Garimpo ilegal na T.I. Munduruku: Estudo expõe impactos e como atividade ilegal persiste, mesmo após ações federais no Pará

Foram analisadas as transformações socioambientais e econômicas ocorridas em 2025 após as operações de desintrusão na Terra Indígena Munduruku, em Jacareacanga, no sudoeste do Pará.
As operações de órgãos federais para retirar os invasores começaram ainda em 2024. A TI Munduruku foi homologada em 2004 em área de 2,3 mil hectares, abrigando três povos indígenas em Jacareacanga e Itaituba.
Conforme os especialistas, a retirada de garimpeiros desencadeou uma série de novas dinâmicas e expões vulnerabilidades, pois não desestruturou as bases econômicas do garimpo ilegal e nem pôs fim a conflitos na região.
Segundo o estudo, sem ações estruturais, as operações estatais produzem efeitos temporários, com possibilidade de retorno dos garimpeiros. De acordo com o Instituto Mãe Crioula, o documento chamado de “O Circuito Espacial do Garimpo Ilegal no Pós-Desintrusão: Reconfigurações Territoriais e Conflitos na Terra Indígena Munduruku” será encaminhado a órgãos públicos com sugestões.
O peso da ‘mínero-dependência’
Além do impacto ambiental negativo da atividade garimpeira ilegal, a pesquisa aponta também impactos sociais e econômicos preocupantes, pois o garimpo ilegal se sustenta por meio de um circuito econômico que inclui outras atividades, como comércios, postos de combustíveis e serviços em geral tanto em Jacareacanga, quanto em Itaituba.
Essa dinâmica gera uma “mínero-dependência”, modelo em que a economia local passa a girar em torno da extração ilegal. Com a saída dos garimpeiros, moradores e comerciantes relataram uma redução significativa no movimento econômico, o que para os pesquisadores, evidencia a fragilidade de economias pouco diversificadas.
Além disso, os pesquisadores também apontam o aumento de famílias com Cadastro Único como um fator a ser observado e que alcançou 19.353 em 2026 na cidade de Jacareacanga. A cidade, segundo o último Censo, tem 24 mil habitantes, na qual metade é indígena.
Danos ambientais em terras Munduruku
Segundo o relatório, os garimpos ilegais aumentaram dentro da terra indígena entre 2017 e 2020. Depois, entre 2021 e 2022, começaram a ter mais operações de combate a esta atividade, com destruição de maquinários. Em 2023, há um reforço de combate ao garimpo ilegal com ações federais até que em 2024 inicia a desintrusão para retirada dos garimpeiros ilegais.
Os pesquisadores apontam que, além dos impactos sociais e econônimos, a atividade garimpeira provocou modificações na dinâmica dos rios, incluindo mudanças no leito, assoreamento e alterações na qualidade da água.
Esses impactos afetam o modo de vida das populações que dependem dos rios e tendem a persistir mesmo após a interrupção do garimpo ilegal. No entanto, esse combate se deu em alguns pontos, pois a ilegalidade continua.
Segundo Aiala Couto, geógrafo e pesquisador da Uepa e IMC e um dos coordenadores da pesquisa, a dinâmica complexa do garimpo ilegal na região inclui espaços menores de exploração e também a aproximação com o narcotráfico, incluindo o compartilhamento de aeroportos e portos ilegais.
Os pesquisadores também acreditam que a presença de garimpos nos municípios vizinhos na região (Itaituba, Trairão, Altamira e Novo Progresso) “reforça a ideia de uma rede regional articulada, na qual Jacareacanga se consolida como ponto estratégico nos circuitos espaciais do ouro, integrando frentes de extração, logística e fluxos econômicos que extrapolam os limites municipais e intensificam os conflitos socioambientais na T.I. Munduruku”.
Mais presença do Estado
A análise recomenda o fortalecimento e presença contínua do Estado para evitar a reocupação das áreas onde houve desintrusão e garantir a preservação ambiental. Essas ações podem ser com “fiscalização contínua, controle das cadeias econômicas, proteção dos territórios indígenas e construção de alternativas econômicas sustentáveis para a região”, consta
O estudo ainda destaca a importância do protagonismo indígena na construção de alternativas econômicas que reduzam a dependência do garimpo, como explica Carolina Furtado, pesquisadora do Instituto.
O estudo ressalta ainda que a articulação entre governos e a incorporação de conhecimentos tradicionais são fundamentais para a construção de soluções duradouras na região e sistematiza as demandas dos povos Munduruku, que abrangem áreas como educação, segurança alimentar e meio ambiente.
“Emergem demandas voltadas ao fortalecimento de atividades já desenvolvidas pelos indígenas, mas que ainda carecem de apoio institucional e maior alcance no território como construção de aviários, implementação de projetos de reflorestamento, melhoria dos sistemas de abastecimento de água e incentivo à produção e comercialização do artesanato”, consta no levantamento.
Fonte: g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 12/05/2026/07:17:31
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