Golpe das joias: brasileira investigada nos EUA usou tragédias falsas e até mordida de cachorro para não pagar vítimas

Mas além da engenharia do golpe, chama atenção a repetição de histórias dramáticas usadas pela investigada para justificar o não cumprimento dos acordos.
Reclamação de funcionária
De acordo com as vítimas, Camila prometia depósitos que nunca eram realizados e recorria a versões diferentes para explicar os atrasos.
Em mensagens reunidas pela investigação, ela alegava dificuldades operacionais e citava problemas com funcionários para justificar a falta de pagamento. Em um dos áudios, reclama de uma suposta funcionária do setor financeiro e diz que quer quitar as dívidas “o quanto antes” — algo que, segundo as vítimas, nunca acontecia.
“As coisas são muito mais complicadas que parece. Eu falo com a mulher do financeiro praticamente por e-mail, uma gorda que faz, tipo assim, 120 quilos. Nunca vi um sorriso no rosto dela […] Então, eu sei dessa responsabilidade e eu quero pagar logo”, disse Camila em uma gravação de áudio.
Mordida de cachorro e drama ao telefone
Entre as justificativas apresentadas, está uma suposta mordida de cachorro. Uma das vítimas contou que Camila chegou a enviar uma foto para sustentar a versão.
“Ela chorou no telefone, fez o maior drama”, relatou. Mais tarde, segundo a mesma vítima, a história não se sustentou: quando tirou o curativo, o nariz dela estava perfeito, não tinha nenhuma mordidinha de mosquito”, disse.
Tragédia inventada em evento nos EUA
Outro episódio considerado emblemático ocorreu após um evento de vendas nos Estados Unidos. Segundo uma joalheira de São Paulo, Camila afirmou que não conseguiria concluir um pagamento porque uma funcionária de uma loja teria morrido eletrocutada.
A versão sensibilizou as vítimas:
“Ela começa a chorar compulsivamente”, relatou uma delas.
Mas a explicação foi desmentida rapidamente. Ao checarem as redes sociais da loja mencionada, as vítimas descobriram que não houve morte e que o evento ocorreu normalmente.
Dinheiro que nunca chegava
Além das desculpas, a investigada também enviava fotos para reforçar a narrativa de que os pagamentos estavam a caminho.
Em um dos casos, Camila compartilhou a imagem de uma bolsa cheia de dólares e disse que um motorista faria a entrega do dinheiro. A promessa, porém, não se concretizava.
Vítimas relatam que aguardavam por longos períodos sem receber o suposto pagamento:
“Estou aqui há 40 minutos, uma hora. Cadê o seu motorista?”, questionavam. A resposta era sempre a mesma: “está chegando”.
Padrão de comportamento
As investigações indicam que as desculpas faziam parte da estratégia do golpe. Camila primeiro conquistaria a confiança das vítimas, realizaria algumas transações corretamente e, depois, começaria a atrasar pagamentos usando justificativas sucessivas.
Com o tempo, segundo a polícia, o esquema evoluía para o desvio total dos valores e das joias.
Investigações seguem
Camila Briotti é investigada por estelionato nos dois países. Nos Estados Unidos, parte das joias foi localizada em casas de penhor, vendidas por valores muito abaixo do mercado.
A defesa informou que vai se manifestar em momento oportuno e afirma que as denúncias carecem de provas.
Fonte: g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 20/05/2026/10:30:21
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