Festival de Parintins: conheça a história e entenda como funciona o maior espetáculo folclórico a céu aberto do mundo

Todos os anos, a cidade de Parintins, no interior do Amazonas, se transforma no palco do maior espetáculo folclórico a céu aberto do mundo: o Festival de Parintins. Em 2026, a festa será realizada nos dias 26, 27 e 28 de junho e deve reunir milhares de visitantes para acompanhar a disputa entre os bois-bumbás Caprichoso e Garantido.

Misturando música, dança, alegorias gigantes e elementos da cultura amazônica, o festival se tornou um símbolo da identidade da região Norte e uma das manifestações folclóricas mais conhecidas do país.

A história dos bois começou no início do século XX. O Boi Garantido, nas cores vermelha e branca, foi criado por Lindolfo Monteverde. Já o Boi Caprichoso, representado pelo azul e branco, surgiu da imaginação dos irmãos Roque, Beatriz e Pedro Cid. Na época, as apresentações eram simples e aconteciam pelas ruas da cidade.

Inspirado no tradicional bumba-meu-boi do Maranhão, o boi-bumbá amazonense ganhou características próprias ao incorporar lendas da floresta, rituais indígenas e costumes da cultura popular amazônica. Com o passar dos anos, a rivalidade entre Caprichoso e Garantido ajudou a transformar a festa em um fenômeno cultural conhecido dentro e fora do Brasil.

O festival oficial surgiu em 1965. A iniciativa partiu de jovens ligados à Igreja Católica e de padres da cidade, que buscavam arrecadar recursos para a construção da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Parintins. Na primeira edição, apenas quadrilhas juninas participaram da programação. No ano seguinte, os dois bois passaram a integrar a disputa.

Como funciona a disputa

Durante as três noites de festival, cada boi tem entre duas horas e duas horas e meia para se apresentar. As apresentações contam histórias inspiradas na Amazônia por meio de músicas, coreografias, encenações, alegorias e personagens tradicionais.

Enquanto um boi está na arena, a torcida adversária, conhecida como galera, deve permanecer em silêncio. Manifestações durante a apresentação rival podem resultar em punições.

Para embalar o espetáculo, Garantido e Caprichoso lançam anualmente álbuns com cerca de 20 toadas inéditas. As canções ajudam a narrar o tema escolhido por cada agremiação e são parte fundamental da apresentação.

Os 21 itens avaliados

O desempenho dos bois é analisado em 21 quesitos:

Apresentador;
Levantador de toadas;
Batucada ou Marujada;
Ritual indígena;
Porta-estandarte;
Amo do boi;
Sinhazinha da fazenda;
Rainha do folclore;
Cunhã-poranga;
Boi bumbá (evolução);
Toada (letra e música);
Pajé;
Tribos indígenas;
Taxauas;
Figura típica regional,
Alegorias;
Lenda amazônica;
Vaqueirada;
Galera;
Coreografia; e
Organização do conjunto folclórico.

Os itens são divididos em três blocos. O primeiro avalia aspectos musicais e tradicionais. O segundo analisa cenografia e coreografias. Já o terceiro reúne os quesitos artísticos.

Como é escolhido o campeão?

O resultado é definido por uma comissão formada por dez jurados. Um deles atua como presidente da comissão, enquanto os demais são distribuídos entre os três blocos de avaliação.

As notas são atribuídas separadamente em cada uma das três noites de apresentação. Durante a apuração, realizada na segunda-feira após o encerramento do festival, a menor nota de cada quesito é descartada.

Ao final da contagem, o título fica com o boi que somar a maior pontuação nos 21 itens avaliados ao longo da disputa.

Mais do que uma competição, o Festival de Parintins é uma celebração da cultura amazônica. A cada ano, a arena se transforma em um grande palco de histórias, cores e tradições que ajudam a manter viva a identidade de um povo e encantam públicos de diferentes partes do mundo.

Fonte: g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 02/06/2026/07:07:12

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