Franquias de beleza movimentam mais de 430 milhões de reais no Pará

O segmento de saúde, beleza e bem-estar consolidou-se como o principal motor do franchising no estado do Pará. Apenas no primeiro trimestre de 2026, as unidades franqueadas locais registraram um crescimento de 32,7% na arrecadação em comparação ao mesmo período do ano passado, movimentando mais de R$ 430 milhões. O avanço é superior à média geral do mercado paraense de franquias, que teve alta de 15,2% e receita total de R$ 1,3 bilhão nos três primeiros meses do ano.
“O mercado paraense representa quase 50% de todo o setor na Região Norte, seguido pelo Amazonas”, afirma Félix Prieto, coordenador regional da Associação Brasileira de Franchising (ABF).
O especialista aponta que a busca por qualidade de vida alavancou o segmento de forma expressiva e contínua desde o fim da pandemia, tornando a área responsável por 28% de toda a participação das franquias no estado. “Se você analisar o primeiro trimestre de 2022, o segmento faturava R$ 269 milhões e saltou para R$ 439 milhões agora em 2026. É quase 100% de crescimento em cinco anos”, destaca Prieto.
Crédito popular e resgate emocional
O aquecimento expressivo reflete uma mudança direta no perfil socioeconômico dos consumidores e na forma de pagamento. Tratamentos antes restritos às classes mais altas agora chegam a novos públicos por meio de ferramentas de democratização, como carnês próprios e parcelamentos alongados.
“Muitas vezes, as pessoas entram pela porta achando que é beleza, mas não é só isso; é confiança, autocuidado e um resgate emocional”, avalia Vera Bessa, franqueada de uma rede de estética há cinco anos em Belém.
A unidade gerenciada pela empresária registrou um aumento de 20% na operação neste início de ano. O público predominante é formado por mulheres acima de 55 anos, que realizam parte dos cerca de 400 procedimentos mensais da clínica. “A gente trabalha muito o preparo para a pós-menopausa, quando vemos o rosto ‘derretido’, focando na firmeza. Não somos uma clínica focada só na correção, mas na longevidade da pele”, explica Vera Bessa.
Apesar da predominância feminina, os homens já representam 20% dos atendimentos diários do estabelecimento. “Eles buscam a formação de mandíbula para ter um rosto mais másculo, além de um olhar mais descansado, toxina botulínica e tratamentos para o bigode chinês, geralmente na faixa dos 30 aos 45 anos”, detalha a franqueada.
Fuga de exageros e segurança técnica
A entrada do público masculino e de clientes mais jovens interessados em frear o envelhecimento precoce é um fenômeno nacional. A CEO de uma rede nacional de franquias do setor, Claudia Abreu, ressalta que as pessoas passaram a enxergar as intervenções no rosto e no corpo como uma etapa de saúde, e não apenas vaidade.
“Boa parte dos brasileiros, hoje, já fez algum tipo de procedimento. Percebemos uma vinda forte de pessoas mais jovens trabalhando de maneira preventiva, muito ligada à medicina regenerativa, inclusive pessoas que usaram canetas emagrecedoras e lidam com a flacidez”, pontua Claudia Abreu.
Outra tendência apontada pela executiva é a substituição das antigas harmonizações faciais agressivas pela busca da chamada beleza natural. “Os pacientes buscam a sua melhor versão. Tem gente usando o termo ‘desarmonização’, para retirar o ácido hialurônico que usou no passado. As pessoas procuram mais por qualidade de pele, como o uso de bioestimuladores de colágeno, que fazem o corpo produzir o que perdeu”, destaca a CEO.
Para o paciente e para o investidor, o modelo padronizado atua como um escudo contra erros médicos e falsificações. “A garantia do paciente é muito maior de que está usando um produto correto, dentro do prazo de validade, e com profissional bem treinado. Nós temos um processo muito sério de segurança técnica e auditoria”, afirma Claudia Abreu.
Desafio de gestão e qualificação local
Mesmo com o suporte técnico das franqueadoras e da indústria, a operação diária na capital paraense exige gestão rigorosa, especialmente para suprir o gargalo da qualificação profissional. Sócia de uma franquia focada em cuidados faciais inaugurada há sete meses em Belém, Rebecca Rebelo lida com clientes majoritariamente das classes A e B. O foco da unidade são protocolos de nanopigmentação realista de sobrancelhas e lábios, além da remoção de tatuagens e maquiagens definitivas antigas.
Para atuar na clínica, a marca exige que as profissionais tenham no mínimo três anos de experiência no mercado de beleza, além de passarem por imersões de dez dias em São Paulo e reciclagens constantes por aplicativo.
“Sem dúvida, um dos maiores desafios de abrir uma empresa é a gestão de pessoas. Os profissionais podem ter uma técnica excelente, mas precisam ter comprometimento, responsabilidade e vontade de aprender”, relata Rebecca Rebelo.
A manutenção do padrão de qualidade nos serviços, que chegam a custar mais de R$ 2 mil, obriga os franqueados a estarem 100% presentes no salão. “Quem faz a operação acontecer diariamente somos nós que estamos aqui dentro. Quando eu me afasto da clínica, a gente sente uma queda. É muito importante que eu esteja aqui incentivando e bonificando a equipe”, conclui a sócia.
Estética no Pará (1º trimestre de 2026)
Faturamento do setor de Saúde e Beleza: R$ 430 milhões
Crescimento do segmento: 32,7% (comparado a 2025)
Crescimento geral de franquias no PA: 15,2%
Total de unidades franqueadas de beleza no PA: 736 unidades
Participação do setor no mercado local: 28% de todas as franquias
Fonte: oliberal e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 25/08/2026/07:22:22
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