícolas, Comércio de Insumos Agrícolas Soyagro, BFF Insumos Agrícolas, FB Comércio Agrícola, BFDT Insumos Agrícola e BFC Insumos Agrícolas.
Também fazem parte do processo os empresários e produtores rurais Flavio José Bocchi, Artemio Junior Fabian e Ana Paula Valdameri Fabian.
As empresas possuem unidades ou endereços em Sorriso, Matupá, Porto dos Gaúchos, Alta Floresta e Marcelândia, em Mato Grosso, além de Novo Progresso, no Pará.
Unidade em Novo Progresso
A presença do grupo em Novo Progresso ocorre por meio da BFDT Insumos Agrícola Ltda., que possui endereço no município. A empresa atua no segmento ligado ao comércio de produtos e insumos utilizados pelo setor agropecuário.
A inclusão da empresa no processo de recuperação judicial significa que os negócios vinculados ao grupo passam a ser submetidos às regras estabelecidas pela Justiça para a reorganização financeira.
Na prática, a recuperação judicial não representa, por si só, o encerramento das atividades da empresa. O mecanismo previsto na legislação brasileira busca permitir que empresas em dificuldade financeira continuem funcionando enquanto negociam uma forma de pagamento de seus débitos com os credores.
Para produtores rurais e clientes que mantêm relações comerciais com a unidade de Novo Progresso, o processo poderá provocar mudanças na forma de negociação e recebimento de valores, especialmente em relação a contratos e créditos anteriores ao pedido de recuperação.
Grupo aponta crise no setor agrícola
No pedido apresentado à Justiça, o Grupo Soyagro atribuiu a crise econômico-financeira a uma combinação de fatores que afetaram o setor agrícola nos últimos anos.
Entre os problemas apontados estão a elevação dos custos de produção e das taxas de juros, oscilações cambiais, queda dos preços das commodities, quebras de safra e aumento da inadimplência de produtores rurais.
A empresa também afirmou que houve redução e encarecimento da oferta de crédito bancário, situação que teria comprometido o capital de giro necessário para manter as operações.
Outro fator destacado foi a desvalorização dos estoques de fertilizantes, defensivos agrícolas, sementes e grãos recebidos em operações de barter.
O barter é uma modalidade bastante utilizada no agronegócio na qual o produtor recebe insumos para sua produção e, posteriormente, realiza o pagamento com parte da produção agrícola. Com a queda dos preços dos produtos e a dificuldade de pagamento de alguns produtores, o grupo afirma ter acumulado perdas.
Inadimplência supera R$ 100 milhões
Segundo informações apresentadas no processo, o Grupo Soyagro possui aproximadamente R$ 115 milhões em valores a receber de clientes inadimplentes.
O grupo também declarou possuir mais de R$ 60 milhões em endividamento bancário, enquanto as despesas anuais com juros ultrapassariam R$ 20 milhões.
Outro dado apresentado é a existência de créditos em aproximadamente 14 processos de recuperação judicial de produtores rurais, que juntos representariam cerca de R$ 40 milhões.
A situação teria provocado um desequilíbrio entre os valores que o grupo tinha a receber e as obrigações que precisava continuar pagando, afetando diretamente o fluxo de caixa.
Desvalorização dos estoques
A desvalorização dos produtos agrícolas também teria provocado impacto significativo.
Conforme informações apresentadas sobre o processo, os estoques do grupo chegaram a aproximadamente R$ 71 milhões em 2022. O valor teria caído para cerca de R$ 63 milhões em 2023 e R$ 33 milhões em 2024, estando atualmente estimado em aproximadamente R$ 10 milhões.
A redução teria ocorrido em meio à queda nos preços de fertilizantes, defensivos, sementes e outros produtos comercializados pelo grupo.
Segundo a empresa, essas perdas comprometeram o capital de giro e dificultaram a manutenção do fluxo financeiro das empresas.
Justiça suspende execuções
Com o deferimento do processamento da recuperação judicial, a Justiça determinou a suspensão das execuções e demais medidas de cobrança contra os integrantes do grupo, dentro das condições estabelecidas pela legislação.
A Ex Lege Administração Judicial Ltda. foi nomeada para atuar como administradora judicial do processo.
O período de proteção judicial, conhecido como stay period, permite que o grupo tenha um prazo para organizar suas dívidas e apresentar aos credores uma proposta de recuperação.
A relação de credores inclui trabalhadores, instituições financeiras, fundos de investimento e fornecedores ligados ao setor agrícola, entre outros.
A recuperação judicial, portanto, ainda não significa que as dívidas foram perdoadas. O objetivo é reorganizar os débitos e estabelecer uma forma de pagamento que permita a continuidade das atividades empresariais.
Reflexos para Novo Progresso
Para Novo Progresso, a continuidade das operações da unidade da Soyagro tem importância principalmente para o setor agropecuário, que depende de fornecedores de sementes, fertilizantes, defensivos e outros insumos.
A recuperação judicial poderá alterar a dinâmica financeira da empresa, especialmente nas relações com credores e contratos firmados antes do processo. Entretanto, o deferimento da recuperação não determina automaticamente o fechamento da unidade ou a interrupção das atividades comerciais.
Os próximos passos serão acompanhados pela Justiça, pela administradora judicial e pelos credores, que deverão participar das etapas previstas no processo de recuperação.
O caso chama atenção no município porque envolve uma empresa com atuação ligada diretamente ao agronegócio regional e ocorre em um momento de dificuldades financeiras enfrentadas por produtores e empresas do setor.
Fonte: Com informações de documentos do processo judicial e fontes especializadas e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso/ Ascom PCPA 24/08/2026/07:23:05
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