Feijão fica 59% mais caro e carne sobe 16,26% em Belém

Já o arroz ficou 5,08% mais barato no período de 12 meses, mas teve alta de 9,80% no acumulado deste ano, aponta pesquisa do Dieese/PA
O feijão, a carne e o arroz, alimentos presentes diariamente na mesa dos paraenses, têm pesado no orçamento dos consumidores de Belém. Dados da cesta básica divulgados nesta terça-feira pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará (Dieese/PA), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mostram que o feijão foi o produto que mais encareceu nos últimos 12 meses, com alta de 59,06%. No mesmo período, a carne ficou 16,26% mais cara. Já o arroz apresentou queda de 5,08% em 12 meses, mas acumula aumento de 9,80% em 2026.
Os dados são referentes ao levantamento realizado no início de outubro, com preços médios dos produtos comercializados na capital paraense em setembro. Apesar de algumas reduções pontuais, os valores continuam sendo motivo de preocupação para consumidores e comerciantes na capital paraense.
Feijão acumula alta de quase 60%
O preço médio do quilo do feijão em Belém chegou a R$ 8,43 em setembro de 2026, ante R$ 5,30 no mesmo mês do ano passado. Em janeiro deste ano, o produto custava, em média, R$ 5,69. Mesmo com uma redução de 2,66% em relação a agosto, quando o quilo foi comercializado por R$ 8,66, a alta acumulada no ano alcançou 53,27%.
A diferença é percebida pelos consumidores. O profissional de serviços gerais Geraldo Filho afirma que o preço atual está pesando no bolso e lembra que, há alguns meses, conseguia comprar o produto por um valor bem menor.
“O preço atual do feijão em Belém tá meio pesado. Tá uma faixa de R$ 8 a R$ 9. Meses atrás eu cheguei a pagar R$ 5 pelo preço do feijão. Teve aumento”, relata.
Entre os comerciantes, a avaliação também é de que o feijão foi um dos produtos que mais encareceram. Adriane Santos, vendedora de arroz e feijão no Complexo do Guamá, conta que o preço varia conforme a forma de comercialização. Segundo ela, o quilo vendido no varejo pode chegar a R$ 12, enquanto a compra em fardos permite oferecer valores menores.
“O preço do feijão foi o que mais aumentou. O preço do arroz ainda tá no preço favorável, mas o preço do feijão foi o que mais aumentou”, afirma.
A comerciante explica que a estratégia é buscar fornecedores e produtos mais baratos para tentar manter as vendas.
“O quilo do feijão tá R$ 12 o quilo. O fardo do feijão sai bem mais barato. Quando a gente revende, a gente revende um pouquinho mais caro, mas acho ele sai a R$ 10 o quilo do fardo”, diz.
Cléa Brito, que também vende arroz e feijão no complexo, relata redução nos preços praticados em outubro em comparação com setembro. Segundo ela, o fardo, que custava R$ 220, passou a ser vendido por R$ 200. O quilo do feijão, conforme a comerciante, custa R$ 10.
Carne chega a R$ 46,76 o quilo em média
A carne bovina também registra aumento expressivo. De acordo com o levantamento do Dieese/PA e da Conab, o preço médio do quilo chegou a R$ 46,76 em setembro, contra R$ 40,22 no mesmo período de 2025. Em janeiro deste ano, a média era de R$ 42,82.
Na comparação mensal, o indicador aponta alta de 0,69% em setembro. No acumulado de 2026, o aumento chega a 10,70%, enquanto a variação em 12 meses é de 16,26%.
No Complexo do Guamá, os vendedores relatam dificuldades para lidar com os reajustes dos fornecedores. Augustinho Faria afirma que diferentes cortes tiveram aumento, incluindo chã, paulista, alcatra, bisteca e contrafilé.
Entre as opções mais baratas, ele cita a agulha e o peito, ambos vendidos a R$ 25 o quilo, além da pá, que custa entre R$ 27 e R$ 28. Já os cortes como paulista e chã chegam a R$ 47 ou R$ 48 o quilo.
“Os cortes mais caros são paulista, chã. Eles estão R$ 47, R$ 48. É só uma qualidade. Só um preço. Então, não adianta os fornecedores falarem nada. Todo mundo paga só um preço. Não tem como baixar”, afirma o vendedor.
Alex Silva, também comerciante de carne no local, diz que os aumentos dificultam a manutenção dos preços e comprometem as vendas.
“O preço da carne tá um absurdo — tanto pra quem fornece quanto pra quem passa a venda. Agora mesmo chegou pra gente aqui um aumento de carne e não tá dando pra passar esse aumento com as condições de hoje em dia. A situação não tá fácil pra ninguém”, relata.
Ele afirma que até os cortes de segunda estão caros para os comerciantes. Segundo Alex, picanha, alcatra, maminha e filé estão entre os cortes mais caros, enquanto pá e agulha estão entre as opções mais acessíveis. No estabelecimento, a pá e a agulha com osso custam R$ 32 o quilo.
A percepção dos consumidores, porém, varia conforme os hábitos de compra e os cortes escolhidos. A cuidadora de idosos Graziela Amorim considera que o preço se manteve relativamente estável em relação aos meses anteriores.
“Acho que o preço da carne tá ok. Em relação a setembro, a agosto, acho que o preço se manteve”, avalia.
Ela conta que costuma comprar pá, agulha, picadinho e costela para preparar guisados. Para esses cortes, afirma pagar entre R$ 50 e R$ 60, sem especificar a quantidade adquirida.
Arroz tem queda em 12 meses, mas sobe no acumulado do ano
Diferentemente do feijão e da carne, o arroz apresentou redução de 5,08% na comparação entre setembro de 2025 e setembro de 2026. Ainda assim, o preço médio do quilo passou de R$ 4,35 em janeiro para R$ 5,04 em setembro deste ano, acumulando alta de 9,80% em 2026.
Na comparação mensal, o produto ficou 1,82% mais caro em setembro, quando o preço médio era de R$ 4,95 em agosto. No mesmo mês do ano passado, a média registrada havia sido de R$ 5,31.
Apesar da elevação no acumulado do ano, os comerciantes relatam que procuram alternativas para oferecer o produto a preços mais acessíveis. Adriane Santos conta que precisou substituir marcas que tiveram reajustes mais expressivos.
“A gente costumava vender o arroz Fazenda, mas ele foi o que mais aumentou. A gente teve que mudar de marca”, explica.
A estratégia, segundo ela, é buscar opções mais baratas para evitar repassar aumentos ainda maiores aos consumidores. “A gente tá comprando o mais barato pra vender o mais barato. O fardo do arroz é bem mais em conta. O quilo chega a R$ 5”, afirma.
Cléa Brito também relata redução nos preços de outubro em relação ao mês anterior. Segundo a vendedora, o quilo do arroz está sendo comercializado por R$ 3, enquanto o fardo passou de R$ 220 para R$ 200.
Comportamento e variação dos preços médios da Cesta Básica de Alimentos em Belém (PA) — últimos 12 meses (Fonte: Dieese)
1. Carne (kg)
Setembro de 2026: R$ 46,76
Agosto de 2026: R$ 45,44
Janeiro de 2026: R$ 42,82
Dezembro de 2025: R$ 42,24
Setembro de 2025: R$ 40,22
Variações de preço:
Variação no mês: +0,69%
Variação no ano: +10,70%
Variação em 12 meses: +16,26%
2. Feijão (kg)
Setembro de 2026: R$ 8,43
Agosto de 2026: R$ 8,66
Janeiro de 2026: R$ 5,69
Dezembro de 2025: R$ 5,50
Setembro de 2025: R$ 5,30
Variações de preço:
Variação no mês: −2,66%
Variação no ano: +53,27%
Variação em 12 meses: +59,06%
3. Arroz (kg)
Setembro de 2026: R$ 5,04
Agosto de 2026: R$ 4,95
Janeiro de 2026: R$ 4,35
Dezembro de 2025: R$ 4,59
Setembro de 2025: R$ 5,31
Variações de preço:
Variação no mês: +1,82%
Variação no ano: +9,80%
Variação em 12 meses: −5,08%
Fonte: O Liberal e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 24/10/2026/16:14:40
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